quarta-feira, novembro 07, 2007

Afinal já sei o que vou postar hoje

Andava prá’qui a matutar que devia postar qualquer coisita qu’isto anda um bocado pró morto e eis quando a Shyznogud me lança um desafio: abrir um livro ao calha e transcrever a 5.ª linha da página 161.

Estou enterrado em papel. Entre livros, revistas e folhas soltas a sorte cai em segunda escolha (a primeira era uma seriação de topónimos) na Reformação da Milícia e Governo do Estado da Índia Oriental de Francisco Rodrigues da Silveira e a frase, saída das profundezas do século XVII, não podia ser melhor.

«excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-»

Respondido ao desafio, aproveito para dar a frase completa:

«De maneira que temos [em Portugal] muy excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-sse e porem-se por obra, de qué nos servem, ou como se podem chamar boas leys aquellas de que se não tira proveito algum?»

Passo o repto a: Puro Arábica (e vão três), Rei dos Leittões (se é que lê alguma coisa…) e Maria… que eu sei que lê!

5 comentários:

Shyznogud disse...

Isso não é uma simples frase, é todo um tratado de caracterização pátria!

Maria, Flor de Lotus disse...

Olá Metralhinha,
É um bom tema para discussão.
A mim parece-me que nos nossos dias Portugal não tem boas leis.
Sobre a execução então vou dispensar-me falar ...
Um bj
Maria

Alexandre Lagoa disse...

A corrente chegou ao Puro Arábica! Muito obrigado, meu caro. Por acaso estou à espera de uns livrinhos que me devem chegar a casa nos próximos dias, e por isso acho que vou guardar a minha parte para quando os tiver na mão.

Alexandre Lagoa disse...

Além do mais, essa frase completa é um verdadeiro portento. Hoje, tal como antes, o que se vê é que o problema dos portugueses não está, nem nunca esteve, em identificar os problemas que têm. O problema só chega realmente quando é preciso resolvê-lo. E se está tanta gente tão pronta a analisar e escrutinar, há tão poucos dispostos a resolver...

João Rato disse...

Leis, portarias, despachos, circulares, faxes, emails, o caos...
Vele mais não ler!Afinal nota-se muito que eu não leio?!
O menino Metralhinha leva tau-tau!
Já tem a resposta do Rei à sua corrente, um remoinho.