Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer mas só quem pode!
... Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa.
O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto- é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."
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domingo, março 13, 2011
Este país não é para corruptos!!
segunda-feira, setembro 08, 2008
Playmate do mês
Tal como as verdadeiras, também esta passou pelo Photoshop e, mais do que as outras, arrisca-se seriamente a ser presença assídua nos meus pesadelos húmidos.
(Via Esquerda Republicana)
terça-feira, fevereiro 19, 2008
O Fado

Gostaria de não ter de escrever isto, mas nós somos mesmo estúpidos e os nossos políticos ganham a todos em estupidez, pois julgando estar a engrossar o seu pé-de-meia criam uma sociedade de péssima qualidade de vida, o que se repercute na própria imagem da classe política. Temos uma sociedade de desempregados, de empresários chico-espertos e com uma elite sequiosa de poder, mas não temos o básico: condições de vida dignas. E não estou a falar de ambientes para “inglês ver”; estou a falar das pessoas viverem mesmo bem, com casas, passeios, estradas, jardins, matas, florestas, espaços desportivos… em boas condições de utilização.
Toda a gente sabe que não se deve construir casas junto aos rios por serem áreas alagáveis. E que fazemos? Vamos lá construir belos lotes de moradias para a massa de pessoas que não tem outra solução senão ir viver para os subúrbios, pagam-se umas alcavalas aos nossos queridos políticos e clientelas e lá vamos seguindo a nossa vida.
Ninguém tenta travar o que quer que seja. Quais PDM, quais regras ecológicas, o que interessa é fazermos obras para mostrar que estamos a evoluir e a progredir. Engrossa-se o PIB, enriquecem-se os municípios com as taxas e licenças de construção, aumenta-se o número de eleitores e de trabalhadores. Se eles morrerem ou ficarem sem habitação isso é lá com eles. Responsabilidade? Vivemos no país onde a culpa morre sempre solteira.
Betão, cimento, alcatrão isole-se tudo para as águas escorrerem melhor. Este é um país de obras, de urbanizações-cogumelo, de condomínios fechados, de loteamentos com nomes bucólicos e campestres no meio do que de mais negativo tem o urbanismo citadino.
Mas, depois de andarmos a tentar enganar a Natureza ela de vez em quando faz-nos sentir quem é a verdadeira dona do espaço.
E o povo fica pasmado com a força das águas do rio ou da ribeira que todos queríamos encanar, porque ficam mais bonitos; porque não se vêem as correntes de esgotos que realmente são.
E o povo fica pasmado porque a água arrasta terra, pedregulhos e tudo o que está à frente, porque já não existe nada que segure os solos, pois as árvores são para cortar e queimar.
E os políticos mandam reunir mais uns gabinetes de estudo para saber o que toda a gente sabe: NÃO SE PODE CONSTRUIR NAS ÁREAS DE CHEIA E AS FLORESTAS SÃO PARA PRESERVAR.
E mais uns milhões são gastos em estudos completamente desnecessários e em tentativas para solucionar um problema velho como o raio.
Desculpem-me mas exasperam-me os milhões de prejuízos de pessoas muitas vezes carenciadas, as vidas perdidas e a nossa mania que é tudo um fado e que não podemos fazer nada em contrário.
Podemos fazer, podemos exigir e podemos reclamar. Na pior das hipóteses podemos sempre emigrar.
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Batam-me que eu gosto,
Portugal no seu melhor
quinta-feira, junho 28, 2007
O Serviço Nacional de Saúde e os atentados contra a sua existência
Toda a gente sabe dos problemas do nosso sistema nacional de saúde, mas quase todos concordarão que se deve manter pois nem todos podem ir para clínicas privadas portuguesas que à mínima complicação evacuam os doentes para os hospitais estatais. Nem todos podemos ir para Espanha ou outro país por razões financeiras e de capacidade de endividamento. Por isso considero ser nosso dever zelar pelas boas condições dos hospitais e centros de saúde.
Desde há décadas, e ao que parece ser uma atitude corporativa, que se limita o acesso ao curso de Medicina e mais ainda às especialidades a alunos com notas muito acima da média. O resultado está à vista, não há médicos a ponto de terem de vir para cá os espanhóis garantir o atendimento aos doentes. Os enfermeiros são médicos frustrados, enquanto que os médicos entre um emprego mal pago num qualquer centro de saúde e as clínicas privadas onde pagam bem e podem acumular com horas noutros locais, escolhem o óbvio.
A estratégia para acabar com o SNS começou há décadas, agora resta saber se nos vamos conformar com isso ou não, pois o sistema de seguros de saúde é muito bonito, mas tal como todos os seguros, quando precisamos dele só cobre uma parte ou não cobre, precisamente, o tratamento do mal de que sofremos. Não tendo qualquer tipo de seguro sujeitamo-nos a figurar numa das histórias do Sicko de Michael Moore – a que mais gosto é a do indivíduo que cortou dois dedos e teve que optar por um, o mais barato, porque não tinha dinheiro suficiente para enxertar os dois.

Neste sistema de seguros existem sempre pessoas que pela sua (in)capacidade económica podem morrer sem serem atendidos. Neste caso as pessoas morrem simplesmente porque não têm dinheiro! É o primado de que tudo tem de ser pago e que a economia nos rege, sendo os valores humanos simplesmente desprezados.
Num qualquer sistema nacional de saúde – que não esteja a ser desmantelado – tal também pode suceder, mas será sempre considerado incúria e em extremo um crime que pode ser levado a tribunal e os responsáveis serem condenados. Neste caso prevalecem os valores humanos face à economia. O que é importante é a humanidade e não o que cada uma das pessoas vale em dinheiro.
Ultimamente a atitude perante a suposta (digo suposta porque em economia há formas de investimento que podem garantir o pagamento das despesas e conseguir lucros) insustentabilidade do SNS é aplicar a teoria do utilizador-pagador. Contudo, nós quando pagamos os nossos impostos já garantimos a entrada de dinheiro para este sector, o que quer dizer que esse dinheiro está a ser desviado para outras coisas que não são a saúde. Ou seja, os portugueses que são dos que mais mal ganham pagam duas vezes a saúde e muitos recorrem ao sistema privado, pagando e não usufruindo dos serviços que pagaram.
Hoje em dia os portugueses pagam 22,5% dos cuidados de saúde à cabeça, enquanto se fica pelos 10% na Holanda e na Inglaterra. Ou seja, a ideia do utilizador-pagador está a vingar. Continuo sem saber para onde vai o dinheiro que corresponde aos tais 22,5% das despesas de saúde pagos duplamente pelos portugueses, alguém sabe dizer?
Desde há décadas, e ao que parece ser uma atitude corporativa, que se limita o acesso ao curso de Medicina e mais ainda às especialidades a alunos com notas muito acima da média. O resultado está à vista, não há médicos a ponto de terem de vir para cá os espanhóis garantir o atendimento aos doentes. Os enfermeiros são médicos frustrados, enquanto que os médicos entre um emprego mal pago num qualquer centro de saúde e as clínicas privadas onde pagam bem e podem acumular com horas noutros locais, escolhem o óbvio.
A estratégia para acabar com o SNS começou há décadas, agora resta saber se nos vamos conformar com isso ou não, pois o sistema de seguros de saúde é muito bonito, mas tal como todos os seguros, quando precisamos dele só cobre uma parte ou não cobre, precisamente, o tratamento do mal de que sofremos. Não tendo qualquer tipo de seguro sujeitamo-nos a figurar numa das histórias do Sicko de Michael Moore – a que mais gosto é a do indivíduo que cortou dois dedos e teve que optar por um, o mais barato, porque não tinha dinheiro suficiente para enxertar os dois.

Neste sistema de seguros existem sempre pessoas que pela sua (in)capacidade económica podem morrer sem serem atendidos. Neste caso as pessoas morrem simplesmente porque não têm dinheiro! É o primado de que tudo tem de ser pago e que a economia nos rege, sendo os valores humanos simplesmente desprezados.
Num qualquer sistema nacional de saúde – que não esteja a ser desmantelado – tal também pode suceder, mas será sempre considerado incúria e em extremo um crime que pode ser levado a tribunal e os responsáveis serem condenados. Neste caso prevalecem os valores humanos face à economia. O que é importante é a humanidade e não o que cada uma das pessoas vale em dinheiro.
Ultimamente a atitude perante a suposta (digo suposta porque em economia há formas de investimento que podem garantir o pagamento das despesas e conseguir lucros) insustentabilidade do SNS é aplicar a teoria do utilizador-pagador. Contudo, nós quando pagamos os nossos impostos já garantimos a entrada de dinheiro para este sector, o que quer dizer que esse dinheiro está a ser desviado para outras coisas que não são a saúde. Ou seja, os portugueses que são dos que mais mal ganham pagam duas vezes a saúde e muitos recorrem ao sistema privado, pagando e não usufruindo dos serviços que pagaram.
Hoje em dia os portugueses pagam 22,5% dos cuidados de saúde à cabeça, enquanto se fica pelos 10% na Holanda e na Inglaterra. Ou seja, a ideia do utilizador-pagador está a vingar. Continuo sem saber para onde vai o dinheiro que corresponde aos tais 22,5% das despesas de saúde pagos duplamente pelos portugueses, alguém sabe dizer?
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Batam-me que eu gosto,
Demagogia,
Serviço público
quinta-feira, maio 24, 2007
Ansiosamente esperando pela nova taxa do Multibanco
Num raro momento de higiene financeira devolvi todos os cartões
de crédito que possuía e que se foram acumulando no bolso sem saber como; por essa altura também encerrei umas quantas contas bancárias e de títulos mobiliários que tinha em diversas instituições. De tudo pagava inúmeras taxas e comissões que iam enriquecendo os banqueiros ao mesmo tempo que me iam sangrando lentamente. Concentrei toda a minha actividade financeira numa única instituição e conservei um único cartão: o Multibanco.
Agora ameaçam-me cobrar por cada utilização do mais moderno e eficaz meio de pagamento que alguma vez existiu; um meio de pagamento que não só me é útil como o é para o Estado e, sobretudo, para a instituição bancária que o emitiu.
No dia em que tal medida for posta em prática, nesse mesmo dia, devolvo o cartão; levanto todo dinheiro necessário para as necessidades do mês e guardo-o debaixo do colchão.
Isso terá inclusivamente um efeito secundário benéfico: deixar de pagar anuidades pelo dito. A partir desse momento passarei a pagar todas as minhas despesas em espécie, independentemente do valor em causa ou do local de pagamento (levo um livro e vou para a bicha); também nesse dia começarei a cobrar os trabalhos que faço como independente em notas do BCE, da Federal Reserve, em ouro, prata ou troca de serviços - e isto antecipando o aumento do custo dos cheques e das transferências electrónicas pela Internet.
Aliás, vendo bem, até que a iniciativa da SIBS não é má para os indivíduos. A partir de agora ainda será mais fácil fugir ao Fisco.
Venha ela!
de crédito que possuía e que se foram acumulando no bolso sem saber como; por essa altura também encerrei umas quantas contas bancárias e de títulos mobiliários que tinha em diversas instituições. De tudo pagava inúmeras taxas e comissões que iam enriquecendo os banqueiros ao mesmo tempo que me iam sangrando lentamente. Concentrei toda a minha actividade financeira numa única instituição e conservei um único cartão: o Multibanco.
Agora ameaçam-me cobrar por cada utilização do mais moderno e eficaz meio de pagamento que alguma vez existiu; um meio de pagamento que não só me é útil como o é para o Estado e, sobretudo, para a instituição bancária que o emitiu.
No dia em que tal medida for posta em prática, nesse mesmo dia, devolvo o cartão; levanto todo dinheiro necessário para as necessidades do mês e guardo-o debaixo do colchão.
Isso terá inclusivamente um efeito secundário benéfico: deixar de pagar anuidades pelo dito. A partir desse momento passarei a pagar todas as minhas despesas em espécie, independentemente do valor em causa ou do local de pagamento (levo um livro e vou para a bicha); também nesse dia começarei a cobrar os trabalhos que faço como independente em notas do BCE, da Federal Reserve, em ouro, prata ou troca de serviços - e isto antecipando o aumento do custo dos cheques e das transferências electrónicas pela Internet.Aliás, vendo bem, até que a iniciativa da SIBS não é má para os indivíduos. A partir de agora ainda será mais fácil fugir ao Fisco.
Venha ela!
segunda-feira, maio 21, 2007
Who cares?
600 anos de aliança (a mais velha do mundo, dizem); 300 anos de subserviência política e económica; 50 anos de destino de férias de milhões; 2 meses decorridos do começo da campanha ALLGARVE e Portugal continua a ser desconhecido pelos ingleses.
Se não veja-se esta tirada do respeitável Independent a propósito do caso da menina inglesa desaparecida e do papel dos media:
Some here [in Portugal] believe that the British [media] presence, in all its insatiable intensity, has shaken the Portuguese police service from a secrecy which is an overhang from the Communist regime, which remained until the revolution of 1974.
Mas também quem é que verdadeiramente se preocupa com a história dos seus criados?
Não é este o nosso futuro?
segunda-feira, outubro 10, 2005
Resultados Eleitorais
As eleições de ontem deram muita alegria a uns quantos caciques que ao serem eleitos têm por relevadas todas as faltas, abusos e crimes de que são acusados ou suspeitos.
Engano!
O povo soberano, mas ignorante, pode ter-se enganado ou ter sido enganado por demagogos, mas no Estado de Direito não há poderes absolutos, daí que a Justiça continue a correr e em breve poderemos ter alguns desses chefes tribais atrás das grades.
O povo soberano precisa dum estágio no sofá do psiquiatra, já que parece sofrer dalguma patologia autodestrutiva que o leva a arriscar a entrega do ouro ao bandido.
O ignorante povo soberano vê nesses caciques messias salvadores que dão empregos e electrodomésticos à malta, que fazem rotundas e jardins, zonas industriais e centros comerciais e que de repente põem a santa terrinha no mapa das auto-estradas e dos fundos comunitários de apoio ao (sub)desenvolvimento (porque disso não conseguem sair), é incapaz de ver, que se por meios esconsos obtiveram isso, o que não obteriam por meios claros.
Este povinho ignaro, bairrista até à estupidez, é comprado por um prato de lentilhas quando se podia vender em troco duma vida decente e que as grandes conquistas que os seus autarcas de reputação duvidosa lhes conseguiram são uma fracção do que de direito lhes é devido.
Engano!
O povo soberano, mas ignorante, pode ter-se enganado ou ter sido enganado por demagogos, mas no Estado de Direito não há poderes absolutos, daí que a Justiça continue a correr e em breve poderemos ter alguns desses chefes tribais atrás das grades.
O povo soberano precisa dum estágio no sofá do psiquiatra, já que parece sofrer dalguma patologia autodestrutiva que o leva a arriscar a entrega do ouro ao bandido.
O ignorante povo soberano vê nesses caciques messias salvadores que dão empregos e electrodomésticos à malta, que fazem rotundas e jardins, zonas industriais e centros comerciais e que de repente põem a santa terrinha no mapa das auto-estradas e dos fundos comunitários de apoio ao (sub)desenvolvimento (porque disso não conseguem sair), é incapaz de ver, que se por meios esconsos obtiveram isso, o que não obteriam por meios claros.
Este povinho ignaro, bairrista até à estupidez, é comprado por um prato de lentilhas quando se podia vender em troco duma vida decente e que as grandes conquistas que os seus autarcas de reputação duvidosa lhes conseguiram são uma fracção do que de direito lhes é devido.
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