sábado, março 31, 2007

Porque hoje é sábado...

... faça-se uma pausa e aprecie-se porque há coisas que valem a pena.


Verdi - Traviata - Choeur Bohémiens
Uploaded by Quarouble

sexta-feira, março 23, 2007

Os patrões também querem mandar na hora

As confederações patronais querem mudar a hora legal em Portugal, tornando-a igual à de Espanha.
Os patrões portugueses, incapazes de tornarem as suas empresas lucrativas e competitivas no mercado nacional e internacional, encontraram mais uma desculpa para a sua incompetência. Depois de se queixarem do Estado, dos impostos, da burocracia, da lei do trabalho, dos trabalhadores, queixam-se agora que a hora legal os prejudica. Querem por isso que a hora mude.

Não interessa que isso lese o resto da sociedade e o País; não interessa que na União Europeia existam outras horas legais para além da que vigora em Espanha, França ou Alemanha e que esses países convivam bem com isso. O que é preciso é mudar, mesmo que isso se venha a reflectir na qualidade de vida dos seus empregados e dos seus concidadãos.
Ainda por cima invocam razões totalmente absurdas como se não houvesse no mundo países que, como Portugal, até têm diferentes horas dentro no seu território. Para estes empresários, devemos de ter a mesma hora da Espanha, mas não faz mal termos os Açores com uma hora de diferença do Continente e da Madeira. Uma hora de diferença da Espanha é complicado para eles, mas aos americanos, aos brasileiros ou aos russos não lhes passa pela cabeça tornar uniforme a hora dentro dos seus países e muito menos torná-la igual à dos seus parceiros económicos.
Se os nossos empresários se dedicassem a gerir os seus negócios e deixassem de procurar desculpas esfarrapadas para a sua ineptidão o país estaria sem dúvida muito melhor.

quinta-feira, março 22, 2007

De Rerum Natura

Um excelente nome para quem procura a explicação da natureza das coisas.
Um espaço criado por cientistas sem medo de descerem do seu pedestal para se dirigirem ao povo.
Oxalá outros façam o mesmo!

segunda-feira, março 19, 2007

A Nossa Opinião

Ainda bem que há no Poder quem já não majestaticamente se resguarde.
Assim outros fizessem.

sábado, março 17, 2007

Porrtugal e Allgarve


Portugal vive o sonho do novo-rico mas está a tornar-se num país de pacóvios embasbacados com piroseiras de ignorantes. Afinal não passamos de estúpidos suburbanos e só aspiramos a ser os criados, caddies e jardineiros dos estrangeiros que para cá vêm sem saberem onde estão e a quem nos vendemos quais reles prostitutos de rua.

Muitos hotéis de cinco estrelas – ... para arrebentar de vez com o que resta de paisagem natural neste país!
muitos campos de golfe – claro, aos portugueses pede-se contenção no consumo de água, mas aos campos de golfe...
muitas marinas - ... e os pescadores morrem a 50 metros da praia e à entrada das barras assoreados.
qualidade – tudo o acima (e abaixo) é de elevada qualidade para os PORTUGUESES.
voos de baixo custo - ... mas quer o Sr. Ministro os ricos para os complexos de cinco estrelas ou os pés-rapados do costume?
e mais estruturas aeroportuárias - ... dantes era uma universidade em cada cidade, agora é uma estrutura aeroportuária em cada estância...
melhores serviços de saúde – ... para os estrangeiros, obviamente. É bom que se comece a contratar de imediato médicos em Marrocos, pois já nem os espanhóis querem cá trabalhar!
novas regiões turísticas - ... para quê? Se é para serem como as que o Sr. Ministro quer não vale a pena, afinal não é tudo a mesma coisa: hotéis de cinco estrelas e campos de golfe? Aqui ou na Cochinchina?
condições fiscais vantajosas para os estrangeiros que escolham Portugal para segunda residência – E os portugueses não têm direito a condições fiscais vantajosas, ou é só para inglês... gozar? Se calhar os portugueses deverão começar a mudar a sua residência para uma caixa postal em Badajoz.
melhorar o ensino na área da hotelaria – cá está: criados dos estrangeiros. É evidente que para isso a Ciência, a Tecnologia, a Economia e a Gestão, as Humanidades não precisam de ser melhoradas.
reforçar a notoriedade da nossa marca turística Allgarve e outras que vão ser criadas – ... commo Allentejo, Lissboa, Opporto, Trrás-oss-Monntes e, ssem ddúvida Allqquevva.



Senhor Ministro, não nos envergonhe mais. Demita-se!

sexta-feira, março 16, 2007

O que valem os portugueses? (2)

Ainda sobre os serviços de saúde.
Vim a saber que mais uma criança nasceu a caminho do hospital, na ambulâcia. Se por acaso houvesse complicações no parto, quem é que garantia as tais condições de segurança que levaram ao encerramento de maternidades?
Ultimamente a política tem sido fechar centros de saúde, maternidades e acabar com determinadas especialidades por não serem viáveis, mas logo a seguir surgem projectos de criação de serviços de saúde explorados por grupos particulares e em associação com as misericórdias locais, nomeadamente em Mirandela, Espinho, Cerveira, Mealhada e Vila do Conde.
Os grupos privados investem neste sector porque têm perspectivas de lucros ou são apenas bons samaritanos que querem auxiliar as populações carenciadas? Será que toda a população pode pagar cerca de 70 euros para ser atendido naquelas regiões? Então e o dinheiro dos nossos impostos destinado a estes serviços vai para onde?
Enfim, abriu-se a porta à possibilidade dos serviços médicos passarem a ser feitos por particulares, o que não tenho nada contra. Contudo, considero que há determinadas garantias que devem ser dadas pelo Estado, que sublinho somos todos nós e não devia ser uma(s) entidade(s) qualquer/quaisquer que nos anda(m) a sugar o tutano.
Num país civilizado as pessoas pagam os seus impostos e vêem o seu dinheiro aplicado no que se considera ser o bem comum. O bem comum passa pela saúde e formação das pessoas. Para que queremos um Estado se não nos pode garantir essas condições mínimas? É preferível pagar a dezenas de milhar de assessores, secretárias, motoristas, carros, viagens, tudo gente que apenas pensa no seu bem-estar? Ou o Estado deve ser altruísta e garantir que TODOS os cidadãos nasçam, cresçam e se formem como cidadãos responsáveis em condições de segurança e com saúde?
Será que vamos optar pelo sistema americano em que cada um tem de ter seguro de saúde e, se por qualquer eventualidade (desemprego, precariedade do posto de trabalho, doença prolongada ou doença que não seja coberta pelo seu seguro...), não se tem seguro sujeita-se a ficar na estrada porque ninguém o irá tratar. É o tal sistema do utilizador pagador que só funciona se todos tivermos rendimentos estáveis, o que na sociedade de hoje é quase impossível.

Se enveredarmos por este caminho ele desemboca no individualismo puro e egoísta em que cada um cuida de si e desenrasca-se sozinho. A mentalidade é a do imediato e do vencer a qualquer custo. Será isso que queremos para nós próprios e para os nossos filhos? Pensar somente em nós, menosprezando todos aqueles que nos rodeiam e os que vierem depois de nós. Primeiro eu, depois eu e depois ainda eu, os outros não contam para nada, são mera paisagem.
Que era feito de nós se os nossos antepassados pensassem desta forma? E que diriam aqueles que lutaram durante séculos para que todos pudessem usufruir de cuidados médicos? Porque será que os cuidados de higiene e de saúde vêm descritos no Pentateuco, mais precisamente em Números e Deuteronómio? Não será porque desde muito cedo o Homem teve a noção de que deve zelar da melhor forma possível tanto pelo seu bem-estar físico como o dos restantes membros da comunidade?


quinta-feira, março 15, 2007

Há gente que quando pensa faz obra

Os chefes de governo da UE, não tendo mais nada que os ocupassem, decidiram impor a poupança de energia. Como medida mais inteligente – e em vez porem de lado os seus jactos e passarem a usar as linhas aéreas regulares – decretaram a obrigatoriedade de se passar a usar lâmpadas de longa duração à base de mercúrio, proibindo as seculares lâmpadas incandescentes de filamento de volfrâmio.
Outra medida néscia, sem dúvida pensada, discutida e aprovada pelo mesmo monte de talentos, foi o decretar a introdução de um duplo mecanismo de segurança nos isqueiros vulgares, ficando isentos desse disparate os acendedores de luxo – de certeza por não haver notícias registadas das mortes e severos aleijões provocados por tão perigosa arma.
As minhas fontes ainda não conseguiram determinar para quando está prevista a adopção da mesma medida para os fósforos e acendalhas.

Vladimir da Lapa

Entrou há pouco na Blogsfera e vai no bom caminho.
Assim continue.

terça-feira, março 13, 2007

Reciprocidade

Angola – usando do principio da reciprocidade – proibiu a condução de viaturas automóveis por detentores de cartas portuguesas.
A medida até podia ser gravosa para incautos portugueses caso Angola não fosse um dos países do mundo onde é mais fácil e barato comprar uma carta de condução... de qualquer nacionalidade.

domingo, março 11, 2007

Num Domingo Ensolarado com o Carro do Patrão

Domingo, 11 de Março de 2007, c. 15:30
Um dia de muito sol e calor.
Uma viatura da Gebalis (Gestão de bairros Municipais de Lisboa, EM) com o que parece ser uma prancha de surf no acesso à portagem da Ponte 25 de Abril.

Parece que os problemas da empresa ainda não afetam o uso das viaturas.


(Clique na imagem para ampliar)

Os Pequenos-Grandes Poderes

Visitando a página do Gato Fedorento encontrei uma referência ao que se designou de “pequenos poderes” que levantou uma certa celeuma na blogosfera. Estes pequenos poderes, que podem não ser tão pequenos como isso, são assim chamados pela mesquinhez, maldade e tacanhez de mentalidade, contudo pela capacidade de destruição de tudo o que lhe possa fazer concorrência podem assumir proporções alarmantes.
Alguém me perguntou um dia o que fazer para travar isto? Entrar em conflito, juntarmo-nos a eles (já que os não podemos vencer)? A minha resposta foi continuar com a nossa vida e com o que pensamos ser o correcto. Foi o que me ocorreu, pois não vejo a vida como uma constante guerra com todos ou uma competição com tudo, nem me passa pela cabeça juntar-me aquilo que não valorizo: mediocridade, falsidade, chico-espertice, falta de respeito pelos outros...


Estes pequenos poderes estão em todo o lado e geralmente têm capacidade para nos destruir a vida ou pelo menos para nos cortar as pernas. Não, não estou a falar em teorias da conspiração, antes estivesse.


Vejamos um caso concreto:
Há uns anos estando no desemprego, depois de ter sido preterido mais uma vez em concursos públicos por pessoas com cunhas e depois de concorrer a todos os anúncios e pedidos de colaboradores que vi (apenas fui a duas entrevistas sem consequência, os outros nem responderam) encontrei um amigo que se ofereceu para me ajudar. Eu aceitei, estava desesperado e tinha a casa para pagar.
A solução era substituir esse meu amigo num período curto de tempo em parte das suas funções, contudo as intenções desse meu amigo eram que eu e a pessoa que vivia comigo integrássemos o que se chama uma associação secreta que não é tão secreta como isso. A associação tinha um preço e isso traduzia-se na aceitação de determinadas regras.
Nós (casal) falamos sobre isso e resolvemos que esse não era o nosso caminho. Continuei a substituir o dito amigo e “miraculosamente” à pessoa que vivia comigo também surgiu uma resposta positiva numa das várias tentativas de arranjar emprego. As finanças melhoraram e isso possibilitou-nos assumir mais uns quantos encargos e até avançar para o casamento, oficializando a nossa relação. Contudo, continuámos a seguir a nossa consciência e não casámos pela Igreja. As consequências não se fizeram esperar: a minha colaboração chegou ao fim e o contrato da pessoa com quem vivia também. Voltámos à estaca zero.
Moral da história: ou se faz o que nos mandam ou não temos direito a nada.
Quem disse que a História não se repete?

sexta-feira, março 09, 2007

Vale a pena ler ...


Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.
Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu. Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau.
Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.
Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.
Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.
A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães.
Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos. Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos.
Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto. Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.
E o Cavaco?
O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.
FIM
(Autor desconhecido)

Televendas – uma profissão com futuro

Depois de duas horas de intensíssima formação, onde foram ensinadas as mais recentes técnicas de venda telefónica e adestradas todas as especificações técnicas do produto a vender – amplamente documentadas em cinco molhos de fotocópias de fotocópias – os candidatos a televendedores são submetidos a um exame das competências que tão destramente ministradas foram por uma experimentadíssima profissional do ramo.
Na prova que determinará a admissão ao almejado estágio de quinze dias dos candidatos à nobre profissão de telefonar para casas particulares naquele preciso momento de introspecção em que todos aproveitam para enviar um fax para a Tunísia ou então à hora em que o caldo está no lume a aquecer e as crianças berram, pulam e esperneiam gastando as suas últimas energias e as réstias de paciência dos adultos, a examinadora, a mesma criatura recém-saída da puberdade que provera tão expedito curso, faz o papel da incauta vítima a quem se vai impingir a banha da cobra, enquanto que o candidato se esmera para demonstrar como é bom na arte de vender pentes a carecas nos cinco segundos que a maioria dos contactados reais leva para fazer uma alusão à conduta sexual duvidosa da mãe do vendedor antes de desligar o telefone.
Detentora de dilatadíssima experiência, possuidora de ambição tão arrogante quanto a pedantice que a falta de bom chá na infância faculta, a examinadora dá largas à alarvidade ao condenar um candidato por não usar a sacrossanta expressão «Senhora Dona» no seu fictício discurso de vendedor, usando em vez disso a elementar mas insidiosa locução «Senhora».
De imediato emerge a prepotência longamente reprimida perante os superiores hierárquicos, seus arquétipos comportamentais, e instantaneamente o pobre candidato se vê chumbado e afastado da possibilidade de auferir o ordenado de consultor de empresa pública que lhe estava garantido caso a prova fosse bem sucedida: 3 €/h líquidos (três euros líquidos à hora, cerca de 600$00) mais 2.68 € de subsídio de almoço que não pode ultrapassar os 15m/d (quinze minutos por dia).
Embora não pareça, esta história é na sua essência verdadeira e há quem trabalhe em Portugal por este valor. Um valor que nem o maior negreiro defensor do salve-se quem puder tem a ousadia de oferecer à sua mulher-a-dias.

quinta-feira, março 08, 2007

Neste dia da Mulher


Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas lutam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se contra a injustiça.
Elas não levam “não” como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem sapatos novos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e alegram-se quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversário ou um novo casamento.

Pablo Neruda

Hoje é o dia da mulher...


... a minha homenagem a todas


quarta-feira, março 07, 2007

segunda-feira, março 05, 2007

A nova exposição temporária do Museu Nacional de Arte Antiga















Os retábulos de altar e as imagens devocionais (pinturas, esculturas e relevos) que esta exposição apresenta foram seleccionados da colecção de arte medieval do Museu Nacional de Varsóvia.

A selecção de peças é bem demonstrativa da evolução das principais expressões criativas e das declinações formais da arte gótica num vasto espaço territorial centro-europeu, surpreendendo não só pela escala e magnificência visual de muitas das imagens, como também pela complexidade dos seus referentes plásticos face a modelos e centros polarizadores (Itália e Flandres) da arte ocidental europeia durante a Baixa Idade Média.

A cronologia, a iconografia, o uso ou a função das imagens, ainda que referenciais, não estruturam matricialmente a narrativa da exposição. A optimização das condições de visibilidade de duas disciplinas artísticas distintas, da pintura e da escultura, foi também considerada na organização de dois percursos que pontualmente se entrecruzam.
Ficam aqui alguns exemplos, para aguçar o apetite. Imperdível.











sábado, março 03, 2007

O Culto da Arte em Portugal

Estou a deliciar-me com a leitura de uma obra recentemente adquirida e intitulada o Culto da Arte em Portugal.
Saída da pena de Ramalho Ortigão e com um cheirinho a "Farpas", faz uma análise crítica do panorama cultural do Portugal de finais do século XIX. Dirigida pelo autor à Comissão dos Monumentos Nacionais, traça um retrato, nada abonatório dos monumentos portugueses, dos restauros a que são sujeitos, da anarquia estética e da decadência cultural em geral. Não fosse a data de publicação quase diríamos que tinha saído do prelo recentemente, tal é a actualidade da mesma.

Escreve Ramalho Ortigão:

"A autoridade, incerta, vagamente definida, a quem tem sido confiada a conservação e a guarda da nossa arquitectura monumental, procede com esse enfermo, de quem se incumbiu de ser o enfermeiro, por dois métodos diferentes: umas vezes deixa-o morrer; outras vezes, para que ele mesmo não tome essa resolução lamentável, assassina-o."

E ainda...

"A decapitação oficial da nossa educação artística manifesta-se ainda de mais perto, acotovelando-nos e contundindo-nos por toda a parte, no aspecto do povo, na estética das cidades, na aparência dos prédios, na decoração das praças, das avenidas, dos cemitérios, dos jardins públicos..."

Originalmente publicada em 1896, teve uma reimpressão, não datada, próxima da morte do autor (1915). Recentemente foi editada pela Editora Esfera do Caos. Uma boa leitura a fazer lembrar que a Arte de Roubar não é só de agora...

O que valem os portugueses?



As reformas constantes do nosso país já não são uma novidade: as moscas mudam... e os portugueses são quem fica a perder.
As mudanças constantes e as vagas reformistas do ensino traduziram-se naquilo que se sabe da qualificação dos alunos à saída da escola e agora no descrédito dos professores. Hoje é possível um pai classificar o professor do seu filho, amanhã se calhar os doentes poderão fazer o mesmo em relação aos médicos e os acusados na Justiça dar notas ao juiz: positiva se saírem em liberdade ou negativa se os condenar.
A política de saúde também é modelar neste aspecto. Fecham-se sistematicamente valências hospitalares, SAPs e maternidades, pois não têm “condições de segurança”, seja lá o que isso for. Como resultado as portuguesas têm de ir para Espanha para ter as suas crianças, mais ainda os portugueses dirigem-se para o estrangeiro para poderem ser seguidos pelos seus médicos.
Os alentejanos, por exemplo, deveriam ser considerados uma “raça” em extinção, pois nascendo em solo espanhol facilmente poderão pedir a cidadania espanhola, o que já deve ter ocorrido a muitos. A alternativa é sujeitarem-se a ter as crianças na ambulância, o que acontece há décadas em regiões do Baixo Alentejo, onde parece haver um bombeiro “formado” em partos na estrada – provavelmente estes partos ocorrem com as tais “condições de segurança” necessárias!Mas o que é mais interessante é fecharem-se valências hospitalares do Estado alegando não haver possibilidade de as manter e, logo a seguir, surgirem projectos de hospitais privados, onde essas mesmas valências vão existir. Veja-se o caso de Mirandela. Então se é público não se justifica a existência de maternidade e se for privado já se justifica e até é rentável?

sexta-feira, março 02, 2007

Manif x OPA - Castro x Portas

Perante o dilema de fazer o frete ao Capital ou ao Trabalho a RTP optou pelo Capital.
Por outro lado, continua a fazer fretes a qualquer um que queira tempo de antena gratuito em horário nobre.
Ontem Paulo Portas, hoje Ribeiro e Castro. Gostaria de saber se é isto que se aprende nas faculdades de jornalismo deste país?

terça-feira, fevereiro 27, 2007

É normal...

No futuro... pedintes

Com a aplicação do factor de sustentabilidade e a alteração à fórmula de cálculo das reformas os trabalhadores mais novos ao se aposentarem vão perder mais de metade do valor da prestação mensal por velhice, de acordo com um estudo do economista Eugénio Rosa.

Perante notícias frequentes como esta o que deve pensar o actual contribuinte da Segurança Social?

Continuará ele a acreditar na solidariedade intergeracional quando as gerações que beneficiam e ainda beneficiarão deste sistema se estão marimbando com os vindouros?

Não terá chegado a altura de acabar com a Segurança Social e dizer desenrasquem-se por vós próprios?

Só mais uma pergunta:
Quantos trabalhadores com salário mínimo são necessários para pagar uma reforma de general, conselheiro, político, gestor público ou de qualquer outro nababo?

No futuro restar-nos-á a caridadezinha cristã tão ao gosto dos ditos liberais de hoje.

sábado, fevereiro 24, 2007

Isto é que é um verdadeiro artista...


Em entrevista ao Expresso (24 de Fev.) o grande Alberto João afirma que «Em qualquer país normal, Sócrates estava no olho da rua». As palavras do grande sábio dão que pensar! Mas, uma questão logo se impõe. Então e num país normal e a sério, onde estaria Alberto João?
Continuando na sua douta análise à política nacional afirma o presidente demissionário do Governo Regional da Madeira que "Sócrates não passa de um tigre de papel”! Cá está a resposta à dúvida anterior! Porventura num país normal Alberto João Jardim não passaria de um grande artista...de circo.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A Arte está a refinar-se...

Estamos a mudar... quem sabe se para pior (o que é difícil)!

Vamos a ver se desta vamos além duma operação de estética.

domingo, fevereiro 11, 2007

... e os próximos referendos são:

Tratado de União Europeia
e
Regionalização

... se os nossos políticos tiverem a coragem de deixar o povo decidir, o que eu sinceramente duvido.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O meu SIM

Independentemente da lei que vigorar e independentemente da opinião que cada um defenda relativamente ao abordo um facto é incontestável e insofismável: as mulheres vão continuar a abortar como sempre abortaram e isto malgrado as penalizações a que as possam sujeitar ou dos problemas éticos e morais com que tenham de se debater antes e depois do acto.

O que está em causa neste referendo é o permitir a estas mulheres abortarem em condições técnicas e higiénicas seguras sem terem de, para isso, se deslocarem ao estrangeiro se para tal tiverem meios financeiros.

Por isso votarei Sim no próximo dia 11 de Fevereiro.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

sexta-feira, janeiro 05, 2007

RTP - Memória

A Marta do Corta Fitas trouxe-me à memória velhas séries de televisão que marcaram a infância de milhares de crianças numa época em que não havia grandes divertimentos para além de andar a caçar pássaros e a apanhar ninhos. Obrigado!

Confesso que gostaria de voltar a ver essas séries. Muito provavelmente desfazer-se-ia muito do meu imaginário, tal como aconteceu com o Espaço 1999 recentemente revisto graças à SIC-Radical e à edição em DVD.
O local ideal para rever essas séries, na minha modesta opinião de financiador compelido da RTP através da conta da electricidade, é a RTP-Memória, aquele canal que ninguém vê por insistir em passar o pontapé na bola e o mergulho no pelado do Ano da Graça de 1890.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

sábado, dezembro 30, 2006

A Toca do Túlio

Dá-se aqui as boas vindas a mais um blog que promete pôr-nos a pensar.
Felicidades

sábado, dezembro 23, 2006

Da cevada para as bestas aos carros com motorista

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, aposta na centralização do parque automóvel para reduzir os gastos a partir de 2007. A manutenção dos 28 167 automóveis do Estado custa aos cofres públicos 67,4 milhões de euros por ano.
E por isto o governo prepara-se para entregar à central de compras do Estado a gestão da frota.

Uma solução verdadeiramente eficaz seria reduzir a frota automóvel do Estado ao mínimo dos mínimos, acabando com estas formas de representação do poder absolutamente medievais.

Se o contínuo dum serviço público tem de ir pelos seus próprios meios para o trabalho...
E já agora, que dizer dos oficiais das forças armadas, GNR, PSP, etc. com carro e motorista?
E que fazer quando os carros oficiais são usados para fins particulares?

Em relação a isto está-se numa situação caricata que vem dos tempos medievais em que os cavaleiros da Casa Real tinham direito a uma diária de ração para as bestas sobre as quais se deviam pavonear. O que se passa hoje com os carros e motoristas é um remanescente deste espírito peneirento e socialmente elitista. É a forma de muitos alguéns se mostrarem importantes e, como tal, merecedores do respeito e da reverência daqueles que os sustentam. Só que, se assim obtêm conforto e ganho finaceiro, em tudo o resto só atraem o desprezo e a chacota dos seus concidadãos.
O Estado tem de ter a coragem de acabar com estas prebendas, pois em vez de o prestigiarem são motivo de escárnio e reveladoras do nosso atraso cultural.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tenha-se Piedade...

É óbvio que este logotipo foi feito por um gabinete de comunicação e imagem que ponderou todas as leituras que a nova imagem pode transmitir.

Também é óbvio que alguém na Casa Pia se pronunciou favoravelmente ao desenho final.

Se me tivessem pedido a opinião teria sugerido uma cor diferente, talvez fúcsia... não?

sábado, dezembro 16, 2006

Já não basta ser um número...

A privacidade a a par da liberdade individual e colectiva nas sociedades ocidentais foi a maior baixa do 11 de Setembro. De lá para cá temos assistido a coisas impensáveis em sociedades que julgávamos democráticas, regidas pela Lei e por princípios morais construídos ao longo de, pelo menos, 2500 anos de civilização. Hoje em nome da segurança e do combate ao terrorismo temos sido roubados muitos valores que tínhamos por adquiridos.
Mas... é que nem por isso estamos mais seguros, senão veja-se o que agora se diz sobre os novos passaportes cujos meios de segurança apresentam falhas graves.

Disto depreende-se que:
1. Alguém andou a vender gato por lebre, ganhando uns cobres à conta dos contribuintes
2. Afinal a minha família e parentela ainda não é desta que vai para o desemprego.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Esfera privada

Günther Verheugen, vice do Presidente da Comissão Europeia, foi visto - e fotografado - nu na companhia duma sua subalterna na Comissão, noticia Times Online.
O pior da moralidade americana e do voyeurismo britânico começa a aparecer na imprensa europeia, violando claramente o direito à privacidade das pessoas, nomeadamente das figuras públicas.
Isto não deveria ser notícia em parte alguma do mundo. Trata-se de algo estritamente privado, envolvendo adultos agindo livremente.
Tal só deveria e bem ser notícia se existisse alguma violação das obrigações oficiais ou legais dos envolvidos, o que de acordo com a notícia não parece ser o caso.
Assim trata-se de baixeza pura de que os jornalistas são cúmplices.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Causa Nossa

Vital Moreira no Causa Nossa acha que todo o estacionamento deve ser pago, pois o facto de se ter carro não dá direito à ocupação da via pública.

Também acho, mas não só o estacionamento deveria ser pago. O uso de qualquer estrada, rua ou caminho público também deveria estar sujeito a pagamento.
Aliás, todos os utilizadores do Público, além de pagarem impostos, deveriam pagar tudo o que é... público, desde o ar que respiram até à calçada que pisam quando põem o pé fora de casa.
Só assim se atingirá a justiça plena segundo o princípio do utilizador pagador.

terça-feira, novembro 28, 2006

Sá Carneiro - será desta?

Numa entrevista à revista Focus, a publicar quarta-feira, José Esteves assume ser o autor de um engenho que fez explodir a aeronave Cessna onde seguiam o então primeiro-ministro português Francisco Sá Carneiro, a sua mulher Snu Abecassis, o chefe de gabinete António Patrício Gouveia, e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, assim como os dois pilotos do aparelho, a 4 de Dezembro de 1980.

Será que é desta que temos o epílogo desta telenovela?
Será que saberemos quem foi o mandante?
(a mesma pergunta mas no plural)
Será que tudo isto não está já prescrito ou temos pela frente mais uma batalha judicial?

Aguarda-se as cenas dos próximos capítulos.

sábado, novembro 25, 2006

Iluminações Natalícias

Chegada esta altura do ano não faltam por todo o lado as iluminações decorativas alusivas ao Natal, essa festa religiosa que celebra o nascimento do Messias no sítio mais pobre e desprovido que podia ter havido, festa que hoje está transformada num mercado de futilidades.
As iluminações natalícias estão dentro deste último espírito.
Até aqui nada a opor. Cada um festeja o seu deus como acha que ele gostaria de ser festejado. Só me custa que me peçam para poupar energia quando os órgãos municipais e de estado a esbanjam.
Querem que eu desligue completamente da corrente eléctrica as televisões, rádios, leitores de discos, computadores, etc.; pedem-me para ser contido nos gastos com aquecimento e refrigeração; querem que ande de transportes públicos em vez de no meu carro, mesmo quando esses são completamente ineficientes. Tudo para poupar energia e reduzir as emissões nacionais de CO2, ambas com custos financeiros muito elevados.
O Estado e municípios que se preocupam, e bem, com esses custos permitem estes desperdícios que agravam muito mais os problemas do que o consumo energético de vários milhões de portugueses ao longo de vários meses.
Sejamos consistentes que com o apregoamos e deixemo-nos de tretas.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Que há de novo debaixo do Sol?

O Benfica perdeu.
O Porto e o Sporting ganharam.
Tom Cruise e Katie Holmes casaram.

Para além disso, que há de novo debaixo do Sol?

É que por momentos a minha atenção foi roubada...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Guerra de libertação


«Uma mulher israelita morreu e outra pessoa ficou ferida, esta quarta-feira, na sequência do lançamento de dois ‘rockets’ disparados desde a Faixa de Gaza sobre a localidade de Sderot, no sul de Israel, anunciaram fontes médicas.» CM – 15-11-2006 (ed. electrónica)

- Agora vou ver o que se diz disto nos sítios do costume.

terça-feira, novembro 14, 2006

SINFONIA OPUS ZERO

A SINFONIA OPUS ZERO é a mais nova descoberta desde o Código DaVinci. Vale a pena dar uma vista de olhos e, quem sabe ver se as inscrições ainda estão abertas.

sábado, novembro 11, 2006

11-11-1918

À 11ª hora do 11º dia do 11º mês iniciou-se o cessar-fogo que pôs fim à I Grande Guerra Mundial.
Uma data duma guerra hoje esquecida entre nós e da qual já não haverão sobreviventes.
Nela participaram soldados portugueses mal treinados, mal equipados e mal comandados.
Muitos ficaram estropiados, mais gazeados, muitos outros morreram gloriosamente como tordos em dia de abertura de caça.


Em sua memória e para que outros não lhes sigam os passos.
Descansem em paz.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Mais uma vez os judeus (actualização)

Em EU Referendum faz-se um resumo dos massacres de carácter duvidoso alegadamente levados a cabo por Israel.
Obviamente que é a versão duma das partes do conflito, mas vale a pena gastar uns minutos na leitura, seguindo inclusivamente os links.
Nesta visita deixem-se guiar pela razão e aí verão até onde vai o desrespeito pelas mais elementares normas éticas e morais.

Mais uma vez os judeus

O Blog Anti-Direita Portuguesa manifesta-se hoje, e uma vez mais, contra os judeus e Israel.
Só são de lamentar os seus esquecimentos sucessivos dos ataques sistemáticos de que Israel é vítima.
Isto é que são dois pesos e duas medidas.
Isto é que é anti-semitismo primário.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Alguém está a chamar-me estúpido...

Segundo o Governo a taxa de adesão à greve de hoje foi inferior a 12%, já para os sindicatos foi de 80%.
(SIC Notícias)
Não é preciso ser muito esperto para saber que alguém está a mentir e a chamar-me estúpido.
Confesso que gostaria de saber quem é, mas quase que aposto que são as duas partes.