quinta-feira, junho 14, 2007

Eugenia política

Uns poucos, mas muito activos, têm-se manifestado nos últimos anos pela implantação da monarquia em Portugal, invocando para o efeito os mais desvairados argumentos que vão desde o ter sido esse o regime que mais tempo vigorou em Portugal, até – imagine-se – à alegação de ter sido posto fim à monarquia de forma ilegal. Propõem-se assim voltar ao poder pela via legal através dum referendo.
Ora, o referendo é a forma mais clara de demonstração da vontade do povo, desde que a pergunta seja bem feita (sem demagogias). Se os monárquicos querem um referendo, faça-se. Mas não venham dizer que à República falta legitimidade por ter sido imposta pela revolução. A presente legitimidade da República Portuguesa é igual à do Reino de Portugal em 3 de Outubro de 1910. A maior parte das alterações históricas que envolveram mudança dos detentores do poder careceram de legitimidade eleitoral ou democrática e foram impostas por grupos em defesa dos seus interesses contra outros interesses.
A monarquia é, hoje, uma forma arcaica de organizar o estado. Além disso, a monarquia ao pressupor o direito de uma pessoa a um privilégio e recusando-o a todas as outras é imoral. Mil e quinhentos anos de eugenia monárquica europeia, em vez de produzir estirpes de super-homens, produziu homens vulgares que a maior parte das vezes não passavam de gente medíocre. Na monarquia a deposição do chefe incompetente deixa sempre a sensação de golpe palaciano ou revolução; na república basta esperar pelo fim do seu mandato e depois eleger outro. Na monarquia a esmagadora maioria da população sabe que jamais ascenderá à chefia do estado; na república sempre poderá sonhar com isso.

Blografia:
O Blog das Causas
Somos Portugueses
Democracia Real

quarta-feira, junho 13, 2007

A tragédia chegou ao fim?



De acordo com as últimas notícias o corpo de Madeleine estará enterrado no Algarve a norte duma estrada. O De Telegraaf recebeu uma carta anónima com esta indicação e parece ser uma pista segura uma vez que esta carta é muito semelhante a outra que indicou o local preciso onde estavam duas meninas belgas objecto das mesmas ou semelhantes redes pedófilas. Aquele jornal holandês que parece ter publicado a carta, inclui ainda o mapa com a possível localização do corpo.
Resta agora o luto e a esperança que a acção destas redes e pessoas monstruosas sejam limitadas ao máximo possível.

A anarquia

É definitivo, a solução é a anarquia.
Se eliminarmos o Estado tudo o resto fica bem.
Só não sei como manter as religiões sem um estado que as protejam; também não sei como funcionaria uma economia sem estado, ou uma justiça.

Mas, palpita-me, Hobbes terá reflectido sobre isso.

Sexualmente inseguros

A homossexualidade é contagiosa, apanha-se na infância e, pese embora o facto de se poder ocultar durante toda a vida, continua a manifestar-se sob a sua forma reprimida, transferida e sublimada.

Esta conclusão deduz-se facilmente da epifania do arrebatado Jerry Falwell tida no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1999, meses antes da Lua ser lançada para fora da órbita terrestre, dando assim cumprimento à profecia de que um lunático reprimido apareceria para guiar a humanidade sublimada em direcção às trevas.
Desde então as luzes têm vindo a esmorecer enquanto que os seus discípulos continuam paulatinamente a porfiar nos seus desígnios duma teocracia universal, asséptica e obscurantista.
Ontem o sexo dos anjos, hoje o Tinky Winky, amanhã o mundo.

terça-feira, junho 12, 2007

A arquitectura e urbanismo

Num país em que as casas, as estradas e todos os equipamentos públicos são caríssimos (segundo algumas notícias saem aos bolsos dos contribuintes ao preço inicialmente acordado vezes oito) temos de tomar consciência que é necessário ser mais exigente. Afinal somos nós os “pobrezinhos” da Europa a pagar preços de multimilionário por coisas rasca.
As estradas portuguesas devem ser das únicas da Europa que se dissolvem na água, os escoadouros de águas pluviais devem ser dos únicos a estarem sistematicamente entupidos e a permitir inundações, e os passeios devem ser os únicos da Europa a serem sistematicamente ocupados por carros que desrespeitam os transeuntes e matam qualquer tipo de planta que se atravesse no seu caminho.


Plantas, espaços verdes, o que é isso? Espaço destinado a pessoas e carrinhos de bebé? Vão para casa e fiquem lá! Vão passear para os centros comerciais que é onde as crianças podem correr livremente sem o perigo de serem atropeladas. Sim porque os jardins infantis também não são necessários e quando existem não têm espaço para as crianças correrem e estarem à sombra de árvores. As árvores são sistematicamente cortadas porque têm muitas raízes e tapam a vista às pessoas e os jardins com relva são para os cãezinhos irem defecar pois não o podem fazer em casa ou na cara dos seus donos.
Agora, e não querendo estar armado em bom, gostaria que olhassem para duas cidades portuguesas (Porto e Lisboa) e duas outras (Copenhaga e Luxemburgo) depois duma chuvada. Comparem, no fim pergunto eu: o que marca a diferença?



Imagens retiradas daqui.

A culpa é dos judeus!


Julgar a História

A trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional está a ser objectada através duma petição que tem gerado grande controvérsia.
Também eu – e a minha posição não vincula os meus colegas de choldra – quero juntar-me aos peticionários nesta grande causa de decoro nacional e ao mesmo tempo sugiro-lhes, ou melhor, exijo-lhes que depois desta iniciem petições para removerem do imaginário heróico nacional outros terroristas, assassinos e traidores, tais como, e só para dar alguns exemplos, D. Afonso Henriques, D. Pedro I, D. João I, D. João II, D. João IV, e já agora, porque não, Vasco da Gama, D. Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque.
Termino por aqui para não ter de transcrever o índice do Dicionário de História de Portugal.
A petição em causa pode ser encontrada aqui.

segunda-feira, junho 11, 2007

Morta em serviço







... obviamente que não foi à junta médica com farda de gala!

Just can't get enough


Este vídeo está para aí numa dúzia de sítios diferentes.
Porque será?
Serão as Nouvelle Vague?
A Marina?
A Melanie?
A Phoebe?
O Moby?
Ou talvez a música dos Depeche Mode?

Leituras


sexta-feira, junho 08, 2007

Só para chatear...ou roam-se de inveja!

Como não há dinheiro para grandes aventuras segui o velho lema do "Vá para fora cá dentro". Como não gosto de seguir a carneirada para o famoso Allgarve, decidi explorar o interior de Portugal. Nos muitos e belos recantos do nosso país, redescobri a Lousã. Belo lugar, para se repousar e para ficar com stress de não ter stress!
Que chatice na segunda-feira ter que voltar ao estaminé... Coisas da vida!

Jornalismo de Sarjeta ou Mentalidade de Esgoto?

Via Sol cheguei ao eminentíssimo The Times e não acreditei nos meus olhos.
Será que esta gente não se enxerga?

Segue-se a transcrição de verbo ad verbum.

June 8, 2007

Madeleine officers defend their regular two-hour lunches
David Brown in Praia da Luz and Thomas Catán in Madrid
Senior officers involved in the search for Madeleine McCann have been seen regularly going out for two-hour lunches. As her parents completed 13 gruelling interviews and meetings with politicians in Berlin on Wednesday, two of the leading officers in the case were seen enjoying a leisurely lunch.


Chief Inspector Olegario Sousa and Goncalo Amaral, the head of the regional Policia Judiciaria, joined two other men at a speciality fish restaurant called Carvi a few minutes’ walk from police headquarters.

A fellow diner said the men laughed and joked as the McCanns appeared on a television news broadcast.

“They asked for the Portuguese TV news to be switched on and sat at the table watching it,” he said. “Madeleine’s parents had given a press conference in Berlin . . . The police were laughing and joking among themselves while it was on. They seemed to be sharing some sort of in-joke. I thought that laughing like that in public was in really poor taste.”

The party shared a bottle of white wine and there was what appeared to be a bottle of whisky on the table during the lunch, which lasted almost two hours. The fellow diner said: “Someone on another table seemed to know them and joked about them having two-hour lunches and knocking back Johnnie Walker Black [Label].”

Mr Sousa, the official spokesman for the investigation, defended the officers when asked if he thought it was acceptable for them to drink wine and whisky in their lunchtime while involved in such a major investigation.

“It is very, very sad but a person’s free time is for lunch,” he said. “The persons are in charge in the day, they are working in the day but they must eat and drink, it is normal. I drink what I want to drink when I can drink.”

Asked whether it was normal for police to drink whisky at lunchtime, he replied: “I don’t have to answer that because the persons during lunchtime do what they want to do. It is free time. They are not working at that time.”

When told that he had been seen drinking whisky and wine with colleagues, he replied: “I still say to you what I do in my free time is only responsible and in my interest. It is my lunchtime. What does it have to do with you what I drink or what I eat? Have you seen anyone drunk? Have you seen any action deterred by that?”


Madeleine’s family reacted with shock at news of the police’s behaviour. Her grandmother, Eileen McCann, 67, said: “I’m not happy about that. My worries are for Kate and Gerry.”

The missing girl’s aunt, Philomena, said: “If it were detectives from Scotland Yard there would be absolute uproar. But we have to let them get on with their work because that’s all we have to rely on.”



Have your say

Please keep on updating us on whatever you can get. We appreciate your work.

Edith, Harrogate, UK


While it may be a bit much to expect officers not to laugh or eat (seriously, no one can really expect this can they?) I am quite shocked at the idea that it is acceptable to drink while on a lunch break, no matter what your job! Especially when this is an important job with a lot of responsiblity and a need for attention to detail. Drinking ANYTHING slows reaction times and affects performance in EVERY way, and "knocking back" a strong spirit would make it very difficult for these officers to do their job properly on their return from the break. If I did this (and I have nowhere near the level of responsiblity that they do in my job) I would be sacked immediately for getting drunk (or even a bit tipsy) and then showing up to work. I feel that these officers should be reprimanded for an activity that affects their job performance, and for a lack of discretion in general.

Marianne, London,



Será que os santos inquisidores de The Times pensam que os portugueses são como os bêbados dos ingleses que todos os dias aterram no Algarve ou enchem as urgências dos hospitais britânicos?

Lembrando Nuremberga e Tóquio

Se há coisa desprezível é o terrorismo islâmico com os seus métodos e intentos absolutamente inumanos. Não há razão, argumento ou justificação para ele, pronto.
Agora, a metodologia adoptada para combater uma dessas vertentes - aquela que mostrou aos americanos não serem uma nação com imunidade especial concedida por Deus - é tão reprovável como o terrorismo que visa combater.
Os métodos americanos envergonham-nos; violam todos os princípios morais e éticos em que se funda a sua (e a nossa) sociedade e, em última análise, põem em causa tudo o que acreditamos e desejamos.


Daqui a 20, 30 ou 50 anos, quando a história for escrita, verificar-se-á ter sido totalmente contraproducente e ineficaz quanto aos seus propósitos todas as violações levadas a cabo dos princípios constitucionais e civilizacionais em que assentam os Estados Unidos (e nós).
Ao que tudo indica, estas violações tornaram-se mais fáceis porque os nossos dirigentes políticos são desprovidos de valores morais. Mas o mais chocante é ver os países que mais razões teriam para abominar estas práticas a darem-lhes total cobertura.

Gostei de ler

Gostei de ler no Cinco Dias.
E no Random Precision.

quinta-feira, junho 07, 2007

Vaidade das vaidades...

O Dia de Portugal aproxima-se. É por isso altura de tirar o fato domingueiro da naftalina, dar lustro às polainas e exercitar a cerviz para na altura própria vergar com elegância e distinção.


Condecorações a serem atribuídas pelo
Presidente da República na Sessão Solene do Dia de Portugal

O Presidente da República vai condecorar, na Sessão Solene do dia de Portugal, em Setúbal, as seguintes entidades:
Antigas Ordens Militares:
Ordem de Cristo
- Conselheiro Artur Joaquim de Faria Maurício (Grã-Cruz)
- D. Manuel Martins(Grã-Cruz)
Ordem de Avis
- Tenente-General Luís Miguel da Costa Alcide de Oliveira (Grã-Cruz)
- Major-General António Maria Antunes Moreira (Grande Oficial)
- Contra-Almirante Vasco António Leitão Rodrigues (Grande Oficial)
Ordem de Sant’Iago da Espada
- Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro (Grande Oficial)
Ordens Nacionais [As anteriores são estrangeiras (N.A.)]:
Ordem do Infante D. Henrique
- Eng.º Luís Fernando Mira Amaral (Grã-Cruz)
- Dr. Abílio Miguel
Joaquim Dias Fernandes (Grande Oficial)
- Prof. Doutor Arsélio Pato de Carvalho (Grande Oficial)
- Fernando Echevarría (Grande Oficial)
- Prof. Doutor José Guilherme da Cunha Vaz (Grande Oficial)
- Dr. José Pedro Machado, a título póstumo (Grande Oficial)
- Prof.ª Doutora Maria Alzira Seixo (Grande Oficial)
- Prof. Doutor Martim de Albuquerque (Grande Oficial)
- Prof. Doutor Rafael Adolfo Coelho (Grande Oficial)
- Prof. Doutor António Dias Farinha (Comendador)
- João Ramos Jorge (Rão Kyao) (Oficial)
- Associação de Comandos (Membro Honorário)
Ordens de Mérito Civil:
Ordem do Mérito
- Prof. Doutor Apolinário José Barbosa da Cruz Vaz de Portugal (Grã-Cruz)
- Eng.º Eduardo Ribeiro Pereira (Grã-Cruz)
- Eng.º Fernando António de Miranda Guedes Bianchi-de-Aguiar (Grã-Cruz)
- Eng.º José Bernardo Falcão e Cunha (Grã-Cruz)
- Dr. Eugénio José da Cruz Fonseca (Grande Oficial)
- Prof. Doutor Fernando Martins Peres (Grande Oficial)
- Dr. Jorge Maria Soares Lopes de Carvalho (Grande Oficial)
- Dr.ª Maria Catalina Batalha Pestana (Grande Oficial)
- Maria Cristina Andrada Léon (Grande Oficial)
- Pintor Nuno Siqueira (Grande Oficial)
- Professora Alice Gaivão (Comendador)
- Dr. Francisco Augusto Caimoto Amaral (Comendador)
- Serafim Marques (Comendador)
- ARCIL – Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados (Membro Honorário)
- Liga Portuguesa dos Deficientes Motores (Membro Honorário)
- Sociedade Recreativa e Dramática Eborense (Membro Honorário)
Ordem da Instrução Pública
- Professor Fernando Alves Cristóvão (Grande Oficial)
- Dr.ª Albertina Olímpia Pereira Mateus (Comendador)
Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial
Classe do Mérito Industrial
- Eng.º Sérgio Mendes de Melo (Comendador)
06.06.2007



Aqui há de tudo, e quem é que, porventura, sabe em que se distinguiram estas aves de arribação?
Alguns dos que me lembro não valem o peso da lata que vão levar para casa.
Mas o que mais me surpreende é como se dá qualquer coisa a um morto quando não se lha deu em vivo? Temeriam por acaso que não a aceitasse?
Fica aqui um pedido à Presidência da República e à Chancelaria das Ordens: Publique-se o currículo de cada um destes ilustres que o cidadão irá apreciá-los melhor e dar-lhes o justo valor.

terça-feira, junho 05, 2007

Um bocadinho de História


Quase que a propósito das reacções ao post de João Miranda.
Na Antiguidade, durante e domínio romano e nos reinos visigodos floresciam na Península Ibérica diversas comunidades judaicas. Os muçulmanos entraram por volta de 711 e dominaram grande parte do território ibérico a que chamavam Al-Andaluz. No que se refere ao território que é hoje Portugal, desde meados do século XIII que os reinos árabes e muçulmanos foram substituídos pelo que se chamava então Reino de Portugal.
Ou seja, a Península Ibérica e os seus povos, quer queiram quer não, possuem uma forte componente semita. Os espanhóis e os portugueses carregam em si uma carga genética fortemente ligada aos árabes e judeus.
Hoje em dia toda a gente sabe quais as palavras que derivam directamente do árabe como: algibeira, azul, oxalá... Todos sabemos quais as influências árabes na construção das casas algarvias, das hortas, na Medicina...
E pergunto eu: quem sabe dos contributos dos judeus?
Porque é que mais de mil anos de presença judaica no território que é hoje Portugal são esquecidos e tão pouca atenção se dá às provas da sua influência?
Porque se desvaneceu tudo?
Numa altura em que se fala da possibilidade do Irão vir a ter armas nucleares e do Estado de Israel se tornar numa Hiroshima. Gostaria de perguntar se aquilo que levou ao branqueamento do nosso passado pode servir para dar cobertura a tal acto?

a todos os Homens...

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait, and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;

If you can dream — and not make dreams your master;
If you can think — and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings — not lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run —
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And — which is more — you’ll be a Man, my son!


Inspirado neste sítio, aqui pus o original de Kipling, quanto mais não seja para mostrar que até os monossílabos dos contabilistas podem gerar poesia.

sábado, junho 02, 2007

Será que são assexuados?

O filme de animação de explicação da sexualidade a crianças transmitido ontem pela RTP2 encontrou a oposição dos mesmos de sempre: daqueles para quem a sexualidade é um crime, ou pior ainda um tabu que em caso algum pode ser discutido. Preferem por isso a ignorância, o obscurantismo e a duplicidade ao conhecimento da realidade, por muito desagradável que lhes seja (o que eu duvido).
Não me vou alargar mais sobre o tema porque sobre isso já há intervenções suficientemente claras e objectivas contra a hipocrisia desta gente:

Às mentes puras e corpinhos pudicos digo que é preferível um filme como este às Ginas das infâncias e adolescências de antigamente, e essas não fizeram mal a ninguém!

Imagem emprestada de O Quarto Segredo de Fátima

sexta-feira, junho 01, 2007

Chinesices ou sobrevivência do mais apto?




Qual é o pai que não quer o melhor para os seus filhos? Qual é o pai que não se esforça para deixar aos filhos tudo aquilo que não conseguiu para si? Uma melhor educação, uma melhor de vida, a possibilidade de ascender económica e socialmente.
Neste empenho muitos acabam por transformar os filhos em cavalos de corrida, negando-lhes a infância, tentando fazer deles especialistas precoces na escola ou numa qualquer actividade de prestígio.
Este zelo é tanto maior quanta for a frustração individual ou a desqualificação social do pai, pois sabe de antemão que sem elevado capital social ou relacional seus filhos só terão oportunidade na vida se se distinguirem bem acima dos filhos dos outros a quem a fortuna ou o nascimento colocaram em melhor posição.
O casal chinês foi longe demais na vontade de elevar a filha a níveis que de outro modo lhe seriam negados e esta manifestamente não estava apta para sobreviver neles.

Leituras





Juro que um dia ainda vou tirar o curso de Direito para perceber estas sentanças!

quinta-feira, maio 31, 2007

quarta-feira, maio 30, 2007

Greve

... mas garante os serviços mínimos!

Escravatura contratualizada

Juro que não é implicância minha, mas há gente que se põe a jeito.
João Miranda no Blasfémias pergunta: «...deve um trabalhador poder assinar contratos em que abdica do seu direito à greve em troca de contrapartidas que sejam do seu interesse? ... Trata-se de uma questão de liberdade.»

Presumo que esteja a interrogar-se em termos abstractos e absolutos, assim pergunto nesses termos:
Posso, em nome da liberdade, abdicar da liberdade?

Mas se está a falar de vulgares relações de trabalho acordadas entre as partes por acordo individual ou colectivo, não é o que propõe o que se passa ordinariamente? Desde que se mantenham as condições subjacentes a esse contrato, sejam elas quais forem, alguém faz greve?

terça-feira, maio 29, 2007

As cortesãs do poder

Um militar da GNR vai cumprir, durante esta semana, uma suspensão de seis dias, aplicada pelo comando da GNR por um alegado crime de insubordinação. No princípio de 2005, o soldado, então ao serviço do Regimento de Cavalaria (RC), recusou caiar uma parede. Do processo disciplinar que lhe foi instaurado, foi extraído um inquérito criminal, no qual foi considerado inocente.

Armando Ferreira, presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), contou à agência Lusa que é arguido num processo disciplinar por se apresentar numa junta médica sem a farda de cerimónia, que tentara em vão adquirir.

Somos uma república de pavões, tal como fomos um reino de araras e catatuas.
Gostamos de formalidades cortesãs e representações vazias de conteúdo.
Temos bacocos incompetentes que tudo fazem para agradar ao poder como forma fácil de se chegarem ao próprio poder.
Quer-se o poder não para o exercer produtivamente mas para servir de penacho.
E quando o poder se invoca a si próprio, cioso das suas prerrogativas, mais não faz que um exercício medieval de prepotência como o é nos casos em epígrafe.

Não diria melhor...

O JM tem toda a razão no que afirma.

A única solução para isto passa pela abolição do Estado e deixar tudo entregue aos indivíduos e ao mercado (seja lá isso o que for).


Lendo os feeds...

O Estado português recebeu 532,8 milhões de euros de dividendos em 2006 das empresas públicas, segundo a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.

Sol

Estado gastou 671 milhões de euros nas empresas públicas em 2006.
O Estado português gastou no ano passado quase 671 milhões de euros nas empresas públicas, mais 174 milhões de euros do que no ano anterior, segundo dados da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, hoje divulgados.

Público


... fazendo as contas...

o Estado perdeu 138,2 milhões de contos.

Eu

Conclui-se

Nas empresas públicas é preciso reduzir o número de gestores, pondo também fim às suas clientelas. Aos remanescentes tem de se exigir uma redução na massa salarial, nas alcavalas e nas mordomias, com o objectivo mínimo de as suas empresas acabarem o ano com um saldo nulo.

Eu

segunda-feira, maio 28, 2007

Tomates



O Rei dos Leittões nomeou-nos para o prémio Blog com Tomates, instituído pelo Blog do mesmo nome.
Esta consideração muito nos honra ainda mais porque não fizemos nem faremos nenhum frete a quem quer que seja. Contudo e a bem da verdade, teríamos preferido uma comendazita com uma tença associada, mas não se pode ter tudo...

Cabe-nos agora nomear cinco outros blogs. É uma tarefa difícil e injusta para os 659 outros blogs que o mereciam. Assim tirámos sortes dentre eles e os felizardos, por ordem de escrutínio, são:

Womenage a Trois

Sinfonia Opus Zero

Grande Loja do Queijo Limiano

Blogador

Os Putos

domingo, maio 27, 2007

Divagações artísticas…

Confesso que sou um apreciador de Arte e um frequentador de Museus e Exposições. Contudo, isso não me torna num especialista, é certo!

Nas minhas deambulações, por esse país fora, deparei-me com uma verdadeira pérola artística, daquelas que elucidam o verdadeiro significado da "Arte de Roubar". Não discuto o gosto duvidoso, as implicações estéticas e teóricas, nem tão pouco eventuais discussões acaloradas por parte de feministas mais arreigadas, pois tudo isso daria pano para mangas… Simplesmente penso no pobre contribuinte que pagou do seu bolso este "calhau" a que alguns chamam Arte!

Enfim, coisas do nosso Portugal e de alguns que se acham artistas!

sábado, maio 26, 2007

O que seria de nós sem os bifes?

A PJ divulgou dados sobre um indivíduo tido por suspeito avistado por alturas do desaparecimento da menina britânica que tem feito as manchetes e os noticiários dos últimos dias.
Os versados comentadores de Além-Mancha, como sempre pensaram e frequentemente o disseram, de imediato viram aí mais uma prova da incompetência portuguesa para lidar com o caso.

Sendo a suprema competência britânica em todos os domínios físicos, parafísicos e metafísicos um facto insofismável, e não havendo outro modo de fazer as coisas que não o inglês, temos de estar em completo acordo quanto à conclusão desses peritos.

É, pois, tempo do governo imperial de S. M. ouvir as justas e constantes reivindicações dos seus súbditos e pôr fim imediato ao bárbaro Home Rule português, impondo a sábia, benigna e civilizadora Common Law.

sexta-feira, maio 25, 2007

Russians vs Hamas et al.

Depois de ver as desprezíveis imagens que o Josefo apresentou em baixo veio-me à memória uma velhinha de Sting e não mais me largou até agora.


Uma coisa é certa, pensando nas suas crianças a Guerra Fria acabou, mas estes energúmenos não amam os seus filhos nem coisa alguma.

Na época do Farfur (o Mickey do Hamas)



O aproveitamento da inocência das crianças.

quinta-feira, maio 24, 2007



Vale a pena ... Visitar os jardins de Lisboa.
Visite o Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga.

Ansiosamente esperando pela nova taxa do Multibanco

Num raro momento de higiene financeira devolvi todos os cartões de crédito que possuía e que se foram acumulando no bolso sem saber como; por essa altura também encerrei umas quantas contas bancárias e de títulos mobiliários que tinha em diversas instituições. De tudo pagava inúmeras taxas e comissões que iam enriquecendo os banqueiros ao mesmo tempo que me iam sangrando lentamente. Concentrei toda a minha actividade financeira numa única instituição e conservei um único cartão: o Multibanco.
Agora ameaçam-me cobrar por cada utilização do mais moderno e eficaz meio de pagamento que alguma vez existiu; um meio de pagamento que não só me é útil como o é para o Estado e, sobretudo, para a instituição bancária que o emitiu.
No dia em que tal medida for posta em prática, nesse mesmo dia, devolvo o cartão; levanto todo dinheiro necessário para as necessidades do mês e guardo-o debaixo do colchão. Isso terá inclusivamente um efeito secundário benéfico: deixar de pagar anuidades pelo dito. A partir desse momento passarei a pagar todas as minhas despesas em espécie, independentemente do valor em causa ou do local de pagamento (levo um livro e vou para a bicha); também nesse dia começarei a cobrar os trabalhos que faço como independente em notas do BCE, da Federal Reserve, em ouro, prata ou troca de serviços - e isto antecipando o aumento do custo dos cheques e das transferências electrónicas pela Internet.
Aliás, vendo bem, até que a iniciativa da SIBS não é má para os indivíduos. A partir de agora ainda será mais fácil fugir ao Fisco.
Venha ela!

terça-feira, maio 22, 2007

Ainda os Pequenos Poderes

Gostaria de ser publicitário ou uma pessoa ligada ao Marketing, já que é gente que deve acima de tudo sublinhar os aspectos positivos das coisas e produtos que querem vender. Contudo, acho que pertenço ao grupo dos pessimistas realistas ou vice-versa que apenas quer viver no melhor mundo possível sem campanhas publicitárias e políticas demagógicas.
Claro que devemos reconhecer as coisas boas. Mas identificar as coisas más ou menos más não será uma forma de tentar solucionar esses mesmos problemas? Pelo menos chama-se a atenção para o que pode ser melhorado e talvez se consiga melhorar um pouco.
Os meus amigos acham sempre que eu tenho a mania que sou bom e que não reconheço o que está bem pois passo o tempo a criticar tudo e todos. Respondem: tu só fazes críticas que não são construtivas! Bom, até agora estou para perceber o que raio é uma crítica positiva. Será dizer bem do que se pensa estar mal só para agradar a quem nos ouve?


Há relativamente pouco tempo voltei a ser alvo dos pequenos poderes, pois recusei e recuso-me a vergar numa atitude medieval de subserviência, o que me pode custar a minha carreira. Neste mundo é necessário pertencer a um qualquer grupo para poder vencer na vida, quem pertence às franjas fica limitado a não ter emprego, não ter rendimentos, ser alvo de boatos que correm pelos corredores... É assim que funciona a sociedade baseada nos pequenos-grandes poderes.
O que se pode fazer para alterar isto? Fazer uma crítica construtiva dizendo, por exemplo, que uma certa máfia faz um óptimo trabalho na área do associativismo relacional? Mesmo que ela se limite à regulação da vida privada dos seus membros, a troco da projecção social, económica ou política desses afiliados, e se no processo fizer com que todos os que não lhe pertençam deixem de poder aceder a cargos, funções ou lugares para os quais possuem méritos e capacidades demonstradas, a crítica deve ser positiva, i. e. elogiosa!

segunda-feira, maio 21, 2007

Who cares?


600 anos de aliança (a mais velha do mundo, dizem); 300 anos de subserviência política e económica; 50 anos de destino de férias de milhões; 2 meses decorridos do começo da campanha ALLGARVE e Portugal continua a ser desconhecido pelos ingleses.
Se não veja-se esta tirada do respeitável Independent a propósito do caso da menina inglesa desaparecida e do papel dos media:

Some here [in Portugal] believe that the British [media] presence, in all its insatiable intensity, has shaken the Portuguese police service from a secrecy which is an overhang from the Communist regime, which remained until the revolution of 1974.

Mas também quem é que verdadeiramente se preocupa com a história dos seus criados?

Não é este o nosso futuro?


segunda-feira, maio 14, 2007

Avestunta

Estava para aqui sem inspiração e a matutar no que iria postar hoje, e já que a malta cá do sítio tem mais que fazer e deixa pró gajo daqui o cumprimento dos serviços mínimos, quando me lembrei que hoje é segunda-feira e é dia de postagem no pasquim do Mano Oliveira da minha avestunta favorita: João César das Neves.
Fui ver...
Liberal, como se pretende apresentar, insurge-se contra os excessos do Estado na regulação da vida pública e, liberal, como todos os liberais, acaba por defender a regulação pelo Estado da vida privada dos indivíduos - ainda estou para compreender porque é que os socialistas gostam de se imiscuir nas esferas privadas e os liberais nas públicas, quando apregoam exactamente o contrário.
Queixa-se, então, César das Neves de que «O futuro desprezará o tempo que deixou a vida e a liberdade nas mãos de miríades de burocratas, funcionários, inspectores, ministros, polícias e juízes. Técnicos que, pela sua acção, geram muitas vezes mais estragos e custos que qualquer benefício que julguem atingir. O défice mostra-o bem. Mas o défice é o menos.»
Queixa-se e queixa-se com razão, custa-me dizê-lo. Afinal bastaria haver um único instrumento legislativo para tudo – bem, dois – O Caminho, de José Maria Escrivá e, acessoriamente, a Bíblia, de Sabe-se Lá de Quem.
As «miríades de burocratas, funcionários, inspectores, ministros, polícias e juízes», poderiam assim ser substituídas com toda a vantagem pelos padres confessores, pelos irmãos do Santo Ofício e pelos juízes do mesmo órgão. Os primeiros registariam nos seus livros de desobriga quem cumpriu a obrigação de auto-denúncia; os segundos substituiriam a polícia na vigilância dos desvios, enquanto que os últimos aplicariam as penas costumeiras e que iriam desde a admoestação simples ao ser queimado vivo na fogueira.
Estaríamos desse modo num país onde não existiria a preocupação com o défice das contas públicas e teríamos eliminado toda a série de parasitas sabiamente enumerados pelo Sr. professor; lista a que posso acrescentar os infames deputados da Nação, ministros (ups! estes já estavam incluídos, leia-se então no seu lugar: entidades reguladoras) e Presidente da República. Qualquer um seria substituído com toda a vantagem económica – e também moral – por dignos e pios membros da Obra e, com menor proveito, por elementos oriundos da hierarquia eclesiástica, evitando assim a duplicação de funções que hoje já se verifica na sociedade.

sexta-feira, maio 11, 2007

Busca, busca...


Ao fim duma semana sem dormir, sujos e exaustos,
vão finalmente ver os filhos e as famílias.

terça-feira, maio 08, 2007

Bestialidade


Muito provavelmente este ataque pode ser visto como uma retaliação.
E a escalada há-de continuar.

(Última actualização: 19-08-2007)

sábado, maio 05, 2007

Portuga de A a Z

Um brilhante dicionário que mostra os nossos maiores defeitos, ou talvez virtudes...
Indispensável em qualquer biblioteca virtual...

sexta-feira, maio 04, 2007

E a Lei não é para os agentes da Lei?

Quartéis e postos da GNR receberam notificações para que os efectivos apresentem pedidos de transferência no âmbito da reestruturação daquela força, o que afasta qualquer compensação por mudarem de local de trabalho, disseram hoje fontes da corporação.

Com isto quer-se poupar uns cobres à custa de quem menos pode, mas ao mesmo tempo gastam-se rios de dinheiro com espectáculos públicos como são as paradas de opereta.
A ausência de notícias frescas não deverá ser impeditiva de concluir que, tal como em anos anteriores e à conta do Erário Público, foram transportados de madrugada centenas guardas do Cu de Judas Mais Distante para a Praça do Império (Perdido) onde, em dias sucessivos, fazem umas quantas piscinas, ouvem as balelas costumeiras dos políticos e das estrelas douradas, enquanto uns desmaiam e outros amaldiçoam entre os dentes os perus e pavões que ali se exibem.

Estes homens são pagos pelos cidadãos para assegurarem segurança de todos e, quando não estão ao serviço do cidadão, têm direito ao descanso e a família à espera, ou seja, têm vida privada.
Paradas, desfiles e outras macacadas são a última coisa que tanto os guardas como a sociedade precisam.

quarta-feira, maio 02, 2007

Madeira, o Paraíso Perdido

Uma coisa é certa – e isto é uma declaração de interesses – não gosto de Alberto João Jardim, ponto. Para mim é, de há muito, a figura mais execrável do panorama político nacional.
Não estou a pensar nas ameaças separatistas (que configuram o crime de traição à pátria), nem nas advertências do ressurgir da FLAMA (que configura o crime de terrorismo), nem nos remoques estúpidos aos cubanos (que são tiros no pé, já que está a insultar os seus insignes antepassados). Tudo isto são apogeus do seu populismo rasca, do seu discurso desbragado, chantagista e trauliteiro. O que sobretudo abomino é o modo como transformou a democracia numa fantochada; num regime medieval moral e, provavelmente, materialmente corrupto.


O desgraçado arquipélago da Madeira tornou-se nestes longos 33 anos num feudo onde os que se opõem ao soba da ilha são marginalizados, escorraçados e afastados da possibilidade de terem uma vida digna. Naquelas belas ilhas impera o nepotismo e o clientelismo mais desavergonhado.
Os seus chefes políticos são como mafiosos que protegem os seus e incitam à humilhação dos adversários como se inimigos fossem. Acicatam contra os críticos, ou contra aqueles que se querem manter afastados da podridão imperante, os seus seguidores, os seus esbirros e as massas ignaras, as quais, sendo por estes politicóides obscenamente chuladas, os protegem quais cães maltratados pelos donos mas sempre prontos para se deitarem aos seus pés, lhes lamberem as mãos e roerem os ossos magnanimamente lançados do alto da mesa.
Estes proprietários do governo e do parlamento regional, encabeçados pelo seu reizete, repartem entre si as prebendas e honras sustentadas pelo erário público. Distribuem pelos seus fiéis cargos, ofícios e negócios rendosos, chegando-se a anular concursos públicos simplesmente porque no seu decurso alguém se esqueceu de previamente avisar o júri a que criado do regime o lugar se destinava, entrando assim no lugar – que horror de incompetência corrupta! – o legítimo candidato.
Tudo isto com a conivência do poder político e judicial da República, mas sobretudo, e isto é que é revelador da cultura dum povo, com a conivência dos eleitores que os elegem.


Poderão dizer que nestes 33 anos a Madeira se desenvolveu como nunca antes.
Eu pergunto: Como se desenvolveria se não fosse uma República das Bananas?



(Imagens despudoradamente roubadas a We Have Kaos in the Garden)