sexta-feira, dezembro 28, 2007

Ano Novo

O ano de 2007 foi mau!
Mas com pouco esforço conseguiremos fazer
um 2008 pior.





A todos os que nos desejaram as boas festas, obrigado.
Aos que não o fizeram mas que teriam gostado de o fazer, compreendemos, por isso obrigado na mesma.
A todos quantos por aqui foram passando, votos de um bom ano.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

sábado, dezembro 22, 2007

O Admirável Mundo Novo Orwelliano


A paranóia securitária e de assepsia que atinge o país está a tornar-se numa caricatura ridícula ou a conduzir-nos a uma sociedade Orwell-huxleyiana?
Por todo lado proliferam mecanismos de vigilância sem qualquer controlo e sem verdadeiramente cumprirem os fins a que se destinam, reduzindo paulatinamente a liberdade individual.
O certo é que cada vez mais uma qualquer facadinha no matrimónio, o aliviar os macacos do nariz ou o ajeitar os testículos entalados nas cuecas se pode tornar na primeira página dos tablóides ou atascar as caixas de correio electrónico de todo o mundo.


Any society that would give up a little liberty to gain a little security will deserve neither and lose both.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Porque hoje é Sábado



Handel, Messias, Glória de Deus

O Tratado Europeu, versão digest

Ricardo Pinheiro Alves: O que perde Portugal com a assinatura do Tratado Reformador

Querem uma constituição?



Já existe um bom modelo há mais de 200 anos.
Se querem saber como se faz perguntem ao Benjamin Franklin...

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Fod... que é loira e Americana

L'Europe est un pays via Koreus

Os putos de Paulo Carvalho

Mais um passo para o referendo europeu

Hoje é dado mais um passo no sentido da reconstituição do Sacro Império Romano-Germânico, mas também pode ser o recomeço de um império para os próximos mil anos.
O certo é que ninguém sabe para onde vamos e os iluminados que nos governam não se importam de nos manter nas trevas, já que quanto mais no escuro estivermos mais os seus pálidos brilhos parecerão deslumbrantes.
Contudo a luz que deles emana não passa de um mero reflexo do poder dos povos – ou isso é uma ilusão em que vivemos?

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O balanço da cimeira UE-África

... uma mão cheia de nada...


(texto publicado em 7-12-2007 1:18, antecipando os resultados da conferência)

sábado, dezembro 08, 2007

Couto de homiziados

Resolvia-se a maior parte dos problemas do Planeta se houvesse um poder justo no mundo que declarasse Portugal um couto de homiziados, aproveitando assim o facto de, por estes dias, a maior parte dos facínoras vivos ter agasalho em Lisboa e arredores.


Desenho de José Pádua retirado daqui.

Porque hoje é Sábado

quinta-feira, dezembro 06, 2007

O circo vai começar...



... agora que a tenda já está montada e os palhaços já começaram a chegar!...

Dez coisas sobre mim

Para não quebrar a corrente proposta há uns dias pela Maria, aí vão algumas coisas sobre mim.
  1. Gosto do anonimato.
  2. Gosto de chocolate.
  3. Gosto de cerveja na esplanada junto ao mar.
  4. Gosto do meu país.
  5. Gosto de valores que orientem a minha vida.
  6. Não gosto de mentirosos e desonestos.
  7. Não suporto imbecis e burocratas políticos.
  8. Irrita-me o provisório definitivo.
  9. Abomino o caos urbanístico.
  10. Detesto a falta de gestão e organização do meu país.
Espero que o Metralhinha tenha melhor inspiração que eu.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Porque é que os portugueses não têm mais filhos?


Sempre pensei que bastava as pessoas olharem para as suas vidas e para as dos seus vizinhos, para perceberem porque raios não têm mais filhos. Afinal é preciso haver programas de televisão, é preciso andarmos a discutir o acessório quando as razões estão à frente dos nossos olhos.

Quem não conhece casais que têm uma vida relativamente boa e quando existe uma gravidez, ela é rapidamente despachada para casa com um subsídio da Segurança Social, se tiver sorte?

Quem está disposto a abdicar da sua carreira e do seu trabalho, que também lhe garante o sustento, para ter filhos? Ser mãe ou pai deve ser um sacrifício pessoal e financeiro ou deve ser antes o glorificar da vida e da vida familiar?

Obviamente que muitos casais podem passar por um sacrifício, mas para a maioria isso é massacrar a família. O que deveria ser uma felicidade torna-se num pesadelo quando não há dinheiro para o leite, para roupa e se tem de recorrer a toda a família, aos amigos, vizinhos e instituições de caridade para mitigar as dificuldades. Uns dão as roupas dos primos, os sapatos do vizinho, a cama do conhecido…

Mas a vida duma criança não é apenas garantida pela satisfação das necessidades fisiológicas. Quando crescer os seus pais querem que tenha uma boa educação, uma boa saúde e acima de tudo que seja feliz. Para isso é necessário… dinheiro. E para que os pais o tenham é necessário que estes tenham um trabalho regular dignamente remunerado.

Contudo, hoje não há trabalhos remunerados regulares. A vida vive-se no fio da navalha. Ganha-se durante uns meses e é necessário poupar para os meses em que não haverá rendimento. As despesas, essas não desaparecem.

As crianças dos nossos subúrbios crescem sem estarem em contacto com os seus progenitores, pois estes têm de se desenvencilhar com dois ou mais trabalhos para fazer frente às necessidades da família. Muitos saem de casa às seis da manhã para chegarem às oito ou nove da noite a casa. Que tempo têm eles para dedicar aos seus rebentos?

As crianças frequentam escolas superlotadas dominadas por gangs enquanto os professores são vistos como parte da paisagem (pelo menos os mais afortunados). A função das escolas tende a ser vista cada vez mais como um depósito para ocupação dos jovens em vez terem a sua primordial e essencial função que é (para quem não sabe) ensinar e preparar os jovens para a vida.

Quando uma criança adoece não tem médico de família, os centros de saúde estão cheios e há que recorrer ao hospital onde se gasta, pelo menos, um dia à espera de ser atendido – mas é evidente que com uns meros 75 euros o médico privado também é uma solução, ao mesmo tempo que lá se vai o dinheiro reservado para o pagamento do gás e electricidade.


Não existem espaços de brincadeira, não há jardins, não há campos de jogos, não há pistas de bicicletas. As crianças entretêm-se em casa a ver televisão e a jogar.

As exigências da vida actual aos indivíduos e as dificuldades postas às famílias conduzem obviamente à limitação de nascimentos. Não, não é egoísmo das pessoas ou dos portugueses em geral. É ser realista. É querer dar aos filhos, no mínimo, o mesmo que se recebeu quando se era criança. É ter disponibilidade para os acompanhar e ajudar a formarem-se como pessoas. Quando existem condições sociais, de emprego, de estabilidade económica e financeira, de manutenção das aspirações das pessoas nas carreiras, os filhos surgem. Veja-se os casais de emigrantes portugueses em França ou na Suíça.

Não são os incentivos monetários, como se faz na Alemanha, que levam os casais a ter mais filhos. As mulheres hoje querem ter filhos sim, mas também querem estar integradas na sociedade e nos seus trabalhos e carreiras profissionais. Quando se dá um subsídio para a mulher ficar em casa para ter filhos isso é limitar-lhe a sua capacidade como cidadã e como pessoa. As mulheres são mais do que meras parideiras, já provaram e continuam a provar isso. É patética toda a pressão para que as mulheres voltem à “esfera do lar” pois essa configuração social já não faz sentido, pelo menos para a esmagadora maioria das mulheres (que representam cerca de 50% da população portuguesa). E não nos devemos esquecer que essa foi uma das conquistas do século XX em Portugal e as mulheres não vão abdicar dela.

Como nascerão mais portugueses? Cada um sabe o que pode e deve fazer.


sexta-feira, novembro 30, 2007

Os Putos


Dedicado ao nosso desgoverno

terça-feira, novembro 27, 2007

É Só Fachada

Foi desprezível ver o Primeiro-ministro acompanhado dum batalhão de jornalistas a visitar a família do soldado português que morreu num acidente de viação no Afeganistão. O gesto bonito, como o que seria o do chefe do governo apresentar pessoalmente as condolências família enlutada, foi vilipendiado em favor de propaganda dum politiqueiro barato.
Contudo, José Sócrates perdeu a oportunidade de transformar Sérgio Pedrosa – assim se chamava o soldado – num herói morto por uma causa superior. Mas não. O jovem soldado teve a morte mais prosaica que existe em Portugal: o acidente de viação. A sua morte, ocorrida a milhares de quilómetros de distância, poderia ter-se dado numa qualquer estrada nacional, no que seria mais uma das centenas que anualmente marcam a guerra civil portuguesa.
Assim, a sua morte, ocorrida numa missão totalmente destituída de sentido, foi completamente inútil, ainda mais do que se tivesse ocorrido por acção inimiga.
Este é o governo que temos e estas são as forças armadas com que nos pavoneamos.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Gostei de Ler


Pelo Correio

Dizem os americanos:

"We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."


Respondem os portugueses:

"We have José Sócrates, no wonder, no hope and no cash."

Sermão Dominical (com delay)



via Womenage a Trois

sábado, novembro 24, 2007

Porque hoje é sábado



Nicolo Paganini, Moto Perpetuo, por Yehudi Menuhim

Uma prova de fogo só ao alcance de alguns.

sexta-feira, novembro 23, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

GNR «esmurra» grevistas

Vamos a ver se os nossos sindicalistas entendem de uma vez por todas o que é a liberdade.

Em países livres como o são as democracias, existe o direito à greve.
Em países livres como o são as democracias, também existe o direito a não fazer greve.

Neste tipo de estados, ninguém pode ser proibido de fazer greve, como também ninguém pode ser obrigado a fazê-la.

Se há violação da liberdade individual quando se proíbe a greve, o mesmo acontece quando se é obrigado a fazê-la.

Em resumo: a liberdade de uns não pode ser a sujeição de outros.


Aguarda-se agora a outra versão dos factos.

domingo, novembro 18, 2007

Sermão Dominical

Não desejarás a mulher do teu próximo (sem te certificares do que está mais próximo).

Ex. 20, 17 (ed. revista e melhorada)


sábado, novembro 17, 2007

Informação para a ERC

Este blogue não tem "Conteúdos sujeitos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente", pelo que não se encontra sob a vossa alçada.
Contudo, sem abdicar da liberdade de expressão, submete-se de bom grado às leis e órgãos superiores da República quando estes últimos legitimamente agirem no quadro constitucional vigente.

Feito este interlúdio, podemos voltar ao avacalhanço.

(Informação via serviço público do Arrastão)

Glitch no Criacionismo


Cadafi quer acampar em Lisboa

O presidente líbio quer fazer campismo em Lisboa e o estado português quer fazer-lhe a vontade.
As nossas fontes geralmente mal informadas confidenciam-nos que agora é o Mugabe a querer uma cagadeira de ouro e que o rei de Marrocos quer o palácio da Ajuda só para si, mas sem o Hermitage - consta também que quer assar uns cordeiros na biblioteca.
Os serviços do protocolo de estado temem agora que outras delegações venham com outras exigências pelo que já solicitaram às autoridades espanholas e madeirenses a disponibilização de espaços, antecipando-se assim qualquer eventualidade.
O Conselho de Ministros e o Conselho de Estado reunir-se-ão brevemente para decidir sobre a invocação do direito de aposentadoria, tendo pedido para o efeito um parecer ao Tribunal Constitucional.

Porque hoje é Sábado

River Chimp

segunda-feira, novembro 12, 2007

Vozes de burro

Gabriel Drumond, deputado do PSD à assembleia regional da Madeira, numa tirada digna de compêndio de imbecilidades afirmou que se a República não se vergar à sua chantagem o parlamento regional deverá proclamar a independência.

Sendo eu mais democrata que qualquer um dos dirigentes madeirenses e um acérrimo defensor da democracia directa, proponho um referendo imediato da questão. Mas quero um referendo nacional, não se vá correr o risco dalgum dos pobres degredados naquele escolho atlântico querer continuar a ser português e a ter tais caciques a envergonharem-nos constantemente.


(Foto DN)

Gostei de Ler

sábado, novembro 10, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

A quinta linha da página 161 do livro mais à mão

Não gostaria de ser um quebra-correntes, por isso resolvi continuar a 5ª da 161ª, proposta pela Shyznogud do Womenage A Trois.
Não é a 5ª essência, mas é o que se arranja.

Estou a ler Uma História de Amor e Trevas de Amos Oz cuja quinta linha da página 161 é o seguinte:


Ouvia sempre as palavras terríveis "al teza-ken" (não envelheças).



Esta é a parte mais fácil. Agora resta passar a batata quente a:
Blogador
Vladimir da Lapa
Notas ao café
O Piolho da Solum
O Jumento

Afinal já sei o que vou postar hoje

Andava prá’qui a matutar que devia postar qualquer coisita qu’isto anda um bocado pró morto e eis quando a Shyznogud me lança um desafio: abrir um livro ao calha e transcrever a 5.ª linha da página 161.

Estou enterrado em papel. Entre livros, revistas e folhas soltas a sorte cai em segunda escolha (a primeira era uma seriação de topónimos) na Reformação da Milícia e Governo do Estado da Índia Oriental de Francisco Rodrigues da Silveira e a frase, saída das profundezas do século XVII, não podia ser melhor.

«excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-»

Respondido ao desafio, aproveito para dar a frase completa:

«De maneira que temos [em Portugal] muy excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-sse e porem-se por obra, de qué nos servem, ou como se podem chamar boas leys aquellas de que se não tira proveito algum?»

Passo o repto a: Puro Arábica (e vão três), Rei dos Leittões (se é que lê alguma coisa…) e Maria… que eu sei que lê!

sábado, novembro 03, 2007

Público, só para alguns

O texto de Leonor Pinhão e o comentário de Miguel Abrantes sobre o usufruto abusivo do património do Estado lembrou-me que tenho em casa bens que outrora foram duma instituição pública.
Não, não cometi nenhum crime. Não tenho um trono em casa. São, sim, duas boas cadeiras de escritório em madeira maciça por mim recolhidas do lixo dessa instituição quando esta, cheia de dinheiro para esbanjar, as substituiu por novos assentos de material compósito e desenho moderno. Um pouco de lixa fina e Bondex deixou-as como novas. Aliás, estão agora em melhor estado do que as suas substitutas mais novas mas de qualidade incomensuravelmente inferior.
Outras histórias, bem mais graves, me ocorrem sobre os desmandos a que está sujeito o que é de todos nós. Por exemplo, qualquer representação portuguesa no estrangeiro pode requisitar aos museus peças em depósito para decorar as suas instalações e assim dignificar a representação do Estado. Anos depois ninguém sabe onde param essas peças, nem os museus, nem as embaixadas, nem pessoa alguma. Resultado: o que era público foi anonimamente privatizado. Um outro tipo de situação demasiado frequente passa-se quando um dirigente ou alto funcionário requisita, e bem, para o seu trabalho uma determinada peça ou documento públicos e depois nunca mais os devolve à proveniência e quando solicitado para o efeito ainda fica ofendido, acabando esse bem por se extraviar quando mudam as pessoas envolvidas ou se dá uma das inúmeras reformas que a nossa administração pública é fértil sempre que muda um governo ou uma direcção.
Neste país, onde as instituições se confundem com as pessoas que estão à sua frente, é frequente os dirigentes e funcionários das mesmas considerarem-nas como propriedade sua. Daí até passarem a usufruir dos bens dessas instituições vai um pequeno passo, chegando ao ponto de se negarem a cumprir as suas obrigações para com o cidadão que a elas recorre.
No meio de tudo isto ninguém é responsabilizado ou alguém ainda se lembra do episódio das jóias do Palácio Nacional da Ajuda?

Porque hoje é sábado II



Bach, Concertos de Brandenburgo, N.º 3 (BWV 1048),
pela Orquestra Barroca de Freiburgo

Porque hoje é Sábado

sexta-feira, novembro 02, 2007

A falta de cultura histórica de comentadores da actualidade


Já se sabe que Pedro Arroja adora a sua Igreja; que venera o papa, considerando-o expoente máximo de cultura e sabedoria e só diz bem das actividades católicas. A maior parte das suas participações no Portugal Contemporâneo destinam-se a doutrinar os seus leitores, parecendo estar numa missão evangélica ou catequizadora. Portanto, não é de estranhar que sejam muito raras as minhas visitas ao seu espaço.
Todavia, soube através do Womenageatrois que um dos últimos textos de Pedro Arroja falava sobre os judeus e intitula-se Na massa do sangue. Um título assim prometia... sangue, por isso lá fui ver e não me desiludiu. Lá estava uma repescagem do velho libelo anti-semita: os judeus são tão maus que foram expulsos de tudo o que é lado; intrometem-se; fazem pressões e quando entram em qualquer lado tendem a dividir. Como contribuição adicional para este rol (dou-lhe o mérito de ser sua), subtilmente leva-nos a pensar que a canonização de 498 mortos da Guerra Civil Espanhola foi a causa da reunião de dirigentes judeus em Madrid para lembrarem os mortos da Inquisição espanhola.
E induz-nos de seguida a associar isso, de forma subtil porque não está escrito, com o facto de se ter levado à discussão da Assembleia Municipal de Lisboa a ideia de se mandar erigir um monumento em memória da intolerância religiosa, mas que tem por base o assassínio de milhares de judeus em 1506 em Lisboa.
Pedro Arroja chega a afirmar que foi na Península que os judeus foram melhor acolhidos ao longo da sua história! Esquece obviamente os massacres, os baptismos à força, a retirada das crianças judias aos seus pais para forçar a sua conversão, o exílio de muitas crianças para S. Tomé, a escravatura de quem negasse tornar-se cristão, e depois de se terem convertido a Inquisição e a mentalidade inquisitorial e pidesca de que ainda sofremos. Chama-se a isto um tratamento de príncipe.

A ignorância histórica não fica por aqui. Até nas datas o senhor professor Pedro Arroja erra, confundindo um qualquer acontecimento de 1521 com a data de expulsão de Portugal dos judeus que se deu em 1496 e 1497 (a lei é de 1496 com efeitos a partir de 1497).
O seu conhecimento bíblico também não é forte, pois se tudo está na massa do sangue, como diz, então isso também passou para o cristianismo. Jesus e os seus primeiros discípulos eram, ao que consta, judeus.
O interessante é pensar que os cristãos veneram (adoram[?]) várias pessoas que eram judeus e têm um livro que passa o tempo a falar de judeus. Irónico, não é?

segunda-feira, outubro 29, 2007

Simplesmente genial


Achmed The Terrorist - Watch more free videos

Da blogosfera


Pelo correio

- Meu filho, quais são os seus pecados?
- Padre, eu comunguei há três anos.
- Ok, meu filho, e quais são seus pecados?
- Eu comunguei há três anos.
- Está bem meu filho, eu sei que você comungou há três anos. Isso não é pecado! Conte-me os seus verdadeiros pecados...
- Padre, estou lhe dizendo: EU - COMO - UM - GAY - HÁ - TRÊS - ANOS

(Autor desconhecido)

domingo, outubro 28, 2007

sábado, outubro 27, 2007

A votação do tratado europeu

Terminou agora a nossa votação para saber se os nossos leitores querem ou não um referendo ao novo tratado europeu. A afluência à urna não foi grande mas foi de qualidade – tal como nos dias que correm em que os votos de poucos valem mais que os dos muitos.
Computados os votos no Excel, o resultado final é:
Total de votantes: 12
Sim: 66,66%
Não: 25%
Eles é que sabem: 0%
Tratado, qual tratado?: 8,33%

Daqui se conclui que Eles não sabem, logo a decisão deve ser entregue ao povo.

Concluído isto, passe-se à próxima grande questão e sobre matérias mais prementes: A defecação canina nos espaços verdes urbanos. Tal como a outra, a votação decorre ao lado.

Porque hoje é Sábado, versão humorística


Directly from Rabo de Peixe, Azores

Porque hoje é Sábado



Um Zorba muito especial

quinta-feira, outubro 25, 2007

Novas tecnologias... velhas mezinhas

Gostei de ler


Para que no futuro estes números tenham maior rigor, estas escolas terão de admitir no seu corpo discente e na mesma razão os mesmos alunos que fazem descer as médias de todas as outras escolas.

terça-feira, outubro 23, 2007

Os Iluminados (3)

Gostei de ler O Referendo do Tratado 1 de José Luís Malaquias, compreendo-o e até concordo com toda a análise que faz. Contudo não posso concordar com a conclusão.
A democracia directa, em sociedades pouco cultas, presta-se à demagogia e ao voto com os pés, em vez de se votar em referendo no que realmente está em causa.
No entanto, numa democracia representativa como a nossa quem vota as leis presta-se à carneirada: os nossos deputados votam no que lhes mandam votar, frequentemente sem consciência e ao arrepio dos interesses dos seus eleitores.
No caso os deputados dos dois maiores partidos nem têm mandato para aprovarem o presente tratado europeu, já que os programas dos seus partidos propunham claramente o referendo desta matéria.
Agora, se se teme a ignorância do povo, a manipulação demagógica e o voto de protesto, os iluminados (por oposição aos ignorantes) que nos governam e representam devem instruir o povo para que este verdadeiramente compreenda o que está em causa – a isso chama-se campanha –, pois se o povo pode ir atrás das suas demagogias quando se trata de escolher quem o governa, também é muito bem capaz de escolher se quer ou não submeter-se a este tratado.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Gostei de ler

Pacheco Pereira: O Tratado que se chamará de Lisboa

Está lá tudo, só faltou dizer claramente que isto vai acabar muito mal.

Os Iluminados (2)

Estão na moda afirmações elitistas do género:

Os que defendem o referendo sobre o Tratado de Lisboa já experimentaram lê-lo? E acham que algum cidadão comum consegue passar da segunda página? Não será tempo de deixar de brincar aos referendos?

Pergunta-se, então:

Os que defendem as eleições para a Presidência da República, para os parlamentos nacional e regionais e para as autarquias já alguma vez experimentaram ler os programas eleitorais dos concorrentes a essas eleições? E acham que algum cidadão comum consegue passar da segunda página?

Não será tempo de deixar de brincar às eleições?

sábado, outubro 20, 2007

sexta-feira, outubro 19, 2007

quarta-feira, outubro 17, 2007

terça-feira, outubro 16, 2007

Blog Solidário – agradecimento – retribuições


JN, de Notas ao Café, um dos meus blogues preferidos, atribui-nos o prémio Blog Solidário instituído pelo BohemiaMar, o que muito nos sensibiliza e agradecemos, embora tardiamente.
Já tínhamos sido contemplados com a mesma distinção pelo Tudo a Norte, agora cabe-nos agora escolher 7 (x2) outros, tarefa ingrata por ter de deixar de fora muitos mais que por esta ou aquela razão também achamos merecedores, além de podermos ser acusados de amiguismo, de manteigueiros ou de impertinentes. Mas como não é pedida a justificação das atribuições aí vão elas:
Blasfémias; Blogador; Filhos de um Deus Menor; Jumento; Ladrões de Bicicletas; Maria; Piolho da Solum; Portugal Contemporâneo; Puro Arábica; Rei dos Leittões; Toca do Túlio; WeHaveKaosInTheGarden; Womenage a Trois; Zero de Conduta.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Os Iluminados

Sérgio Sousa Pinto, eurodeputado do PS, manifestou hoje na RTP2, e mais uma vez, a sua descrença na capacidade do povo entender, e portanto votar, questões complexas como a Constituição Europeia, agora dita de Tratado Reformador Europeu.
A propósito das asneiras deste senhor deputado já aqui me tinha manifestado, apontando para o facto do povo (burro) o ter eleito (inteligente) para o representar. Mas um mérito tem este senhor deputado: diz o que pensa, enquanto outros, sem o dizerem, agem como ele quer agir.
Eles – e aqui uso o tradicional ELES – fazem o que querem porque se julgam iluminados; o povo (ignaro) deixa-os fazer o que querem, pois ELES é que sabem – são uns iluminados.


Não queria recorrer à falácia nem à comparação histórica fácil, mas cada vez mais todo este processo se assemelha à tomada do poder por D. Filipe I: comprou a elite que se alimentava das rendas nacionais e depois foi só agarrar a Coroa enquanto o povo era forçado a aplaudir a sua entrada.
Agora nem quero mencionar como tudo isto acabou, só relembro que não foi bonito de ver, e mais uma vez foi o povo (estúpido) que deu o corpo ao manifesto.

sábado, outubro 13, 2007

Mais um dia 13 mais uma sessão SM

Quando o Vaticano pôs em águas de bacalhau o processo de santificação dos pastores de Fátima; quando a ciência afasta cada vez mais as explicações milagrosas da realidade e quando se pensava que a razão se tornara no guia do homem, eis quando em Fátima se inauguram novas instalações, maiores, mais impressionantes, mais caras, mais tudo: um negócio que continua de vento em popa e a fazer os vendilhões do templo continuarem a somar.


Prospera este local explorando a crendice popular que tem de ver, estar, tocar e comprar para sentir que é acolhida pelo divino. Um divino que ninguém responsável nega poder comprar-se com promessas de pagas em sacrifícios de dor e de ouro. Um divino que se diz único mas que só actua por mediação dum clero, dos santos e de toda uma panóplia de entes celestiais, qual monarca oriental absoluto, despótico, intocável e inacessível. Um divino apresentado como interesseiro, vingativo e egoísta e que exige de ser amado, adulado, glorificado e temido, precisamente aquilo que se diz serem defeitos que garantem a condenação eterna aos seus seguidores.
Que deus único, omnipotente, omnipresente e omnisciente, bondade e amor e todos os mais atributos de bem, é este que necessita de tudo isto?
Será que os sacerdotes e os demais crentes não vêem estas contradições, ou estarei a ser racional?

Porque hoje é Sábado



Joly Braga Santos, Sinfonia 4, IV, Orquestra Sinfónica Nacional da Irlanda, maestro Álvaro Cassuto
Poemas de Fernando Pessoa, Mensagem.


Matisyanu, Jerusalém

quinta-feira, outubro 11, 2007

Por um Senado Europeu


O novo Tratado fixa um limite de 750 eurodeputados, contra os actuais 785 e estipula um número mínimo de seis representantes e um número máximo de 96 por cada Estado-membro.


A União Europeia tem cada vez mais estados membros; a população da União é cada vez maior e os deputados europeus aprovam a diminuição dos seus efectivos. Ninguém quer um Parlamento Europeu género Assembleia Nacional Popular, com muita gente mas sem poder algum, mas assim também não se vai a lado algum.
A fórmula da «proporcionalidade degressiva» dando um máximo de 96 deputados ao estado mais populoso e o mínimo de seis deputados aos estados menos populosos parece boa em princípio. Só que não é pois deixa de servir bem a partir do momento em que mais países aderirem à União levando inevitavelmente à diminuição do número de representantes de todos os restantes estados que se situarem entre esses limites.
Este compromisso é aceitável para já, mas deixará de o ser em futuros alargamentos, principalmente quando entrarem países populosos como a Turquia, para além dos estados balcânicos, da Noruega, da Suiça, da Ucrânia e até mesmo dos países do Cáucaso. Nesta altura, a relação de forças alterar-se-á drasticamente e só poderá encontrar algum equilíbrio justo com uma segunda câmara no Parlamento, um senado que represente estados em pé de igualdade independentemente dos seus efectivos populacionais, dimensão territorial ou importância económica.
Torna-se deste modo claro que o novo tratado europeu deveria já contemplar um senado com três ou quatro senadores por país. Qualquer norma, directiva ou decisão europeia para poder ter validade deveria ser aprovada pela maioria simples ou qualificada (dependendo das matérias) de cada uma das câmaras.
Neste quadro, a Comissão e o Conselho perderiam muitos dos seus poderes, tanto para os parlamentos nacionais como para o (verdadeiro) Parlamento (bicameral) Europeu.

terça-feira, outubro 09, 2007

A Europa Morreu


A Europa morreu, só falta enterrá-la, o que está para breve.
A União Europeia foi um passo em frente para justificar a existência duma entidade supranacional que começava a não ter qualquer utilidade no mundo do comércio livre que se foi estabelecendo com o triunfo das doutrinas neo-liberais. Se a CEE era uma área de comércio livre onde as economias dos diferentes países que a compunham podiam competir livremente entre si ao mesmo tempo que se protegiam de todas as outras, já a UE não tem qualquer utilidade nessa área pois todo o mundo é um mercado livre, ou para lá caminha a passos largos. Surge assim a ideia da criação duma Europa social e política, algo anteriormente unicamente sonhado pelos fundadores desta ideia, como modo de manter unido todo um conjunto de países e nações historicamente inimigos na persecução coesa de objectivos comuns.


Ora aqui é que reside o busílis do problema: o que durante dois mil anos dividiu estes países e nações é o mesmo que os continua a separar. Uns querem sobrepor-se aos outros e os objectivos de uns não são necessariamente os de outros. No passado os conflitos de interesses acabavam em último caso, e frequentemente, dirimidos no campo de batalha. Hoje quer-se uma União Europeia para que a guerra não volte a ser o instrumento de resolução das discórdias.
Mas até para isso a União Europeia é inútil. No quadro das relações internacionais existem outros organismos multilaterais onde o conflito pode ser resolvido – organismos esses que, funcionando muito mal e tardiamente, têm, apesar de tudo, funcionado muito melhor que a União Europeia. É o caso das Nações Unidas e da OTAN.
O que hoje existe na Europa pode continuar a existir sem uma união formal.
Os subsídios podem continuar, tal como a livre circulação de pessoas e mercadorias. Tratados bilaterais ou multilaterais podem assegurar isso, sem que para tal seja necessário uma burocracia e espaços físicos onde se reúnam burocratas.
Uma Europa a várias velocidades será tudo menos uma união, antes pelo contrário, será o que sempre foi: cada um a tratar da sua vida.
Para que se quer uma constituição política se os estados não se entendem em matérias fiscais ou de política externa, privilegiando cada um os seus interesses tradicionais, pouco se importando com os consensos ou com as sensibilidades particulares de um dos seus membros mais fracos?
Que cidadania europeia se quer construir se se recusa a participação aos cidadãos no acto constituitivo dessa mesma cidadania?
Não se está perante as mesmas seculares políticas em que os príncipes punham e dispunham dos estados e nações sem se importarem com os indivíduos?
Não se está a pôr fim à própria democracia?

A Europa morreu e o tratado constitucional prepara-se para ser o seu coveiro.


segunda-feira, outubro 08, 2007

Um basbaque qualquer



Toda a gente tem coisas na vida que gostaria de esquecer e, sobretudo, que ninguém se lembrasse delas. Este vídeo do jovem Durão Barroso deve corresponder a um desses momentos da vida e daí, talvez, a censura que subitamente se abateu sobre o assunto.


Esta peça da mais pura imbecilidade tem sido afixada por todo o lado e deve ser um dos vídeos mais vistos do YouTube. Haverá neste fenómeno causas voyeurísticas ligadas ao simples gozo de ver um dos homens tidos como dos mais poderosos do mundo a fazer figuras tristes, mas também haverá quem o veja e o apresente tal como se vê ou se apresenta um documentário sobre vida selvagem ou de etologia animal na esperança de aprender como se sobrevive na selva em que o nosso mundo se está cada vez mais transformando.
Seja porque razões forem, este vídeo é tanto um documento histórico dum dos períodos mais rascas do nosso passado colectivo (sem segundas leituras) e uma prova de como é possível a um indivíduo mudar de ideias com o passar do tempo. Para que não restem quaisquer dúvidas, deixo aqui a advertência de não querer cometer a injustiça de fazer avaliações do carácter de alguém dizendo que o vídeo ajuda a provar que há pessoas capazes de seguirem todas as correntes ideológicas dominantes independentemente da passagem do tempo, mantendo-se assim sempre colados à última moda.
Houve já quem fizesse a exegese do discurso do jovem Barroso. Trata-se dum exercício academicamente interessante já que não é todos os dias que se tem a possibilidade de fazer o nada em algo, de tornar o vazio no cheio, ou das trevas extrair luz. Estas declarações públicas àquilo a que se podia chamar então com grande liberdade artística um órgão de comunicação social existiram e não podem ser escamoteadas. Afinal, bem vistas as coisas as ideias profícuas desses anos escaldantes germinaram e novos espíritos iluminados foram criados como bem mostram os media de hoje nas suas telenovelas diárias da vida real, sem que, graças à luta popular anti-burguesa, haja quem os censure.

domingo, outubro 07, 2007

Blog Solidário



O Né do Tudo a Norte agraciou-nos com o prémio Blog Solidário.

Desde já agradecemos tão honrosa distinção. A lista dos felizes contemplados será publicada depois duma ronda negocial entre os artistas desta baiúca.

Um bem haja Né.






Sermão dominical

sábado, outubro 06, 2007

sexta-feira, outubro 05, 2007

Viva a República!

- Porque sou republicano?


- Sou republicano porque o meu filho poderá um dia ser Presidente da República, mas nunca poderá ser rei!


quinta-feira, outubro 04, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

Telhados de Vidro

O Reino Unido, país que tem querido dar lições de processo penal e investigação criminal a Portugal, está a braços com uma vergonha política e processual de todo o tamanho.
Depois de estupidamente Tony Blair ter enfiado o país no atoleiro do Iraque e de ter entregue a resolução da barafunda aos militares sem lhes dar os meios humanos e materiais necessários, quando as coisas começaram a descambar e já não havia maneira de ludibriar a opinião pública com mentiras que se desfaziam como bolas de sabão, houve a necessidade de encontrar bodes expiatórios para satisfazer as massas e alijar a culpa. Vai daí o aproveitar dos abusos cometidos sobre prisioneiros iraquianos para a catarse que se impunha e promover a reconciliação dos políticos com os seus eleitores. Só que, em vez do antigo dizimar da legião, optou-se por um método mais barato, mas não menos estúpido, escolhendo-se um dos oficiais mais respeitados e distintos para a imolação que deveria aplacar os deuses.
A sorte coube ao Cor. Jorge Mendonça, MBE, DSO, que assim é acusado e julgado em tribunal militar por incompetência e crimes de guerra, meses depois dum prisioneiro iraquiano ter sido morto por homens sob o seu comando. Não me vou alongar na história que pode ser lida aqui e aqui e pesquisada na Net.
Para além de todo o drama humano e do exemplo que nada de novo traz sobre o modo como os estados maltratam os seus soldados, esta história é modelar – embora sem constituir novidade histórica – no que ao comportamento dos políticos diz respeito.
No pântano que se tornou a matéria dos direitos humanos no Iraque, um militar teve a consciência de estar muito perto dos limites do admissível ou que estava mesmo ir além do que quereria e a sua consciência autorizava. Contudo, por imposição política superior – nível do poder a que os militares se sujeitam indiscutivelmente a bem da própria sociedade que visam defender – e de consciência tranquilizada pelos detentores do saber jurídico quanto à legitimidade dos actos de que é encarregado, acaba por agir o melhor que sabe, com os meios que dispõe, executando o mandato com diligência e a humanidade possível num ambiente infernal.
No fim, descobertos, os políticos assustam-se, mostram as suas qualidades morais e fazem aquilo em que são melhores do que todos os outros: sacodem a água do capote, lançando as culpas sobre outrem.
Estivesse o processo da menina britânica desaparecida a ser conduzido pelas autoridades portuguesas com a mesma qualidade com que as britânicas conduziram o processo do Cor. Mendonça e, neste momento, já teríamos sido invadidos por sermos considerados pela impressa e pelos políticos ilhéus como um estado falhado.

segunda-feira, outubro 01, 2007

No Dia Mundial da Música...

... não há como ser nacionalista.



Carlos Seixas

Cidadãos com deficiência

Filipe Tourais do País do Burro sugeriu aos participantes desta página manifestarmo-nos contra a retirada de benefícios fiscais aos cidadãos portadores de deficiência. Obviamente que não posso falar em nome de todos os redactores da Arte mas posso e devo dar a minha opinião.
Quem conhece as grandes dificuldades que os deficientes portugueses enfrentam no dia-a-dia só pode estar de acordo com as suas reivindicações, no entanto coloco algumas reticências como é neste caso a retirada dos benefícios fiscais. Porquê? Porque tenho ouvido umas histórias de fraude e de pessoas que beneficiam de bens e condições alegando terem uma determinada percentagem de deficiência, quando de facto a não possuem. São geralmente pessoas com rendimentos acima da média e assim abusam do bom princípio que estava por detrás da criação de tais benefícios.

A maior parte dos deficientes (desculpe-me quem não gosta da palavra) que eu conheço vive de forma modesta, tem muitas necessidades e são as suas famílias que lhes garantem o seu bem-estar. Só muito raramente beneficiaram ou beneficiam dos tais “benefícios fiscais”. Não ganham o ordenado mínimo e portanto não pagam impostos. A pergunta que eu faço é: e que tal garantir uma integração plena na sociedade e no mundo do trabalho em vez dos benefícios fiscais que apenas beneficiam alguns?
Não é preferível garantir um trabalho remunerado digno? Dar a possiblidade de se deslocarem livremente? Permitir subir uma escada, ir à casa-de-banho, habitar uma casa sem bater nas paredes, ficar entalado nas portas ou chegar aos armários da cozinha?
E isto para falar do interior das residências, porque toda a gente sabe estarem os passeios ocupados com carros, publicidade, caixotes do lixo, postes, buracos, etc. Se depois disto os deficientes insistirem em circular pelas nossas ruas ainda correm o risco de serem atropelados, caírem por escadas ou ribanceiras. Os edifícios públicos, que legalmente têm de estar adaptados com estruturas que facilitem a vida a estes cidadãos não têm rampas de acesso, casas-de-banho, elevadores adaptados. Quando, excepcionalmente e por exemplo, têm rampas só as cadeiras de rodas com turbo as podem ascender...
O grande problema dos cidadãos portadores de deficiência é a falta de integração embora façam parte integrante da sociedade. Quem é que está disposto a empregar deficientes? Poucos. Se formos a ver só algumas instituições públicas como a Biblioteca Nacional de Lisboa ou o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.
Como podemos garantir o princípio da igualdade de todos os cidadãos se nem sequer aceitamos, imaginemos, uma telefonista em cadeira de rodas? Por acaso quem não consegue andar está incapacitado de mãos e cabeça? E quem tiver uma deficiência auditiva não pode ser empregue numa casa de fotocópias?
Se a sociedade se baseia na hierarquização feita a partir das profissões das pessoas em que lugares ficam aqueles que não podem fazer nada porque ninguém os aceita como seus empregados?
De acordo com um ditado oriental: não dês o peixe, ensina-o a pescar.

Objectivo: Birmânia




Na Birmânia sobrevive uma daquelas muitas ditaduras que ainda infestam o nosso mundo.
A descoberta recente de jazidas de gás natural ao largo de Aracão veio dar ao governo militar meios financeiros para reforçar o seu poder e aumentar a repressão e os abusos cometidos sobre a população, como evicções de terras e uso de trabalho forçado se não mesmo escravo.
Os milhões que empresas chinesas, francesas, russas, coreanas, indianas, tailandesas, japonesas e sabe-se lá que mais têm dado, justificam e facilitam essa repressão como nas últimas semanas se tem visto na comunicação social internacional.
Contra isto resta a boa consciência pública mundial e pouco mais.
Não serve para nada mas há inúmeras iniciativas por aí, sendo uma delas este abaixo-assinado que pretende atingir os 500 mil assinantes e ao qual cheguei via Arrastão.

sábado, setembro 29, 2007

Porque hoje é sábado



Manuel de Falla, O Amor Bruxo, pela Filarmónica de Colónia

sexta-feira, setembro 28, 2007

Pelo fim do directo da treta

O Boss do Renas propõe o fim dos directos idiotas ou da treta, como prefiro chamar-lhes.
Aplaudo a iniciativa embora ache que vai dar em nada porque aquela gente ainda não descobriu que a grande maioria dos potenciais espectadores anda por outras paragens que não os deles.
Pela minha parte, sempre que consigo deitar mão ao telecomando, é zapping até fartar assim que iniciam um dos seus intragáveis directos, acabando frequentemente a ver a BBC, a CNN ou até mesmo a Sky News ou a Al Jazeera. Tudo menos os noticiários portugueses.


Imaginem um livro de História onde em vez dos factos e das explicações necessárias à compreensão dum dado assunto estivesse tudo o que o historiador leu nas bibliotecas – era um historiador incompetente, não era?
Imagine-se agora que um advogado chega a tribunal e despeja em cima da bancada do juiz tudo o que de relevante e irrelevante tem sobre um processo – qualquer magistrado sentenciava de imediato a favor da outra parte, não era?
E o que faria o director de informação de qualquer um destes canais portugueses se fosse ao médico e este lhe atirasse para o colo com o simpósio terapêutico e lhe dissesse, «o seu padecimento está descrito algures entre a página 10 e a 1500. Procure-o!» – levaria, na volta, com o calhamaço nos cornos, não é?
Pois é o que a mim me apetece fazer sempre apanho com um directo irrelevante no meio dum noticiário.
Pago através da publicidade que me impigem e através das taxas e das rendas que me extorquem os serviços noticiosos das televisões portuguesas. Pago assim aos jornalistas para tratarem a informação diária de acordo com os bons critérios ensinados nas universidades, nos livros e aprendidos na boa prática da profissão. Não sou uma besta na manjedoura a comer a palha que incompetentes me atiram.
Não quero ser bombardeado a toda a hora com o jogo que vai acontecer. É ridículo, é atroz, ver um chouriço a dizer que acabou de chegar o autocarro da equipa de Alguidares-de-Cima ou que o Bushilson foi sujeito a uma sondagem rectal e por isso está em dúvida para o jogo dali a nove semanas e meia. Às vezes nem quero saber os resultados dos jogos, mas é quanto basta num noticiário feito por gente inteligente que respeita o seu público.
Também não tenho pachorra para ver em directo às 20 horas as conferências de imprensa que todos os palermas e associações de malfeitores organizam para evacuarem o ar podre onde medram.
Tenho também muita vergonha – e não sou eu que estou a fazer o papel de triste – pelos jornalistas que estando a falar um orador, se põem a dizer inanidades sobre o que o dito está a dizer enquanto fala; ou então dos que o não o interpelam sobre o que disse ou deixou de dizer, não fazendo as perguntas que deveriam ser feitas e que toda a gente está a fazer em casa.


Desgosta-me sobremaneira o servilismo dos jornalistas quando dão tempo de antena a um qualquer basbaque, mesmo que ministro ou dirigente partidário, sem que isso seja sujeito previamente a uma edição que dê ao espectador o relevante – e se nada houver não é notícia.
Acabando com os directos da treta e passando só o que de importante houver, acabariam as conferências de imprensa e os comunicados à hora do jantar; acabaria o tempo de antena gratuito e, quem sabe, sem bocas foleiras até o clima político melhorasse.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Mentir é pecado


Mozambique's Roman Catholic archbishop has accused European condom manufacturers of deliberately infecting their products with HIV "in order to finish quickly the African people".



Excelência,

Se tem provas do que afirma é sua obrigação de cidadão e de pessoa apresentá-las às autoridades competentes.
Se não tem, cale-se.
Se não é verdade, então está a mentir e isso é pecado!

Dois Pai Nossos e duas Ave-Marias, já!
E não volte a pecar…


Adenda:
Parece que afinal já emendou a mão, mas que disse, disse!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Prémio Visitante - interpolado

Atrasado, como de costume, acuso e agradeço mais uma distinção blogosférica. Desta foram o Rei dos Leittões e a Maria (se mais houve ainda não os descobri, pois as minhas visitas andam um pouco atrasadas).
Grato pela lembrança, retribuo aos ditos e acrescento outros agora (5-10-2007):
Calimera, Espectadora Atenta, Pat, Sofia Bochmann, Paulo Sempre, Blogador, Vladimir da Lapa.

Se algum dos comentadores frequentes ficou esquecido não foi por mal e avise-me discretamente.

A judeo-fobia e os neo-nazis

Já alguém explicou, mas, como sempre, ninguém ligou nenhuma. Quando as crises se acentuam, quando o desemprego aumenta, quando as pessoas deixam de poder pagar as suas contas e quando na vida quotidiana tudo parece correr mal, a origem e os causadores de tudo são... os judeus.
Neste quadro de crise em Portugal ressurgem movimentos minoritários, é certo, mas que conseguem provocar alguma perturbação. Desta vez nem os mortos puderam escapar pois as suas lápides foram vandalizadas com cruzes suásticas (ver aqui, aqui e aqui). Aparentemente, uns jovens que se dizem de extrema-direita foram presos, mas a sua intenção em afirmar a “supremacia da raça branca” face a “raças infectas” (seja lá o que isso for) é o que sobressai.
Os princípios neo-nazis são a defesa da “pureza da raça” mas, ainda estou à espera que alguém me explique o que é isso de raça. Este termo faz-me lembrar o pedigree dos cães, bois, cavalos e outros animais afins que de tanto serem apurados começam a ficar com fragilidades físicas e mentais. Para além disso está-se em Portugal cujo povo se caracteriza pela... miscigenação. Portanto, falar em raça só pode dar azo a umas boas gargalhadas.

Segundo estudos genéticos os portugueses são dos povos com maior percentagem de sangue africano comparado com outros povos europeus. A actual população portuguesa sofreu ao longo de milhares de anos a esta parte um processo de assimilação de povos de origens diversas. O sangue de cada um dos portugueses de hoje contém percentagens de sangue de várias áreas de África (seja berbere e/ou semita ou mesmo de negros), de povos indo-europeus, de eslavos, de tribos e povos autóctones (e até estes vieram de algum lado) ou que migraram das mais recônditas zonas do planeta. Os muçulmanos estiveram na Península durante séculos, tal como os judeus, sendo altíssima a possibilidade de cada um de nós ter sangue dum ou de ambos.

Por conseguinte, os mentecaptos dos neo-nazis portugueses que proclamam a “pureza da raça”, tal como Hitler o fez, vivendo no regime nazi seriam os primeiros a encabeçar as fileiras daqueles a quem o trabalho liberta (Arbeit macht frei). É que com a tecnologia de hoje facilmente se descobririam os traços de sangue arraçado dos himmlerzinhos portugueses, que para além do mais são um bocadinho escuros de pele para se compararem aos lindos moçoilos e moçoilas da “raça ariana”, a raça XPTO e topo de gama.

Uma parábola contemporânea


Mulher agride arrumador com bastão metálico.
Cena de pancadaria teve lugar em plena Avenida da Liberdade.
Uma mulher, armada com um bastão extensível metálico, deu uma ‘coça’ a um arrumador que costuma prestar serviço na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Quando vejo o título parece que temos mais uma notícia de violência doméstica. Mas afinal não, foi só mais um abuso do patronato sobre um trabalhador: o automobilista mandou o capataz dar um correctivo ao empregado.
Mas o Estado de Direito Democrático funcionou: os direitos do trabalhador violentado foram salvaguardados pelo zeloso agente da autoridade e o facínora abusador encontra-se a prestar contas à justiça.



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segunda-feira, setembro 24, 2007

Na Arábia Saudita também não os há

In Iran we don't have homosexuals like in your country*


-Pois não, mataram todos os que não se esconderam no armário!






* Mahmoud Ahmadinejad (3.º a contar da esquerda), o sexualmente inseguro presidente da República Teocrática da Ex-Pérsia, numa conferência em Nova Iorque referindo-se aos Estados Unidos

Em busca do Juvenal e da Carlota perdidos

Há novidades? Ou estão apenas desaparecidos?

domingo, setembro 23, 2007

Sermão dominical



Visto isto, como é que esta pouca-vergonha não havia de ter sucesso?
Penitenciemo-nos pois.

sábado, setembro 22, 2007

... e cadê os outros?

Vi este vídeo pouco tempo depois de ser publicamente divulgado. Eu mesmo reencaminhei o endereço por correio electrónico para, talvez, centenas de pessoas. Contudo, como tudo o que é mediático e como todo o mundo, esqueci-o pouco depois.
Reencontrei-o há pouco num blogue que não tomei nota - as minhas desculpas pela falta de referência - e deixo-o aqui para ser visto por mais alguns.


Discurso de Hillel Neuer, Director Executivo da UN Watch, ao Conselho dos Direitos Humanos da Nações Unidas em 23 de Março de 2007, seguido da reprimenda de Sua Excelência FDP, o Presidente da Comissão.

Porque hoje é Sábado

sexta-feira, setembro 21, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

Da Somália a Darfur

A magnífica banda sonora ali em baixo e o aviso da manifestação para alertar sobre o que se passa no Darfur – e que tão pouca gente reuniu – trazem-me à memória o optimismo que reinava no início da década de noventa, quando se pensava que uma nova e mais justa ordem internacional era possível. Reflectia-se então em voz alta que a soberania dos estados não se podia sobrepor aos direitos humanos dos seus cidadãos e que a comunidade internacional tinha o direito, senão mesmo o dever, de usar todos os meios, inclusivamente os militares, para impor o respeito pelos direitos humanos.
O sucesso alcançado na Segunda Guerra do Golfo, em que a comunidade internacional se uniu como nunca até aí na defesa do direito internacional e dos direitos humanos, coligando-se contra a invasão do Kuwait pelo Iraque, muito contribuiu para a ideia de que outros problemas no mundo se poderiam resolver com o empenho de todos. Dentro desse espírito as Nações Unidas destacaram uma força para a Somália – que como estado deixara de existir e se encontrava a saque por bandos armados enquanto a população definhava na mais profunda das misérias – força essa composta por poucos efectivos e com uma missão puramente humanitária mostrou-se ineficaz, o que levou a que poucos meses depois nova força fosse enviada com maior poder de intervenção. A espinha dorsal desta nova força é o exército americano, o qual chama a si a responsabilidade de capturar os cabecilhas dos bandos, mas com muito pouco sucesso e o fim desta é o narrado pelo filme Black Hawk Down.
O falhanço desta missão em todos os seus objectivos é o balde de água fria que põe termo à euforia que vinha desde a queda do muro de Berlim e da vitória sobre os iraquianos. As nações que verdadeiramente têm poder para pôr alguma ordem no mundo – as potências ocidentais – estão imersas em rivalidades mútuas; não têm vontade política para arriscar as vidas dos seus cidadãos nesse tipo de missões; têm interesses económicos avessos a gastos militares ou têm interesses (ou falta deles) nesses conflitos; são, ainda, sensíveis à possibilidade das suas intervenções serem tomadas por manifestações neo-coloniais ou, pior ainda, por paternalismo eurocêntrico. Por tudo isto, desde então procuraram não mostrar o músculo no que a assuntos do Terceiro Mundo dizem respeito. O resultado é então Bósnia, Burundi, Ruanda... Darfur.
Muitos pirómanos, demasiados fogos e poucos bombeiros.

terça-feira, setembro 18, 2007

Onde estais?

Juvenal e Dona Carlota Joaquina voltem, estão aperdoados!

A comida e as brincadeiras


Desculpem os que vêm à nossa baiuca à procura das pretas, loiras e morenas...
Há algum tempo chamei a atenção para o problema dos transgénicos e nos possíveis e visíveis efeitos nefastos da sua ingestão. Mas, o problema não são apenas estes OGM, o problema alastra-se a outros produtos criados pelo homem em laboratório e que fazem parte da dieta de todos, mas principalmente dos mais novos.
Isto a propósito dum artigo que li na Time sobre a dieta das crianças e sua influência na hiper-actividade, um problema que afecta cada vez mais jovens.
A indústria alimentar, tal como todos os negócios, pretende vender o mais possível e para isso criou laboratórios que têm como função descobrir o que agrada mais a cada povo, faixa etária ou género. Criaram-se intensificadores de sabor, colorantes para tornar os produtos atractivos, os E(nnn) que ninguém sabe o que raio é aquilo. E assim se mascaram produtos que na sua maioria são prejudiciais à saúde.
Mesmo os que dizem ser naturais escondem outras origens que não as por nós pensadas inicialmente. Alguém suspeita que o sabor natural do iogurte de morango é feito a partir da casca duma árvore (acho que do salgueiro) e não dos morangos? É natural, sim senhor, mas da casca.


Bom, para descansar uma amiga minha não estou consumido com isto, mas que me preocupo com a nossa alimentação e com a dos nossos sucessores preocupo e, acima de tudo, chateia-me que façam de nós parvos e estúpidos.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Aquecimento Global

Quem não acredita que aquecimento global é uma realidade, saiba que uma das suas características é a alteração da flora das regiões afectadas. Assim enquanto umas espécies podem desaparecer outras encontram condições para prosperarem em regiões onde até aí não se desenvolviam. Portugal não é excepção.
As provas?
A diminuição das áreas dedicadas à produção cerealífera e o aumento das dedicadas à cultura de liamba.

domingo, setembro 16, 2007

Momento de descontração


Original Sound Track : Black Hawk Dawn.

sábado, setembro 15, 2007

Porque ainda é sábado






Bach, Arte da Fuga, Contrapunctus 14, I, por Glenn Gould


Darfur

logo da campanha Por Darfur


A cada hora que passa mais vidas se perdem, mais mulheres são violadas, mais a fome e a doença se espalham. A comunidade internacional tem sido lenta a reagir a mais este genocídio e, mesmo depois do Conselho de Segurança das Nações Unidas ter votado o envio de tropas para a região, as manobras dilatórias continuam para que tudo continue na mesma.

16 de Setembro é o dia Global de Acção por Darfur. Em Lisboa haverá uma concentração no Largo de Camões às 18 horas. Aí se poderá subscrever uma petição e ficar a par do que se tem passado neste triste território e do que se poderá fazer para tentar pôr cobro a mais esta calamidade.