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quarta-feira, novembro 17, 2010

domingo, agosto 31, 2008

Antecipando o fim da festa do Avante...




... dedico este boneco a todos os nostálgicos dos velhos tempos da DDR e seus Senhores.

(Aqui deixo o agradecimento à Autora do boneco por deixar-se roubar desta maneira)

terça-feira, outubro 23, 2007

Os Iluminados (3)

Gostei de ler O Referendo do Tratado 1 de José Luís Malaquias, compreendo-o e até concordo com toda a análise que faz. Contudo não posso concordar com a conclusão.
A democracia directa, em sociedades pouco cultas, presta-se à demagogia e ao voto com os pés, em vez de se votar em referendo no que realmente está em causa.
No entanto, numa democracia representativa como a nossa quem vota as leis presta-se à carneirada: os nossos deputados votam no que lhes mandam votar, frequentemente sem consciência e ao arrepio dos interesses dos seus eleitores.
No caso os deputados dos dois maiores partidos nem têm mandato para aprovarem o presente tratado europeu, já que os programas dos seus partidos propunham claramente o referendo desta matéria.
Agora, se se teme a ignorância do povo, a manipulação demagógica e o voto de protesto, os iluminados (por oposição aos ignorantes) que nos governam e representam devem instruir o povo para que este verdadeiramente compreenda o que está em causa – a isso chama-se campanha –, pois se o povo pode ir atrás das suas demagogias quando se trata de escolher quem o governa, também é muito bem capaz de escolher se quer ou não submeter-se a este tratado.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Os Iluminados (2)

Estão na moda afirmações elitistas do género:

Os que defendem o referendo sobre o Tratado de Lisboa já experimentaram lê-lo? E acham que algum cidadão comum consegue passar da segunda página? Não será tempo de deixar de brincar aos referendos?

Pergunta-se, então:

Os que defendem as eleições para a Presidência da República, para os parlamentos nacional e regionais e para as autarquias já alguma vez experimentaram ler os programas eleitorais dos concorrentes a essas eleições? E acham que algum cidadão comum consegue passar da segunda página?

Não será tempo de deixar de brincar às eleições?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Os Iluminados

Sérgio Sousa Pinto, eurodeputado do PS, manifestou hoje na RTP2, e mais uma vez, a sua descrença na capacidade do povo entender, e portanto votar, questões complexas como a Constituição Europeia, agora dita de Tratado Reformador Europeu.
A propósito das asneiras deste senhor deputado já aqui me tinha manifestado, apontando para o facto do povo (burro) o ter eleito (inteligente) para o representar. Mas um mérito tem este senhor deputado: diz o que pensa, enquanto outros, sem o dizerem, agem como ele quer agir.
Eles – e aqui uso o tradicional ELES – fazem o que querem porque se julgam iluminados; o povo (ignaro) deixa-os fazer o que querem, pois ELES é que sabem – são uns iluminados.


Não queria recorrer à falácia nem à comparação histórica fácil, mas cada vez mais todo este processo se assemelha à tomada do poder por D. Filipe I: comprou a elite que se alimentava das rendas nacionais e depois foi só agarrar a Coroa enquanto o povo era forçado a aplaudir a sua entrada.
Agora nem quero mencionar como tudo isto acabou, só relembro que não foi bonito de ver, e mais uma vez foi o povo (estúpido) que deu o corpo ao manifesto.

domingo, setembro 02, 2007

Uma república das bananas

O Blogador publica o documento da Força Aérea que identifica alguns dos militares que participaram numa manifestação.
Suponho que o documento no aspecto diplomatístico é verdadeiro, já que tendo sido referido no Parlamento a sua autenticidade formal não foi desmentida, pese embora o facto do Ministro da Defesa ter negado a autenticidade de parte do conteúdo.
No documento consta em Assunto: «Visionamento de fotos enviadas à Força Aérea pelo Ministério da Defesa Nacional», seguindo-se depois a identificação de alguns militares que figurariam nessa fotografia, os quais vieram posteriormente a ser punidos pelo facto.
Neste caso alguém necessariamente está a mentir: ou o ministro ou o oficial da FA.
Se um ministro da República mente no Parlamento tem de ser demitido; se um funcionário público, e ainda mais se for militar, mentir aos seus superiores em matéria de serviço deve seguir, no mínimo, o mesmo caminho.

Quem tirou as fotografias em causa? E por ordem de quem, se não foi do Ministro? Qual o enquadramento legal para a tomada dessas imagens e qual a fundamentação legal para o seu uso em processo disciplinar? Provavelmente trata-se de matérias sobejamente conhecidas, no entanto desconheço-as.
Neste país que vive de subterfúgios legais, mais do que saber da legitimidade para militares se manifestarem ou não, o que importaria saber neste caso é como se asseguram os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos contra o abuso dos dirigentes do Estado e como se salvaguarda o exercício da liberdade individual. Em suma, com que direito é que cidadãos exercendo a liberdade de expressão são filmados e fotografados para depois serem punidos por isso como se vivessem sob um regime totalitário.

terça-feira, agosto 07, 2007

A Herança

Às vezes as minhas leituras vão um pouco além da Caras e do 24 Horas e foi assim que folheei a Time da próxima semana. Este número da revista é dedicado ao balanço dos 60 anos de independência da Índia e, como se esperaria, está voltado essencialmente para o presente, tentando também antever o futuro; um esforço que se sabe de antemão condenado ao fracasso, mas enfim... Não deixa, contudo (e isso é irresistível), de dar umas olhadelas para o passado, quanto mais não seja para mostrar erudição e apontar para um público-alvo mais vasto.
Deixando para Nuno Rogeiro a análise do que se diz sobre o presente e para o Paulo Cardoso o exame da futurologia, passo à história, essa espécie de literatura de segunda com que se entorpece na escola as mentes infantis e que é feita por coronéis reformados e outros inúteis.
Saltando rapidamente para a última página encontra-se nela um ensaio de William Dalrymple, autor de The Last Mughal, onde com elegância discorre sobre a história das relações da Índia com o Ocidente desde Alexandre Magno até ao presente. Nesse pequeno texto, a grande tese é que durante todo este tempo a Índia manteve a supremacia económica face ao Ocidente, excepção feita ao período de dominação inglesa a partir do século XVIII. Assim a presente ascensão da Índia não é um milagre mas é antes o regresso à posição que sempre ocupou no mundo.
O ressurgimento indiano não é obra do acaso, nem se ousa dizer que se deve ao esforço heróico dum qualquer indiano ou ao favorecimento especial de algum dos inúmeros deuses locais. O autor esclarece que para esta ressurreição houve um contributo dos ingleses e dos portugueses: os primeiros forneceram importantes instituições como a democracia e o estado de direito, os caminhos-de-ferro, o críquete e a língua inglesa; já os portugueses se limitaram a contribuir com a introdução do piripiri.


Está assim explicada a Índia actual. A herança portuguesa do piripiri destrói-lhes a sensibilidade oral, tornando a língua de Shakespeare ininteligível naquelas paragens; este legado afecta o juízo das gentes pondo-as a praticar o mais entediante dos jogos, depois do ténis e do golfe, e leva os ferroviários à pressa para trás dos caniçais, contribuindo assim para a sinistralidade épica nas vias que deviam conservar. É também o piripiri que dá o sabor especial à democracia indiana, tornando-a numa república dinástica em que o exercício de altos cargos do Estado é tão perigoso como andar de combóio.

segunda-feira, julho 02, 2007

A propósito de António Balbino Caldeira



Gostaria de aconselhar uma obra que, tanto quanto sei, ainda não foi publicada em Portugal por uma editora portuguesa. Vá-se lá saber porquê, embora provavelmente até saiba!
Apesar de tudo, os portugueses encontram sempre forma de contornar o sistema e assim lêem a edição brasileira que rapidamente se esgota nas livrarias sempre que aparece. Trata-se de Michel Foucault, Vigiar e Punir e já vai, pelo menos, na 27.ª edição.
Foucault constatou há muito que o poder é sempre coercivo ao utilizar a força da punição para “normalizar” tudo o que se afaste do considerado aceitável. Esta atitude por parte do poder tem em vista a centralização desse mesmo poder e a subjugação da sociedade e dos indivíduos que domina. Nesta concepção, a Justiça é uma das “armas” do poder; um instrumento que castiga quem se afasta da normalidade.
Como sempre ocorre, existem outras teorias alternativas, sendo uma delas a de Hannah Arendt que defende o poder criativo para conseguir a reunião livre das vontades em vez da divisão e do confronto. Neste sistema, a palavra deve corresponder à prática e ter conteúdo. Para Arendt o poder coercivo de Foucault é violência.
Resumindo e concluindo, existem duas faces do poder: a de Foucault que pretende vigiar e punir, mesmo a opinião; e o poder criativo de Arendt em que a solidariedade e cooperação se baseiam em vontades e palavras com conteúdo. Em extremo, neste último caso, a palavra é em si criadora pois a partir dela desenvolvem-se as ideias. Mas as palavras por si só não criam, sendo necessário reunir vontades e solidariedades de forma efectiva.
Sob que tipo de poder queremos viver? No teorizado por Foucault, em que o poder é coercivo e que vigora (aparentemente) até ao presente, ou no postulado por Arendt?
No que a mim me toca prefiro claramente Arendt. Se optarmos por este último modelo, os cidadãos devem participar na vida política e os políticos que os representam devem reunir as vontades de todos, ou pelo menos da maior parte, para a construção e criação dum futuro melhor. E todos estes conceitos que referi devem querer dizer exactamente aquilo que vem no dicionário. Não podem nem devem ser chavões publicitários vazios de conteúdo e apenas ficam bem nos “outdoors”, como se diz agora.

sábado, junho 30, 2007