quinta-feira, julho 05, 2007

Gostei de ler

A nova liberdade de expressão tem destas coisas: a discussão pode ser feita em casa.

Três
Dois
Um

Vamos agora esperar pela continuação na esquina e no café, mas, por favor, atenção à sensibilidade social.

Desabafos...


"Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele... e depois ganha-te em experiência"

Não sei de quem é a autoria, mas que é uma grande verdade, é!

quarta-feira, julho 04, 2007

Reciprocidade II

A TAAG foi proibida pela Comissão Europeia de voar para a Europa.
O governo angolano retalia e prepara-se (ou já o fez) para proibir as companhias aéreas europeias de voarem para Angola.


Será que naquele país de anedota não há quem ache que melhor seria resolver os problemas da TAAG que estiveram na base de tal proibição, ou não sendo essas razões reais não deveriam ser contestados com factos? É que quem se lixa nisto tudo não são as companhias aéreas europeias são os angolanos e a economia angolana.
Mas enfim, daqueles governantes espera-se tudo, até reciprocidade.
Já agora, nesta proibição europeia também está incluído o avião pessoal do presidente angolano?

terça-feira, julho 03, 2007

A verdadeira arte de roubar (a atenção de quem assiste)

Tive o prazer de ver este espectáculo há cerca de um ano atrás, num dos raros momentos televisivos de qualidade e serviço público da RTP.
Recomendo a quem goste do género não só pela letra da música, mas pelo arranjo musical, pela intérprete, enfim por tudo.

A Solução Final é a seguir, não?


Via Renas e Veados cheguei a este artigo do Guardian que em baixo se transcreve.

O país cuja população colaborou em larga escala com os nazis na perseguição aos judeus é o mesmo país que durante décadas foi sujeito à humilhação do jugo soviético, com as consequentes restrições às liberdades individuais e colectivas. Este país está agora a iniciar perseguições desprezíveis fazendo lembrar os tempos que antecederam a Noite de Cristal.
O país europeu em que a Igreja Católica tem mais influência deveria olhar para a sua história e para a história da sua Igreja e colher nelas os exemplos que ninguém quer ver repetidos.
A Igreja Católica, em todo o lado, tem a obrigação moral de agir para que os seus membros ajam de acordo com os princípios mais elementares do Evangelho, ou será que só para algumas causas invoca a dignidade e sacralidade da vida humana?
A União Europeia, instrumento dos estados europeus para evitar a repetição das vergonhas ocorridas entre 1932 e 1945, tem de tomar uma posição firme e inequívoca em relação aos direitos humanos naquele país.
Portugal, que embandeirou em arco as suas funções de caseiro a prazo da União, não pode esquecer as pregações que faz nos fora internacionais pelos direitos humanos e tem de fazer algo que contribua para pôr fim a esta vergonha.
A Polónia, se não quer comportar-se como um país civilizado, deve deixar a união Europeia e voltar para a Idade das Trevas de onde saiu.


Thousands flock to Britain as Health Ministry unveils plans to 'cure' them
Colin Graham in Warsaw
Sunday July 1, 2007
The Observer


Polish gay rights groups claim thousands of homosexuals have fled the country to escape increasing persecution.
Robert Biedron, 27, the head of the Polish Foundation Against Homophobia, said that 'huge numbers' of Polish gays had left the country following the rise to power of the right-wing government. He said: 'It is incredible. The Polish gay community has just left because of the climate of fear and persecution.

'Most of the people I know are now in England because of the current political situation. Not for economic reasons, but because of the persecution of homosexuals going on here. It's impossible for gays to be themselves in Poland.'

He added: 'Around two million Poles have left the country seeking work and thousands of gays are among them. Many gays are approaching our foundation for help in emigrating to the UK.'
Kamil Zapasnik, 22, a gay student who moved to London because he wanted to marry, said: 'It's very important to me that I am able to have a civil partnership and adopt children. In the UK I have that freedom.'

Poland's Roman Catholic right-wing government has openly homophobic members and Polish media recently announced that the Health Ministry had created a special committee responsible for 'curing' gays.

The Deputy Health Minister, Marek Grafowski, said that the ministry was also planning to identify how many people in Poland were gay and work out a set of behavioural guides to assist parents and teachers so that they can recognise any warning signs of potential 'gay behaviour'.

Polish police have also been compiling a database on gays and the gay community in Poland which, although illegal under EU law, is apparently being done as part of a police investigation into a bomb threat two years ago by a gay man. He had reportedly identified himself as a member of the gay community who was angry when a gay rights march was banned in Warsaw.

'The police are not allowed to catalogue "homosexual data", but it's enough to look into the police investigation associated with the bomb in order to establish a list of names and addresses,' said Ewa Kulesza, a former personal data protection general inspector.

It is not just the police who are openly homophobic. Lech Wojtewski, 23, from Warsaw, said his doctor had referred him to a vet when he went to for a check-up. 'He told me there was a specialist for people like me and gave me an address. When I got there it was a vet.

'I called him and he said, "What did you expect? You are an animal".'

When Krystian Legierski, 29, opened a gay club, Le Madame, it was shut down by Warsaw local authorities who hired private security guards to break down the doors, despite an appearance there by John Malkovich a day earlier.

'I understand why people emigrate, but injustice can only be rectified by resistance, not emigration,' Legierski said.

... e gostam de Bach!



Bach: French Suite no 5, parte 1
Glenn Gould

Gostei de Ler

segunda-feira, julho 02, 2007

A propósito de António Balbino Caldeira



Gostaria de aconselhar uma obra que, tanto quanto sei, ainda não foi publicada em Portugal por uma editora portuguesa. Vá-se lá saber porquê, embora provavelmente até saiba!
Apesar de tudo, os portugueses encontram sempre forma de contornar o sistema e assim lêem a edição brasileira que rapidamente se esgota nas livrarias sempre que aparece. Trata-se de Michel Foucault, Vigiar e Punir e já vai, pelo menos, na 27.ª edição.
Foucault constatou há muito que o poder é sempre coercivo ao utilizar a força da punição para “normalizar” tudo o que se afaste do considerado aceitável. Esta atitude por parte do poder tem em vista a centralização desse mesmo poder e a subjugação da sociedade e dos indivíduos que domina. Nesta concepção, a Justiça é uma das “armas” do poder; um instrumento que castiga quem se afasta da normalidade.
Como sempre ocorre, existem outras teorias alternativas, sendo uma delas a de Hannah Arendt que defende o poder criativo para conseguir a reunião livre das vontades em vez da divisão e do confronto. Neste sistema, a palavra deve corresponder à prática e ter conteúdo. Para Arendt o poder coercivo de Foucault é violência.
Resumindo e concluindo, existem duas faces do poder: a de Foucault que pretende vigiar e punir, mesmo a opinião; e o poder criativo de Arendt em que a solidariedade e cooperação se baseiam em vontades e palavras com conteúdo. Em extremo, neste último caso, a palavra é em si criadora pois a partir dela desenvolvem-se as ideias. Mas as palavras por si só não criam, sendo necessário reunir vontades e solidariedades de forma efectiva.
Sob que tipo de poder queremos viver? No teorizado por Foucault, em que o poder é coercivo e que vigora (aparentemente) até ao presente, ou no postulado por Arendt?
No que a mim me toca prefiro claramente Arendt. Se optarmos por este último modelo, os cidadãos devem participar na vida política e os políticos que os representam devem reunir as vontades de todos, ou pelo menos da maior parte, para a construção e criação dum futuro melhor. E todos estes conceitos que referi devem querer dizer exactamente aquilo que vem no dicionário. Não podem nem devem ser chavões publicitários vazios de conteúdo e apenas ficam bem nos “outdoors”, como se diz agora.

...apoia sob condição


A liberdade de expressão é um direito fundamental da democracia.
É legítimo alguém que se sente atingido na sua honra procurar reparação nos tribunais já que são o local constitucionalmente destinado ao efeito, os quais até à última instância poderão dar razão a qualquer uma das partes.
Do que se apresenta em Do Portugal Profundo nada parece indiciar ter sido ultrapassado o limite entre o que é facto e invenção difamatória.
Um processo judicial em Portugal é sempre um pesadelo para as partes, principalmente para as social e economicamente mais fracas.
O nosso processo penal é kafkiano e mantém características que vêm desde a Idade Média e do Santo Ofício, pelo que as demandas se arrastam até à eternidade com inimagináveis custos pessoais e financeiros a ponto de quando um inocente é absolvido se encontrar em situação de não poder beneficiar do estatuto de inocência prévia ao início desse mesmo processo.

Os inocentes vítimas dos códigos de processos judiciais portugueses, para além da honra perdida, ficam sem os bens materiais que foram arrestados, confiscados ou apreendidos e que entretanto lhes não são devolvidos ou quando o são perderam valor por danificados, desvalorizados ou não rentabilizados. A tudo isto somam-se as despesas tidas com a representação legal e a produção de prova das quais não são ressarcidos nem pelo Estado nem pelas partes vencidas no processo.
Um processo deste género em Portugal – sendo algo de legítimo e um direito que assiste ao cidadão – é frequentemente usado como um instrumento de agressão à outra parte, e é isto que urge evitar a bem da democracia e do Estado de Direito.

Novela nortenha...

Citando o Sol, "Fernanda Freitas, co-autora do livro Eu, Carolina acusa a ex-companheira de Pinto da Costa de não ter apresentado provas que confirmassem as suas acusações e de ter alterado a versão final do ‘best seller’, que Fernanda tinha escrito".

Lá está, eu que sempre acreditei na (kof kof) inocência de Jorge Nuno.
Falta a essência, as tais provas.

Afinal as batatas que tornaram o Major Valentim famoso também nunca apareceram, ou pelo menos nunca foram vomitadas por ninguém.

Massagens no ego, ou talvez não

De acordo com o Technorati, recentemente referenciaram-nos ou citaram-nos os seguintes blogs:

A Sinistra Ministra, Apanha-Moscas, Blog com Tomates, Blogador, Câmara Corporativa, Carreira da Índia, Ladrões de Bicicletas, Maria, Minhas Artes, Miss Pearls, Notas ao Café…, Notas do Kaos, O Bico de Gás, O Jumento, O Piolho da Solum, oBiToque, Pimenta Negra, Poço dos Negros, Rei dos Leitões, Sinfonia Opus Zero, Um estranho magricela..., Vladimir da Lapa, Wehavekaosinthegarden, Zero em Conduta.

Sem dúvida que muitos vieram ao engano, como o demonstra o Statcounter:
... rouba tudo quanto poderes, como roubar cartao de credito completo?, como roubar banda, mensagens para familiares falecidos, roubar contas, brincadeira de roubar rabinho, roubar na europa...
A todos estes visitantes (brasileiros), pedimos desculpa se os defraudámos e prometemos tentar no futuro dar-lhes a resposta que procuravam.
Voltem sempre.

Apoiado













Como era de esperar o patronato desta casa apoia incondicionalmente esta campanha.

domingo, julho 01, 2007

Novo Estado ou Estado sem Estado?

Finalmente alguém a dizer o que já aqui tenho dito e apelado: um Estado sem impostos II.
Fico agora à espera dos novos desenvolvimentos sobre como funcionaria uma tal sociedade, nomeadamente no que se refere ao modo de lidar com as pessoas incapazes de sobreviverem num tal regime ou que desempenhem funções hoje tidas por socialmente relevantes mas improdutivas na perspectiva mercantil subjacente ao conceito.


(Imagem cedida sem o saber por Semiramis)

sábado, junho 30, 2007

Sunday night sex show

Silêncio, que vos fala a Dr.ª Ruth, the real sex machine.

Porque hoje é Sábado

Para rir um pouco e a pensar nas polémicas sodomitas:



(Só espero que agora não me recomendem ou apliquem a pena do Levítico 20, 13... pensando bem, a maior parte delas são bastante tétricas).

Do anonimato

Debates recentes na blogosfera têm incidido sobre a liberdade existente nesta e os abusos nela cometidos, muitas vezes ao abrigo do anonimato. Há inclusivamente quem neste meio se recuse a dialogar ou mesmo responder a anónimos ou a autores usando pseudónimos.
Ora, quatro factos recentes vêm dar razão aos que prudentemente se mantêm discretos quanto à sua identidade, são eles o caso «Charrua», «António Balbino Caldeira», «Celeste Cardoso» e «Linha Aberta-Internet Segura».
Nos três primeiros casos temos gente perseguida por exprimir, ou alegadamente (permitir) exprimir, opiniões fundadas ou infundadas, enquanto que no 4.º caso temos o incentivo (legítimo ou ilegítimo ver-se-á caso a caso) para a denúncia anónima de casos potencialmente perigosos para a sociedade ou para os indivíduos.
Assim, é mau alguém exercer o seu direito humano e constitucional de livre expressão de ideias de forma anónima ou sob pseudónimo, mas é bom, do mesmo modo, delatar o que julga ser denunciável; por outro lado, quem exerce estes mesmos direitos identificando-se plenamente é perseguido, incomodado, violado na sua privacidade e bens.
Se os autores desta choldra assinassem com os seus nomes andariam, hipocritamente, a cantar loas aos que sobre eles têm poder, ou então quilhar-se-iam ao chamarem «fdp» por mais palavras a alguém merecedor.
É preciso escolher sempre bem as guerras a travar.

Declaração

Não faço aqui o mesmo aviso que Daniel Oliveira faz porque não quero ser mais tarde acusado de perjúrio.

A evolução natural das "coisas".

sexta-feira, junho 29, 2007

A Guerra dos Judeus

Flávio Josefo, A Guerra dos Judeus, Lisboa, Ed. Sílabo, 2007.

Finalmente uma tradução integral para português desta obra fundamental para quem queira compreender muito do que hoje se passa no Médio Oriente. A luta travada então levou ao fim do estado judaico e a quase 2000 mil anos de perseguição aos judeus. Por esta obra fica-se a perceber que os israelitas só entregarão Jerusalém com uma nova Massada.


Flávio Josefo fascina tanto pela precisão dos relatos e pela exacta descrição do heroísmo dos resistentes e sitiados como pela tendência em negar o direito ao território destes últimos.
Moisés Espírito Santo, «Prefácio»

quinta-feira, junho 28, 2007

O Serviço Nacional de Saúde e os atentados contra a sua existência

Toda a gente sabe dos problemas do nosso sistema nacional de saúde, mas quase todos concordarão que se deve manter pois nem todos podem ir para clínicas privadas portuguesas que à mínima complicação evacuam os doentes para os hospitais estatais. Nem todos podemos ir para Espanha ou outro país por razões financeiras e de capacidade de endividamento. Por isso considero ser nosso dever zelar pelas boas condições dos hospitais e centros de saúde.
Desde há décadas, e ao que parece ser uma atitude corporativa, que se limita o acesso ao curso de Medicina e mais ainda às especialidades a alunos com notas muito acima da média. O resultado está à vista, não há médicos a ponto de terem de vir para cá os espanhóis garantir o atendimento aos doentes. Os enfermeiros são médicos frustrados, enquanto que os médicos entre um emprego mal pago num qualquer centro de saúde e as clínicas privadas onde pagam bem e podem acumular com horas noutros locais, escolhem o óbvio.
A estratégia para acabar com o SNS começou há décadas, agora resta saber se nos vamos conformar com isso ou não, pois o sistema de seguros de saúde é muito bonito, mas tal como todos os seguros, quando precisamos dele só cobre uma parte ou não cobre, precisamente, o tratamento do mal de que sofremos. Não tendo qualquer tipo de seguro sujeitamo-nos a figurar numa das histórias do Sicko de Michael Moore – a que mais gosto é a do indivíduo que cortou dois dedos e teve que optar por um, o mais barato, porque não tinha dinheiro suficiente para enxertar os dois.

Neste sistema de seguros existem sempre pessoas que pela sua (in)capacidade económica podem morrer sem serem atendidos. Neste caso as pessoas morrem simplesmente porque não têm dinheiro! É o primado de que tudo tem de ser pago e que a economia nos rege, sendo os valores humanos simplesmente desprezados.
Num qualquer sistema nacional de saúde – que não esteja a ser desmantelado – tal também pode suceder, mas será sempre considerado incúria e em extremo um crime que pode ser levado a tribunal e os responsáveis serem condenados. Neste caso prevalecem os valores humanos face à economia. O que é importante é a humanidade e não o que cada uma das pessoas vale em dinheiro.
Ultimamente a atitude perante a suposta (digo suposta porque em economia há formas de investimento que podem garantir o pagamento das despesas e conseguir lucros) insustentabilidade do SNS é aplicar a teoria do utilizador-pagador. Contudo, nós quando pagamos os nossos impostos já garantimos a entrada de dinheiro para este sector, o que quer dizer que esse dinheiro está a ser desviado para outras coisas que não são a saúde. Ou seja, os portugueses que são dos que mais mal ganham pagam duas vezes a saúde e muitos recorrem ao sistema privado, pagando e não usufruindo dos serviços que pagaram.
Hoje em dia os portugueses pagam 22,5% dos cuidados de saúde à cabeça, enquanto se fica pelos 10% na Holanda e na Inglaterra. Ou seja, a ideia do utilizador-pagador está a vingar. Continuo sem saber para onde vai o dinheiro que corresponde aos tais 22,5% das despesas de saúde pagos duplamente pelos portugueses, alguém sabe dizer?

segunda-feira, junho 25, 2007

Pelo referendo ao novo tratado europeu


Os chefes de estado e de governo europeus estão a preparar-se para aprovar um novo tratado nas costas dos seus cidadãos. Portugal não é excepção e tanto o Presidente, como o Governo, como outras «forças vivas» da nossa democracia têm proferido declarações que indiciam irmos no mesmo caminho.
Temos de nos opor a estas intenções aparentes de quem se arvora em senhor da vontade alheia e exigir um referendo, e isto caso não queiramos viver numa imitação de democracia.
Não se trata de estar contra ou a favor do tratado em esboço ou da versão final que se venha a aprovar, trata-se tão só da defesa dum dos princípios basilares da democracia: o cidadão deve pronunciar-se sobre tudo o que tenha graves implicações no seu futuro.
Para este efeito, o Kaos – contundente como de costume – concebeu uma imagem para os blogues que queiram aderir à campanha da reivindicação dum referendo, imagem essa que já copiámos e colocámos na barra lateral.

Só para chatear a Dolores

domingo, junho 24, 2007

Assim não!

Julgava eu viver numa democracia (= governo do povo) mas nos últimos tempos tenho vindo a mudar de opinião, se é que alguma dúvida ainda me restava.
Este sentimento não resulta só de todas as trapalhadas em que os governos e muitos dos governantes se têm envolvido nos últimos tempos; também não resulta só de verificar que o capitalismo rentista tem sugado o erário público ao mesmo tempo que acusa os cidadãos de chularem o estado e de por causa disso terem de pagar todos os serviços públicos, além dos crescentes impostos; muito mais haveria a dizer, como tem sido dito e se continuará, certamente, a dizer.
Mas o que me leva hoje a escrever isto é a traição que o Presidente, o Governo e o Partido Socialista estão a preparar aos cidadãos portugueses e ao País.
Este tratado, como qualquer tratado internacional, condiciona a soberania das partes envolvidas, para o bem e para o mal. Não sei o que está em preparação, como julgo que ninguém saberá, se exceptuarmos alguns dos mais distintos elementos da brigada do marisco e canapé, mas, no pior dos casos, um tratado como este diminuirá muito o poder que Portugal tem hoje no seio da comunidade europeia. Abdicar de poder no quadro das relações internacionais é sempre muito perigoso e a soberania portuguesa, duma maneira ou de outra, está em causa com este tratado.
Assim, e a não ser que nos submetam pela força, caberá a nós, cidadãos portugueses, pronunciarmo-nos sobre o destino daquilo de que somos soberanos: a República Portuguesa.
Para decidir sobre esta matéria não é válida a invocação da democracia representativa pois, como já referi aqui anteriormente, o cidadão quando vota escolhe o mal menor e não está a passar cheques em branco a políticos, principalmente quando são da craveira dos que nos governam.

Directamente da terra do Tio Sam III

A verdadeira história de uma nação.

Palavras? Essas leva-as o vento.

Simplesmente fantástico.

sexta-feira, junho 22, 2007

Que tipo de universidade queremos?

Via Arrastão tomei conhecimento desta petição para o alargamento do prazo de discussão pública do novo Regime Jurídico para as Instituições de Ensino Superior (RJIES).
Por não se tratar de problema menor e por deste novo estatuto depender o futuro do país no que diz respeito ao tipo de universidades que terá e ao que delas sairá, deixo aqui o meu apelo para que todos a assinem.

Os zangões

Depois do que escrevi aqui e vendo como somos observados (e logo controlados) já não me devia perguntar como é que há gente disposta a abdicar dos restos da sua privacidade (que neste contexto é o mesmo que liberdade) em troca da futilidade da referenciação mediática ou da mesquinhez da vingança.
O trágico de tudo isto é ver os liberais, aqueles que em princípio mais prezariam a liberdade individual, a converterem-se em verdadeiros comunistas impondo e adoptando de modo aparentemente acéfalo os padrões uniformizadores de comportamento que tiveram o seu apogeu com a Revolução Cultural Chinesa e com os Khmers Vermelhos, promovendo o uso de tecnologias de vigilância e controlo em nome da eficiência ou de paranóias securitárias.
Ao darem ao público o que de mais privado o indivíduo tem, enquanto esquizofrenicamente se agarram com unhas e dentes ao mais insignificante bem natural, material, intelectual ou financeiro, chamando-lhe seu como se de direito sagrado fosse, dão mostras do que verdadeiramente são: zangões duma colónia de abelhas uniformizadas e obedientes.

Revisto: 23-6-2007

quinta-feira, junho 21, 2007

O Lado Negro

Conselho de Ética discorda da criação para fins de identificação civil. O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida admite a criação de uma base de perfis de ADN na área criminal, mas discorda que seja criada outra idêntica para fins de identificação civil.

Tiram-nos as impressões digitais, chipam-nos, seguem-nos o rasto pelo telemóvel, cartões bancários, de crédito e sabe-se lá que mais; por onde quer que andemos estamos sob o olho de vidro das câmaras de vigilância, quais amibas sob o microscópio; o nosso mais pequeno gesto deixa atrás de si o rasto mucoso das lesmas e, como se tudo isso não bastasse, querem agora catalogar o nosso código genético em bases de dados que de nada servirão a não ser ao Lado Negro que pagará fortunas pela porta do cavalo para aceder e copiar os seus conteúdos.
Para o meu lado escusam de vir com todas as garantias legais e métodos de segurança, pois todos sabemos que a segurança existe para ser violada por quem tiver os meios e a vocação para tal.
A pretexto da segurança individual e colectiva, a cada dia que passa vamo-nos tornando mais escravos e não estará longe o momento em que não passaremos de formigas ou abelhas trabalhadoras e consumidoras sem qualquer liberdade ou vontade própria.

quarta-feira, junho 20, 2007

Tenham medo, tenham muito medo!

Confirma-se:

Banner criado por gentileza do Adpdeites

Começo a ter saudades da Inquisição e da PIDE, pelo menos sabíamos com o que contar.

Imbecilidade sem fim

Os grunhidos que em algumas partes do mundo se levantaram contra a atribuição do grau de cavaleiro a Salman Rushdie pela rainha de Inglaterra são mais uma prova da Idade das Trevas em que parte do Islão mergulhou. Nessas paragens, os agitadores das massas fanáticas continuam a incitar ao assassínio sem que em parte alguma desse mesmo mundo se oiça voz contra tal selvajaria nem, tampouco, a apelar ao mínimo bom-senso.



terça-feira, junho 19, 2007

Gostei de ler

De Palmira da Silva, Bloody Miracles.
De Ben Drer Yemini, O Mundo Permanece em Silêncio com tradução de Nuno Guerreiro Josué.

segunda-feira, junho 18, 2007

... e o rabinho lavado com água de rosas?

Jardim considera "infeliz" que Governo se faça representar por secretário de Estado na sua tomada de posse.



- Já agora, porque não se fazer representar pelo cônsul... honorário de Cuba?
- Era o mais apropriado, não?



Blografia:
Kaos

Directamente da terra do Tio Sam

Realidade

"Eu vejo a Playboy como vejo o National Geographic
Olho para lugares onde sei que nunca vou estar." (anedotas.com.pt)

Nota 0

Chegou aí um blog que não quer ser bem comportado:
Zero de Conduta

Velhos provérbios, novas verdades...

-Quem ri por último... é de compreensão lenta.
-Os últimos são sempre... desclassificados.
-Quem o feio ama... tem que ir ao oculista.
-Deitar cedo e cedo erguer... dá muito sono!
-Filho de peixe ... é tão feio como o pai.
-Quem não arrisca... não se lixa.
-O pior cego... é o que não quer cão nem bengala.
-Quem dá aos pobres... fica mais teso.
-Há males que vêm... e ficam.
-Gato escaldado... geralmente está morto.
-Mais vale tarde... que muito mais tarde.
-Cada macaco... com a sua macaca.
-Águas passadas... já passaram.
-Depois da tempestade... vem a gripe.
-Vale mais um pássaro na mão... que uma cagadela na cabeça.

domingo, junho 17, 2007

Os (últimos) 40 anos do Estado de Israel

Causa-me espécie que passados 40 anos as pessoas ainda se questionem sobre a legitimidade dum estado em existir. Quantas pessoas se questionam sobre o Montenegro ou a Croácia por exemplo?
Porque é que o Estado de Israel é diferente? Porque inicialmente sustentou a sua legitimidade em acordos diplomáticos com uma potência “ocupante”, e depois enveredou pela guerra? Mas os estados existentes também enveredaram pela diplomacia e pela guerra!
No que se refere a Portugal, D. Afonso Henriques lutou contra as forças da mãe e do primo para dar início ao reino de Portugal e logo a seguir pagou ao Papa para apoiar a causa portuguesa. Algo semelhante deu-se com D. João IV, este lutou contra as forças castelhanas e os seus embaixadores percorreram os estados europeus com o intuito de conseguir um Portugal totalmente independente. Se calhar quem agora acha que Israel não tem legitimidade também seria no século XVII apoiante da hegemonia castelhana e da união ibérica. O que talvez até não fosse mau de todo.

Voltando a Israel e à Palestina. Os judeus possuem esse nome porque são da Judeia, desde há milénios que toda a gente sabe disso. Nos países em que se fixaram ao longo dos tempos têm sido sistematicamente alvo de perseguições e tentativas de assassínio em massa ou selectivas. Após o Holocausto muitos dos judeus sobreviventes dos campos de extermínio não tinham para onde ir, pois todos os seus bens tinham sido ocupados e usurpados por outros, beneficiando do facto de grande parte das pessoas terem desaparecido nas câmaras de gás.
Muitos sobreviventes usaram navios para voltarem ao Médio Oriente, independentemente de terem ou não ideias sionistas. Mas desde há muito que outros integrados em movimentos sionistas foram comprando aos árabes terrenos: desertos e pantanosos que ninguém queria dado, quanto mais comprado. Todos se foram fixando e organizando para refundar o seu país e o seu “canto do mundo”. Utilizaram todos os meios que geralmente se utilizam nesses casos. Contudo, aquilo que é permitido a uns não o é para outros!
O Estado de Israel nasceu de conflitos, de negociações, de mortes e de muita força de vontade em reconstruir o que em milénios os judeus não tiveram. E só porque são judeus não o podem ter? Não será isto uma forma de anti-semitismo, ou melhor de judeofobia?

sábado, junho 16, 2007

Um possível amanhã...dá que pensar!

Do Portugal Profundo

Tal como nos tempos do Santo Ofício, gente continua a ser arguida sem saber do quê.



(Imagem meramente ilustrativa)



PS: É evidente que tudo isto não passa duma brincadeira inocente.

quinta-feira, junho 14, 2007

Eugenia política

Uns poucos, mas muito activos, têm-se manifestado nos últimos anos pela implantação da monarquia em Portugal, invocando para o efeito os mais desvairados argumentos que vão desde o ter sido esse o regime que mais tempo vigorou em Portugal, até – imagine-se – à alegação de ter sido posto fim à monarquia de forma ilegal. Propõem-se assim voltar ao poder pela via legal através dum referendo.
Ora, o referendo é a forma mais clara de demonstração da vontade do povo, desde que a pergunta seja bem feita (sem demagogias). Se os monárquicos querem um referendo, faça-se. Mas não venham dizer que à República falta legitimidade por ter sido imposta pela revolução. A presente legitimidade da República Portuguesa é igual à do Reino de Portugal em 3 de Outubro de 1910. A maior parte das alterações históricas que envolveram mudança dos detentores do poder careceram de legitimidade eleitoral ou democrática e foram impostas por grupos em defesa dos seus interesses contra outros interesses.
A monarquia é, hoje, uma forma arcaica de organizar o estado. Além disso, a monarquia ao pressupor o direito de uma pessoa a um privilégio e recusando-o a todas as outras é imoral. Mil e quinhentos anos de eugenia monárquica europeia, em vez de produzir estirpes de super-homens, produziu homens vulgares que a maior parte das vezes não passavam de gente medíocre. Na monarquia a deposição do chefe incompetente deixa sempre a sensação de golpe palaciano ou revolução; na república basta esperar pelo fim do seu mandato e depois eleger outro. Na monarquia a esmagadora maioria da população sabe que jamais ascenderá à chefia do estado; na república sempre poderá sonhar com isso.

Blografia:
O Blog das Causas
Somos Portugueses
Democracia Real

quarta-feira, junho 13, 2007

A tragédia chegou ao fim?



De acordo com as últimas notícias o corpo de Madeleine estará enterrado no Algarve a norte duma estrada. O De Telegraaf recebeu uma carta anónima com esta indicação e parece ser uma pista segura uma vez que esta carta é muito semelhante a outra que indicou o local preciso onde estavam duas meninas belgas objecto das mesmas ou semelhantes redes pedófilas. Aquele jornal holandês que parece ter publicado a carta, inclui ainda o mapa com a possível localização do corpo.
Resta agora o luto e a esperança que a acção destas redes e pessoas monstruosas sejam limitadas ao máximo possível.

A anarquia

É definitivo, a solução é a anarquia.
Se eliminarmos o Estado tudo o resto fica bem.
Só não sei como manter as religiões sem um estado que as protejam; também não sei como funcionaria uma economia sem estado, ou uma justiça.

Mas, palpita-me, Hobbes terá reflectido sobre isso.

Sexualmente inseguros

A homossexualidade é contagiosa, apanha-se na infância e, pese embora o facto de se poder ocultar durante toda a vida, continua a manifestar-se sob a sua forma reprimida, transferida e sublimada.

Esta conclusão deduz-se facilmente da epifania do arrebatado Jerry Falwell tida no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1999, meses antes da Lua ser lançada para fora da órbita terrestre, dando assim cumprimento à profecia de que um lunático reprimido apareceria para guiar a humanidade sublimada em direcção às trevas.
Desde então as luzes têm vindo a esmorecer enquanto que os seus discípulos continuam paulatinamente a porfiar nos seus desígnios duma teocracia universal, asséptica e obscurantista.
Ontem o sexo dos anjos, hoje o Tinky Winky, amanhã o mundo.

terça-feira, junho 12, 2007

A arquitectura e urbanismo

Num país em que as casas, as estradas e todos os equipamentos públicos são caríssimos (segundo algumas notícias saem aos bolsos dos contribuintes ao preço inicialmente acordado vezes oito) temos de tomar consciência que é necessário ser mais exigente. Afinal somos nós os “pobrezinhos” da Europa a pagar preços de multimilionário por coisas rasca.
As estradas portuguesas devem ser das únicas da Europa que se dissolvem na água, os escoadouros de águas pluviais devem ser dos únicos a estarem sistematicamente entupidos e a permitir inundações, e os passeios devem ser os únicos da Europa a serem sistematicamente ocupados por carros que desrespeitam os transeuntes e matam qualquer tipo de planta que se atravesse no seu caminho.


Plantas, espaços verdes, o que é isso? Espaço destinado a pessoas e carrinhos de bebé? Vão para casa e fiquem lá! Vão passear para os centros comerciais que é onde as crianças podem correr livremente sem o perigo de serem atropeladas. Sim porque os jardins infantis também não são necessários e quando existem não têm espaço para as crianças correrem e estarem à sombra de árvores. As árvores são sistematicamente cortadas porque têm muitas raízes e tapam a vista às pessoas e os jardins com relva são para os cãezinhos irem defecar pois não o podem fazer em casa ou na cara dos seus donos.
Agora, e não querendo estar armado em bom, gostaria que olhassem para duas cidades portuguesas (Porto e Lisboa) e duas outras (Copenhaga e Luxemburgo) depois duma chuvada. Comparem, no fim pergunto eu: o que marca a diferença?



Imagens retiradas daqui.