sexta-feira, novembro 30, 2007

Os Putos


Dedicado ao nosso desgoverno

terça-feira, novembro 27, 2007

É Só Fachada

Foi desprezível ver o Primeiro-ministro acompanhado dum batalhão de jornalistas a visitar a família do soldado português que morreu num acidente de viação no Afeganistão. O gesto bonito, como o que seria o do chefe do governo apresentar pessoalmente as condolências família enlutada, foi vilipendiado em favor de propaganda dum politiqueiro barato.
Contudo, José Sócrates perdeu a oportunidade de transformar Sérgio Pedrosa – assim se chamava o soldado – num herói morto por uma causa superior. Mas não. O jovem soldado teve a morte mais prosaica que existe em Portugal: o acidente de viação. A sua morte, ocorrida a milhares de quilómetros de distância, poderia ter-se dado numa qualquer estrada nacional, no que seria mais uma das centenas que anualmente marcam a guerra civil portuguesa.
Assim, a sua morte, ocorrida numa missão totalmente destituída de sentido, foi completamente inútil, ainda mais do que se tivesse ocorrido por acção inimiga.
Este é o governo que temos e estas são as forças armadas com que nos pavoneamos.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Gostei de Ler


Pelo Correio

Dizem os americanos:

"We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."


Respondem os portugueses:

"We have José Sócrates, no wonder, no hope and no cash."

Sermão Dominical (com delay)



via Womenage a Trois

sábado, novembro 24, 2007

Porque hoje é sábado



Nicolo Paganini, Moto Perpetuo, por Yehudi Menuhim

Uma prova de fogo só ao alcance de alguns.

sexta-feira, novembro 23, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

GNR «esmurra» grevistas

Vamos a ver se os nossos sindicalistas entendem de uma vez por todas o que é a liberdade.

Em países livres como o são as democracias, existe o direito à greve.
Em países livres como o são as democracias, também existe o direito a não fazer greve.

Neste tipo de estados, ninguém pode ser proibido de fazer greve, como também ninguém pode ser obrigado a fazê-la.

Se há violação da liberdade individual quando se proíbe a greve, o mesmo acontece quando se é obrigado a fazê-la.

Em resumo: a liberdade de uns não pode ser a sujeição de outros.


Aguarda-se agora a outra versão dos factos.

domingo, novembro 18, 2007

Sermão Dominical

Não desejarás a mulher do teu próximo (sem te certificares do que está mais próximo).

Ex. 20, 17 (ed. revista e melhorada)


sábado, novembro 17, 2007

Informação para a ERC

Este blogue não tem "Conteúdos sujeitos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente", pelo que não se encontra sob a vossa alçada.
Contudo, sem abdicar da liberdade de expressão, submete-se de bom grado às leis e órgãos superiores da República quando estes últimos legitimamente agirem no quadro constitucional vigente.

Feito este interlúdio, podemos voltar ao avacalhanço.

(Informação via serviço público do Arrastão)

Glitch no Criacionismo


Cadafi quer acampar em Lisboa

O presidente líbio quer fazer campismo em Lisboa e o estado português quer fazer-lhe a vontade.
As nossas fontes geralmente mal informadas confidenciam-nos que agora é o Mugabe a querer uma cagadeira de ouro e que o rei de Marrocos quer o palácio da Ajuda só para si, mas sem o Hermitage - consta também que quer assar uns cordeiros na biblioteca.
Os serviços do protocolo de estado temem agora que outras delegações venham com outras exigências pelo que já solicitaram às autoridades espanholas e madeirenses a disponibilização de espaços, antecipando-se assim qualquer eventualidade.
O Conselho de Ministros e o Conselho de Estado reunir-se-ão brevemente para decidir sobre a invocação do direito de aposentadoria, tendo pedido para o efeito um parecer ao Tribunal Constitucional.

Porque hoje é Sábado

River Chimp

segunda-feira, novembro 12, 2007

Vozes de burro

Gabriel Drumond, deputado do PSD à assembleia regional da Madeira, numa tirada digna de compêndio de imbecilidades afirmou que se a República não se vergar à sua chantagem o parlamento regional deverá proclamar a independência.

Sendo eu mais democrata que qualquer um dos dirigentes madeirenses e um acérrimo defensor da democracia directa, proponho um referendo imediato da questão. Mas quero um referendo nacional, não se vá correr o risco dalgum dos pobres degredados naquele escolho atlântico querer continuar a ser português e a ter tais caciques a envergonharem-nos constantemente.


(Foto DN)

Gostei de Ler

sábado, novembro 10, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

A quinta linha da página 161 do livro mais à mão

Não gostaria de ser um quebra-correntes, por isso resolvi continuar a 5ª da 161ª, proposta pela Shyznogud do Womenage A Trois.
Não é a 5ª essência, mas é o que se arranja.

Estou a ler Uma História de Amor e Trevas de Amos Oz cuja quinta linha da página 161 é o seguinte:


Ouvia sempre as palavras terríveis "al teza-ken" (não envelheças).



Esta é a parte mais fácil. Agora resta passar a batata quente a:
Blogador
Vladimir da Lapa
Notas ao café
O Piolho da Solum
O Jumento

Afinal já sei o que vou postar hoje

Andava prá’qui a matutar que devia postar qualquer coisita qu’isto anda um bocado pró morto e eis quando a Shyznogud me lança um desafio: abrir um livro ao calha e transcrever a 5.ª linha da página 161.

Estou enterrado em papel. Entre livros, revistas e folhas soltas a sorte cai em segunda escolha (a primeira era uma seriação de topónimos) na Reformação da Milícia e Governo do Estado da Índia Oriental de Francisco Rodrigues da Silveira e a frase, saída das profundezas do século XVII, não podia ser melhor.

«excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-»

Respondido ao desafio, aproveito para dar a frase completa:

«De maneira que temos [em Portugal] muy excelentes leys, porém não há usar dellas. E se não há de aver executarem-sse e porem-se por obra, de qué nos servem, ou como se podem chamar boas leys aquellas de que se não tira proveito algum?»

Passo o repto a: Puro Arábica (e vão três), Rei dos Leittões (se é que lê alguma coisa…) e Maria… que eu sei que lê!

sábado, novembro 03, 2007

Público, só para alguns

O texto de Leonor Pinhão e o comentário de Miguel Abrantes sobre o usufruto abusivo do património do Estado lembrou-me que tenho em casa bens que outrora foram duma instituição pública.
Não, não cometi nenhum crime. Não tenho um trono em casa. São, sim, duas boas cadeiras de escritório em madeira maciça por mim recolhidas do lixo dessa instituição quando esta, cheia de dinheiro para esbanjar, as substituiu por novos assentos de material compósito e desenho moderno. Um pouco de lixa fina e Bondex deixou-as como novas. Aliás, estão agora em melhor estado do que as suas substitutas mais novas mas de qualidade incomensuravelmente inferior.
Outras histórias, bem mais graves, me ocorrem sobre os desmandos a que está sujeito o que é de todos nós. Por exemplo, qualquer representação portuguesa no estrangeiro pode requisitar aos museus peças em depósito para decorar as suas instalações e assim dignificar a representação do Estado. Anos depois ninguém sabe onde param essas peças, nem os museus, nem as embaixadas, nem pessoa alguma. Resultado: o que era público foi anonimamente privatizado. Um outro tipo de situação demasiado frequente passa-se quando um dirigente ou alto funcionário requisita, e bem, para o seu trabalho uma determinada peça ou documento públicos e depois nunca mais os devolve à proveniência e quando solicitado para o efeito ainda fica ofendido, acabando esse bem por se extraviar quando mudam as pessoas envolvidas ou se dá uma das inúmeras reformas que a nossa administração pública é fértil sempre que muda um governo ou uma direcção.
Neste país, onde as instituições se confundem com as pessoas que estão à sua frente, é frequente os dirigentes e funcionários das mesmas considerarem-nas como propriedade sua. Daí até passarem a usufruir dos bens dessas instituições vai um pequeno passo, chegando ao ponto de se negarem a cumprir as suas obrigações para com o cidadão que a elas recorre.
No meio de tudo isto ninguém é responsabilizado ou alguém ainda se lembra do episódio das jóias do Palácio Nacional da Ajuda?

Porque hoje é sábado II



Bach, Concertos de Brandenburgo, N.º 3 (BWV 1048),
pela Orquestra Barroca de Freiburgo

Porque hoje é Sábado

sexta-feira, novembro 02, 2007

A falta de cultura histórica de comentadores da actualidade


Já se sabe que Pedro Arroja adora a sua Igreja; que venera o papa, considerando-o expoente máximo de cultura e sabedoria e só diz bem das actividades católicas. A maior parte das suas participações no Portugal Contemporâneo destinam-se a doutrinar os seus leitores, parecendo estar numa missão evangélica ou catequizadora. Portanto, não é de estranhar que sejam muito raras as minhas visitas ao seu espaço.
Todavia, soube através do Womenageatrois que um dos últimos textos de Pedro Arroja falava sobre os judeus e intitula-se Na massa do sangue. Um título assim prometia... sangue, por isso lá fui ver e não me desiludiu. Lá estava uma repescagem do velho libelo anti-semita: os judeus são tão maus que foram expulsos de tudo o que é lado; intrometem-se; fazem pressões e quando entram em qualquer lado tendem a dividir. Como contribuição adicional para este rol (dou-lhe o mérito de ser sua), subtilmente leva-nos a pensar que a canonização de 498 mortos da Guerra Civil Espanhola foi a causa da reunião de dirigentes judeus em Madrid para lembrarem os mortos da Inquisição espanhola.
E induz-nos de seguida a associar isso, de forma subtil porque não está escrito, com o facto de se ter levado à discussão da Assembleia Municipal de Lisboa a ideia de se mandar erigir um monumento em memória da intolerância religiosa, mas que tem por base o assassínio de milhares de judeus em 1506 em Lisboa.
Pedro Arroja chega a afirmar que foi na Península que os judeus foram melhor acolhidos ao longo da sua história! Esquece obviamente os massacres, os baptismos à força, a retirada das crianças judias aos seus pais para forçar a sua conversão, o exílio de muitas crianças para S. Tomé, a escravatura de quem negasse tornar-se cristão, e depois de se terem convertido a Inquisição e a mentalidade inquisitorial e pidesca de que ainda sofremos. Chama-se a isto um tratamento de príncipe.

A ignorância histórica não fica por aqui. Até nas datas o senhor professor Pedro Arroja erra, confundindo um qualquer acontecimento de 1521 com a data de expulsão de Portugal dos judeus que se deu em 1496 e 1497 (a lei é de 1496 com efeitos a partir de 1497).
O seu conhecimento bíblico também não é forte, pois se tudo está na massa do sangue, como diz, então isso também passou para o cristianismo. Jesus e os seus primeiros discípulos eram, ao que consta, judeus.
O interessante é pensar que os cristãos veneram (adoram[?]) várias pessoas que eram judeus e têm um livro que passa o tempo a falar de judeus. Irónico, não é?