segunda-feira, maio 14, 2007

Avestunta

Estava para aqui sem inspiração e a matutar no que iria postar hoje, e já que a malta cá do sítio tem mais que fazer e deixa pró gajo daqui o cumprimento dos serviços mínimos, quando me lembrei que hoje é segunda-feira e é dia de postagem no pasquim do Mano Oliveira da minha avestunta favorita: João César das Neves.
Fui ver...
Liberal, como se pretende apresentar, insurge-se contra os excessos do Estado na regulação da vida pública e, liberal, como todos os liberais, acaba por defender a regulação pelo Estado da vida privada dos indivíduos - ainda estou para compreender porque é que os socialistas gostam de se imiscuir nas esferas privadas e os liberais nas públicas, quando apregoam exactamente o contrário.
Queixa-se, então, César das Neves de que «O futuro desprezará o tempo que deixou a vida e a liberdade nas mãos de miríades de burocratas, funcionários, inspectores, ministros, polícias e juízes. Técnicos que, pela sua acção, geram muitas vezes mais estragos e custos que qualquer benefício que julguem atingir. O défice mostra-o bem. Mas o défice é o menos.»
Queixa-se e queixa-se com razão, custa-me dizê-lo. Afinal bastaria haver um único instrumento legislativo para tudo – bem, dois – O Caminho, de José Maria Escrivá e, acessoriamente, a Bíblia, de Sabe-se Lá de Quem.
As «miríades de burocratas, funcionários, inspectores, ministros, polícias e juízes», poderiam assim ser substituídas com toda a vantagem pelos padres confessores, pelos irmãos do Santo Ofício e pelos juízes do mesmo órgão. Os primeiros registariam nos seus livros de desobriga quem cumpriu a obrigação de auto-denúncia; os segundos substituiriam a polícia na vigilância dos desvios, enquanto que os últimos aplicariam as penas costumeiras e que iriam desde a admoestação simples ao ser queimado vivo na fogueira.
Estaríamos desse modo num país onde não existiria a preocupação com o défice das contas públicas e teríamos eliminado toda a série de parasitas sabiamente enumerados pelo Sr. professor; lista a que posso acrescentar os infames deputados da Nação, ministros (ups! estes já estavam incluídos, leia-se então no seu lugar: entidades reguladoras) e Presidente da República. Qualquer um seria substituído com toda a vantagem económica – e também moral – por dignos e pios membros da Obra e, com menor proveito, por elementos oriundos da hierarquia eclesiástica, evitando assim a duplicação de funções que hoje já se verifica na sociedade.

1 comentário:

Anónimo disse...
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