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quinta-feira, abril 02, 2009

OGMs pela porta do cavalo só se permitirmos

Nesta fase da consulta qualquer um pode participar e dar a sua opinião sobre o que fazer. Por mim sou contra por muitas e boas razões, sendo a principal a que ninguém ainda conseguiu provar que são inócuos, mas outras há - não menos importantes - como o mau carácter nestas matérias demonstrado pela Monsanto, a empresa envolvida, e o facto de não querer ser cobaia de coisas de que ainda não se sabem todas as implicações.
A Plataforma Portuguesa por uma Agricultura Sustentável tem uma mensagem tipo contra este projecto e está disponível seguindo esta hiperligação. Esse mesmo modelo pode ser alterado pelos subscritores para tornarem a sua mensagem o mais pessoal que quiserem.
Quanto a mim isto é assunto muito sério e mal entendido na plenitude das suas consequências, mesmo pelos que participam no desenvolvimento destas tecnologias, digam eles o que disserem em contrário.
Alguém ainda se lembra da Talidomida?

sábado, novembro 01, 2008

Ser professor nos dias de hoje...

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Querem que eu dê aulas!?...

Recebido por correio electrónico sem autor identificado
Entretanto, reconhecida a autoria e respectiva publicação em primeira mão em http://sinistraministra.blogspot.com/2007/11/o-no-professor-do-ano.html

sexta-feira, outubro 31, 2008

O Grande Irmão

Já que fiz o login ao blogue, bem poderia escrever qualquer coisa sobre as declarações intoleráveis de Loureiro dos Santos; também poderia escrever qualquer coisa sobre as últimas incursões de Pedro Arroja acerca do bom papel da Igreja na História, mas em vez disso vou limitar-me a deixar aqui esta parábola sobre o admirável mundo novo em que inconscientemente vamos entrando.
*
Telefonista - Pizza Nut, boa noite!
Cliente - Boa noite, quero encomendar Pizzas...
Telefonista - Pode-me dar o seu NIN?
Cliente - Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.
Telefonista - Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 215494236, certo? O telefone do seu escritório na Liberty Seguros, é o 21 5745230 e o seu telemóvel é o 962662566, correcto?
Cliente - Como é que conseguiu todas essas informações?
Telefonista - Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
Cliente - Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro Queijos e outra Calabresa...
Telefonista - Talvez não seja boa ideia...
Cliente - O quê...?
Telefonista - Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.
Cliente - Claro! Tem razão! O que é que sugere?
Telefonista - Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!
Cliente - Como é que sabe que vou adorar?
Telefonista - O senhor consultou a página 'Receitas Gulosas com Soja’ da Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
Cliente - Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!
Telefonista - É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.
Cliente - Quanto é?
Telefonista - São 49,99.
Cliente - Quer o número do meu Cartão de Crédito?
Telefonista - Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.
Cliente - Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a Pizza.
Telefonista - Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com o saldo negativo.
Cliente - Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
Telefonista - Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos. Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...
Cliente - Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?
Telefonista - Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e então, pensei que fosse utilizá-la.
Cliente – Chiça!...
Telefonista - Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente da Autoridade.
Cliente - (Silêncio).
Telefonista - Mais alguma coisa?
Cliente - Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
Telefonista - O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
Cliente - Aaaaaaaahhhhhhhh! Vou atirar-me pela janela!
Telefonista - E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão!...

sexta-feira, abril 25, 2008

A festa num jardim de infância

Uma apresentação pouco politicamente correcta que deve ser vista até ao fim, se tiverem paciência. Mas que nos leva a pensar ou repensar sobre o que se passa no Médio Oriente.



Não pensem que isto é uma coisa longínqua pois há incitamentos à reconquista do Al-Andaluz e isso inclui-nos a nós e ao nosso belo jardim à beira mar plantado. Se calhar até era melhor: as mulheres ficam em casa e um gajo sempre pode ter 72 virgens no Paraíso, mas e as mulheres têm o quê? 72 imberbes que não sabem por onde começar?

P.S. Isto é uma forma airosa para me safar de não escrever nada. Eh pá mas a malta não é o super-homem!

sábado, dezembro 22, 2007

O Admirável Mundo Novo Orwelliano


A paranóia securitária e de assepsia que atinge o país está a tornar-se numa caricatura ridícula ou a conduzir-nos a uma sociedade Orwell-huxleyiana?
Por todo lado proliferam mecanismos de vigilância sem qualquer controlo e sem verdadeiramente cumprirem os fins a que se destinam, reduzindo paulatinamente a liberdade individual.
O certo é que cada vez mais uma qualquer facadinha no matrimónio, o aliviar os macacos do nariz ou o ajeitar os testículos entalados nas cuecas se pode tornar na primeira página dos tablóides ou atascar as caixas de correio electrónico de todo o mundo.


Any society that would give up a little liberty to gain a little security will deserve neither and lose both.

sábado, novembro 17, 2007

Informação para a ERC

Este blogue não tem "Conteúdos sujeitos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente", pelo que não se encontra sob a vossa alçada.
Contudo, sem abdicar da liberdade de expressão, submete-se de bom grado às leis e órgãos superiores da República quando estes últimos legitimamente agirem no quadro constitucional vigente.

Feito este interlúdio, podemos voltar ao avacalhanço.

(Informação via serviço público do Arrastão)

sexta-feira, setembro 21, 2007

quinta-feira, setembro 06, 2007

A propósito dos transgénicos

Antes de mais quero sublinhar que considero que a liberdade é um valor fundamental e que a minha liberdade não é necessariamente limitadora da liberdade dos outros ou vice-versa.

É preocupante quando se discutem movimentos e pessoas (quais polícias políticas) que preconizam o debate sobre os produtos geneticamente transformados e se ponha para segundo ou terceiro plano o debate sobre a possibilidade destes se produzirem em Portugal, uma vez que já são comercializados.
É preocupante que se comercializem e consumam produtos modificados sem que haja qualquer referência à sua manipulação genética, seja nos rótulos ou na literatura das embalagens.
Nós estamos a consumir produtos que hoje se sabe poderem ter consequências maléficas para a nossa saúde e para o nosso bem-estar futuro. Vamos continuar a fazer como a avestruz ou vamos exigir ser informados do que realmente estamos a consumir?
Claro que se pode dizer que os estudos são inconclusivos, mas basta olhar para as nossas crianças e verificar que crescem rapidamente, tanto em altura como em largura e a vida sedentária não explica tudo. Basta que alguém vá passar uns tempos aos EUA para verificar como o seu peso aumentou largamente no regresso. Verifique-se que tipo de alimentação faz uma criança obesa e constata-se que os flocos (sem leite), as comidas rápidas, os gelados e as bolachas têm uma importância considerável.
Os transgénicos estão em todos os produtos mencionados.

O cultivo de sementes de produtos geneticamente transformados faz com que o agricultor fique totalmente dependente das sementes das companhias detentoras das patentes. Essas sementes só podem ser utilizadas pelos agricultores devidamente contratualizados e se por qualquer eventualidade o agricultor desistir de comprar as ditas sementes e elas continuarem a crescer na sua propriedade, porque ficaram no restolho, pode ser demandado judicialmente por uso indevido das sementes. Existem diversos casos de agricultores americanos com este tipo de problemas na justiça. Outros agricultores que nunca cultivaram OGM acabaram por os encontrar nas suas propriedades - simplesmente porque as abelhas não reconhecem as estremas - e também eles acabaram com o rabinho assente no mocho requeridos para engordarem os accionistas das empresas produtoras de OGM.
O que os defensores dos OGM não admitem é a possibilidade de no futuro a humanidade ficar dependente para a sua alimentação das espécies geneticamente modificadas e das companhias que as fornecerem. Esta ideia não é de todo absurda já que basta para isso que a alimentação humana seja o fruto das sementes geneticamente modificadas e patenteadas. Aquilo que deveria ser a solução do problema da fome no mundo transforma-se noutro problema muito maior, pois os agricultores só poderão produzir a partir daquelas sementes fornecidas em exclusividade pelas companhias.
As sementes geneticamente transformadas dão, por exemplo, origem a plantas resistentes aos insecticidas e quando se faz a polinização ela não fica limitada à propriedade onde inicialmente se fez a sementeira. As plantas transgénicas polinizam as plantas naturais e iniciam um processo de modificação das plantas circundantes. Isto poderá resultar numa maior fragilidade das plantas biológicas e na sua alteração genética com resultados de consequências imprevisíveis no futuro.
Lembro que - tal como Gualter Baptista, a face visível da oposição aos transgénicos - também foi ridicularizado o cientista que, pela primeira vez, chamou a atenção para o prião a que agora comummente se atribui a responsabilidade pela doença das vacas loucas. E tudo isto começou, na ânsia de maior lucro, com algo que se julgava um bem inofensivo e que agora tem os resultados que todos conhecemos.
Um dos princípios bíblicos é que se deixe nos campos sementes e frutos depois das colheitas para os mais pobres poderem tirar algum proveito disso. Mas agora os filósofos do dinheiro dizem: se te tirarem uma semente ou um fruto e o plantares terás de pagar em tribunal, pois eles são da exclusiva criação e comercialização da companhia X, Y ou Z.

terça-feira, agosto 21, 2007

A berraria


A berraria que vai aí pela blogosfera com alguns ecos nos media tradicionais por causa da destruição duns pés de milho por uns vadios, faz esquecer o que verdadeiramente se devia estar a debater e que, muito convenientemente, tem sido calado.
Trata-se de saber se os organismos geneticamente modificados (OGM) são seguros. Mas ainda mais importante do que isso é saber os OGM são inócuos para o meio ambiente: tanto para o homem como para toda a biodiversidade que tem de ser preservada como património do mundo que é.
O debate ainda não começou nem há vontade política para o fazer. Trata-se duma questão de cariz científico e grande parte do povo português é por demais ignorante a para entender, presume-se. Mas também é verdade que a comunidade científica, lerda que é na sua interacção com a sociedade, pouco se dá ao trabalho de divulgar a matéria. A imprensa e as televisões pouco ou nada têm feito sobre estes assuntos, divulgando-os a maior parte das vezes entre futebóis e telenovelas da vida real, como o folclore algarvio de há dias (o documentário recentemente passado na SIC-N, é uma excepção que confirma a regra).
Tenho uma opinião muito céptica em relação à benignidade dos OGM e desconfio muito da bondade das empresas que os produzem, pois são as mesmas que com os mesmos argumentos, no passado venderam o DDT, o Agente Laranja e outras soluções milagrosas para a fome e todos os males do mundo com os resultados hoje sobejamente conhecidos. Portanto, tudo o que daí vier tem de ser encarado com muita cautela e só com uma certeza: elas estão aí para fazer muito dinheiro sem olhar a meios.
As garantias dadas pelos cientistas a soldo dessas empresas valem o que vale a palavra dum vendedor de time-sharing; falam pelo dono e só querem o cheque ao final do mês, pois têm família para alimentar. O bom cientista, nunca dará garantias, ou só dará aquelas que o estado da arte permitir na altura. A ciência não é estática, evolui e o que num momento parece certo noutro poderá ser isso e mais alguma coisa ou até já não o poderá ser. Se se quiser uma analogia, tome-se a indústria farmacêutica que, com regularidade, 20 ou 30 anos depois de lançar um produto é forçada a retirá-lo do mercado quando se descobrem novos e nocivos efeitos secundários. Agora imagine-se acontecer isso com um OGM que entretanto já contaminou um ou vários ecossistemas; imagine-se que a longo prazo poderá afectar a saúde dos homens e dos animais de que este se alimenta; veja-se o caso da BSE (vacas loucas).

sexta-feira, agosto 17, 2007

Terrorismo ecológico

Primeiro cria-se a necessidade onde ela não existe, depois cobra-se para a satisfazer e a isso chama-se empreendedorismo.

Quando os detentores das patentes começarem a processar agricultores inocentes cujas culturas foram geneticamente contaminadas pelas suas criações; quando as todas as culturas forem propriedade das multinacionais e a elas se tiver de pagar o imposto da sobrevivência, quero ver então quem são os terroristas.


segunda-feira, julho 23, 2007

Para que servem as conchas?

Pedro Arroja é necessário. Faz-nos reflectir sobre algumas coisas que de outro modo não nos passaria pela cabeça. A ideia dum museu em Lisboa sobre as perseguições aos judeus em Portugal é excelente. Se até Salazar tem direito a um museu, porque não também criar um local específico que lembre um dos mais importantes grupos sociais de Portugal?
Segundo as teorias liberais, numa forma simplista, as pessoas têm de assumir as suas responsabilidades e acima de tudo são elas que pelo seu livre arbítrio decidem o que querem ou não, arcando de permeio com as consequências dos seus actos. Assim, o museu judaico de Berlim e o hipotético museu das perseguições aos judeus em Lisboa deviam ser para Pedro Arroja um motivo de gáudio e não de “profunda irritação”.
A origem de tal irritação parece ser o facto de tal museu ter sido construído para lembrar os alemães que são culpados. Ao afirmar isto depreende-se que os judeus não são alemães tal como um senhor de bigode afirmava e que até aplicou umas teorias de que existem raças e, acima de tudo, sub-raças.
Ao fazer um paralelismo com a possibilidade dum museu na capital portuguesa sobre os judeus também opta por mandar fazê-lo em Telavive, partindo também do pressuposto que os judeus em Portugal são estrangeiros e não são cidadãos nacionais. Aconselha-se portanto Pedro Arroja a conhecer judeus portugueses, não dá muito trabalho, é só ir visitar uma sinagoga ou então, se calhar, perguntar ao seu vizinho do lado, o tal que nunca aparece na igreja, qual a sua religião e talvez tenha uma surpresa.
Mas, Pedro Arroja prefere discutir a teoria. De acordo com a sua tese, não é possível que um povo prospere comemorando os seus crimes e os seus algozes, mas sim evocando os seus feitos e os seus heróis. Primeiro, acho que ninguém no seu perfeito juízo comemora genocídios muito menos qualquer povo. Evocar, recordar ou memorar sim. Segundo, o que é um grande feito e um herói? Estará porventura a referir-se aos descobrimentos e a pessoas como Vasco da Gama ou D. Afonso Henriques?
Se assim é recomendo a leitura dos livros de História onde se verificará que Vasco da Gama impôs a vontade do Rei através de bombardeamentos e de mortes na Índia e que D. Afonso Henriques se fartou de matar árabes e berberes muçulmanos ou não, judeus e também moçárabes que partilhavam a mesma religião do rei de Portugal, a qual ele dizia defender. Mas talvez estes actos sejam heróicos por serem civilizadores.
Sim os povos, tal como as pessoas, podem prosperar assumindo os seus erros: a Alemanha é exemplo disso! Conseguiu prosperar e afastou-se da decadência e do desaparecimento ao contrário do que vaticina Pedro Arroja. Os alemães, como povo, também não sofrem hoje de falta de auto-estima e de respeito por si próprios... Assim sendo, o exemplo foi muito mal escolhido.
O nosso querido Portugal, pelo contrário, tem vindo a exaltar os seus heróis e a evocar os seus grandes feitos dando continuidade à tradição salazarista. Nunca nos debruçámos seriamente sobre os nossos erros nem sobre as nossas derrotas. E o que aconteceu? Somos prósperos não somos? Vivemos bem, vivemos muito bem mesmo, só somos comparáveis a países subdesenvolvidos.
Ups, isso não é para dizer! Já me esquecia temos é de exaltar as coisas boas, não é?
Ah, que lindo o Sol que brilha lá fora!

terça-feira, julho 17, 2007

Ibéria


Volta-se a malhar em ferro frio.

Que tipo de regime político propõe o laureado (e talvez também comendador) José Saramago para a sua Ibéria?
Uma monarquia ou uma república? - Se monarquia, de que casa? A de Bragança ou a de Borbón?
Uma confederação, federação ou estado centralizado?
Partiria os actuais países e territórios em subterritórios? - Como por exemplo, Leão de Castela ou desmembraria Portugal criando mini regiões como Entre-Douro-e-Minho, Trá-los-Montes ou Allgarve? Seria desta que se daria finalmente a independência à Madeira?
Criaria um estado comunista, socialista, liberal ou fascista?
Seria uma Ibéria ateia, católica, infiel, ou gentia?

A boca que o famoso escritor mandou justificaria respostas a tais perguntas. Mas se queria simplesmente publicidade haveria outras maneiras de o fazer com mais estrilho.
Se calhar espera ver as reacções para delas tecer o enredo do seu novo romance. Se assim for, vou querer parte dos direitos do seu novo livro.

sexta-feira, julho 06, 2007

Friday - distopia ou utopia libertária


Um dos mais brilhantes livros de R. A. Heinlein é a leitura recomendada de hoje, com uma dedicatória especial a todos os neo-liberais políticos e económicos e a todos os verdadeiros liberais dos costumes. E sempre se lê melhor do que qualquer tratado filosófico: uma boa leitura para a praia.

sexta-feira, junho 22, 2007

Os zangões

Depois do que escrevi aqui e vendo como somos observados (e logo controlados) já não me devia perguntar como é que há gente disposta a abdicar dos restos da sua privacidade (que neste contexto é o mesmo que liberdade) em troca da futilidade da referenciação mediática ou da mesquinhez da vingança.
O trágico de tudo isto é ver os liberais, aqueles que em princípio mais prezariam a liberdade individual, a converterem-se em verdadeiros comunistas impondo e adoptando de modo aparentemente acéfalo os padrões uniformizadores de comportamento que tiveram o seu apogeu com a Revolução Cultural Chinesa e com os Khmers Vermelhos, promovendo o uso de tecnologias de vigilância e controlo em nome da eficiência ou de paranóias securitárias.
Ao darem ao público o que de mais privado o indivíduo tem, enquanto esquizofrenicamente se agarram com unhas e dentes ao mais insignificante bem natural, material, intelectual ou financeiro, chamando-lhe seu como se de direito sagrado fosse, dão mostras do que verdadeiramente são: zangões duma colónia de abelhas uniformizadas e obedientes.

Revisto: 23-6-2007

quinta-feira, junho 21, 2007

O Lado Negro

Conselho de Ética discorda da criação para fins de identificação civil. O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida admite a criação de uma base de perfis de ADN na área criminal, mas discorda que seja criada outra idêntica para fins de identificação civil.

Tiram-nos as impressões digitais, chipam-nos, seguem-nos o rasto pelo telemóvel, cartões bancários, de crédito e sabe-se lá que mais; por onde quer que andemos estamos sob o olho de vidro das câmaras de vigilância, quais amibas sob o microscópio; o nosso mais pequeno gesto deixa atrás de si o rasto mucoso das lesmas e, como se tudo isso não bastasse, querem agora catalogar o nosso código genético em bases de dados que de nada servirão a não ser ao Lado Negro que pagará fortunas pela porta do cavalo para aceder e copiar os seus conteúdos.
Para o meu lado escusam de vir com todas as garantias legais e métodos de segurança, pois todos sabemos que a segurança existe para ser violada por quem tiver os meios e a vocação para tal.
A pretexto da segurança individual e colectiva, a cada dia que passa vamo-nos tornando mais escravos e não estará longe o momento em que não passaremos de formigas ou abelhas trabalhadoras e consumidoras sem qualquer liberdade ou vontade própria.

sexta-feira, junho 08, 2007

Lembrando Nuremberga e Tóquio

Se há coisa desprezível é o terrorismo islâmico com os seus métodos e intentos absolutamente inumanos. Não há razão, argumento ou justificação para ele, pronto.
Agora, a metodologia adoptada para combater uma dessas vertentes - aquela que mostrou aos americanos não serem uma nação com imunidade especial concedida por Deus - é tão reprovável como o terrorismo que visa combater.
Os métodos americanos envergonham-nos; violam todos os princípios morais e éticos em que se funda a sua (e a nossa) sociedade e, em última análise, põem em causa tudo o que acreditamos e desejamos.


Daqui a 20, 30 ou 50 anos, quando a história for escrita, verificar-se-á ter sido totalmente contraproducente e ineficaz quanto aos seus propósitos todas as violações levadas a cabo dos princípios constitucionais e civilizacionais em que assentam os Estados Unidos (e nós).
Ao que tudo indica, estas violações tornaram-se mais fáceis porque os nossos dirigentes políticos são desprovidos de valores morais. Mas o mais chocante é ver os países que mais razões teriam para abominar estas práticas a darem-lhes total cobertura.

terça-feira, junho 05, 2007

Um bocadinho de História


Quase que a propósito das reacções ao post de João Miranda.
Na Antiguidade, durante e domínio romano e nos reinos visigodos floresciam na Península Ibérica diversas comunidades judaicas. Os muçulmanos entraram por volta de 711 e dominaram grande parte do território ibérico a que chamavam Al-Andaluz. No que se refere ao território que é hoje Portugal, desde meados do século XIII que os reinos árabes e muçulmanos foram substituídos pelo que se chamava então Reino de Portugal.
Ou seja, a Península Ibérica e os seus povos, quer queiram quer não, possuem uma forte componente semita. Os espanhóis e os portugueses carregam em si uma carga genética fortemente ligada aos árabes e judeus.
Hoje em dia toda a gente sabe quais as palavras que derivam directamente do árabe como: algibeira, azul, oxalá... Todos sabemos quais as influências árabes na construção das casas algarvias, das hortas, na Medicina...
E pergunto eu: quem sabe dos contributos dos judeus?
Porque é que mais de mil anos de presença judaica no território que é hoje Portugal são esquecidos e tão pouca atenção se dá às provas da sua influência?
Porque se desvaneceu tudo?
Numa altura em que se fala da possibilidade do Irão vir a ter armas nucleares e do Estado de Israel se tornar numa Hiroshima. Gostaria de perguntar se aquilo que levou ao branqueamento do nosso passado pode servir para dar cobertura a tal acto?