sábado, outubro 13, 2007

Mais um dia 13 mais uma sessão SM

Quando o Vaticano pôs em águas de bacalhau o processo de santificação dos pastores de Fátima; quando a ciência afasta cada vez mais as explicações milagrosas da realidade e quando se pensava que a razão se tornara no guia do homem, eis quando em Fátima se inauguram novas instalações, maiores, mais impressionantes, mais caras, mais tudo: um negócio que continua de vento em popa e a fazer os vendilhões do templo continuarem a somar.


Prospera este local explorando a crendice popular que tem de ver, estar, tocar e comprar para sentir que é acolhida pelo divino. Um divino que ninguém responsável nega poder comprar-se com promessas de pagas em sacrifícios de dor e de ouro. Um divino que se diz único mas que só actua por mediação dum clero, dos santos e de toda uma panóplia de entes celestiais, qual monarca oriental absoluto, despótico, intocável e inacessível. Um divino apresentado como interesseiro, vingativo e egoísta e que exige de ser amado, adulado, glorificado e temido, precisamente aquilo que se diz serem defeitos que garantem a condenação eterna aos seus seguidores.
Que deus único, omnipotente, omnipresente e omnisciente, bondade e amor e todos os mais atributos de bem, é este que necessita de tudo isto?
Será que os sacerdotes e os demais crentes não vêem estas contradições, ou estarei a ser racional?

5 comentários:

MARIA disse...

Metralhinha,
Impressiona-me sempre por mais que apareça aqui prevenida...
Sabe, não confunda, o fenómeno que acontece no comércio de Fátima, com o da fé.
Eu fui criada e educada num colégio católico. Durante anos posso dizer que fui uma pessoa de muita fé. Hoje não.
Contudo há coisas que não esqueço.
Se o Nazareno entrasse hoje em Fátima provavelmente retiraria como antes já o fez, os vendilhões do templo...
E diria aos que lá deixam ouro que olhassem a mulher velha que tendo só uma única moeda a ofereceu ao Senhor.
Falar-lhe -ia do valor dessa moeda, incomparável aos montes antes ali deixados pelos fariseus...
O Metralhinha não é racional. Ainda tem uma alma pura e um coração sincero que apenas obedece ao que lhe parece ser verdade.
É uma das razões porque me encanta.

pat disse...

Deus, deveria ser um ideal e não uma obsessão ou negócio.

João Rato disse...

Inteiramente de acordo, mas...
Este povo vive ainda a ressaca da parelha salazar-cerejeira, uma espécie de pó que lhe meteram no sangue-vinho velho de dois mil anos de vivência. Há que respeitá-lo e encontrar um Deus que medeie entre a fé que necessitam e a idolatria de interesses que servem. Oh como eu adoro este povo e o compreendo / oh como eu recuso esta servidão inocente aos vendilhões.
Fátima é um milagre de humildade e de negócio. Eu já só queria que o negócio os recebesse com a dignidade que eles merecem. Fátima ainda não tem um parque de campismo e os peregrinos chegam lá a pé num asfalto indigno para qualquer fé. Sentiria a mesma revolta se um estado que pagou dez estádios de futebol pagasse também uma basílica nova. É o nosso povo, eu gosto dele, mas...
Metralhinha, conheço os tunéis das esmolas, vamo lá?

Vladimir disse...

Muito bem escrito e descrito...
Entre outros temas, na minha última postagem também falo deste tema....

Sofia Bochman disse...

A minha amiga MC, do Jardim de Luz, escreveu umas coisita gira sobre o assunto.

Transcrevi para o meu blogue.

Um abraço!